Microsoft anuncia programa de saída voluntária para 60 mil funcionários nos EUA, Canadá, Índia e Reino Unido

Microsoft

Microsoft -Framalicious / Shutterstock.com

Cerca de 60 mil trabalhadores da Microsoft passaram a ter acesso nesta segunda-feira (26) a uma nova Oferta de Saída Voluntária (Voluntary Exit Offer, ou VEO, na sigla em inglês). O programa abrange aproximadamente 27% da força de trabalho global da companhia, sediada em Redmond, no estado norte-americano de Washington, e contempla equipes selecionadas nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Índia.

A vice-presidente executiva e diretora de recursos humanos da Microsoft, Amy Coleman, afirmou em mensagem enviada às equipes que a medida funciona como “mais uma forma de adaptar seu quadro de funcionários à evolução das necessidades” do grupo. Segundo a executiva, em tradução livre, “esta oferta dá aos funcionários elegíveis que possam estar considerando um futuro fora da empresa uma nova escolha para fazer essa transição agora com suporte”.

Veja também: Microsoft oferece 6 jogos grátis e descontos de até 80% no Xbox

Regras de elegibilidade e setores excluídos na Microsoft

A proposta recém-anunciada é direcionada a colaboradores que ocupam posições até o nível 70 na escala hierárquica interna da empresa, limite que engloba cargos de gerentes gerais e vice-presidentes, mas deixa de fora os vice-presidentes corporativos. Diferentemente do plano de aposentadoria voluntária aberto pela empresa seis meses antes, em abril de 2026, o formato atual não impõe exigências de idade mínima, tempo de serviço acumulado nem critérios vinculados a avaliações de desempenho.

Foto: Microsoft – Tobias Arhelger/ Shutterstock.com

Nem todas as divisões da companhia foram liberadas para participar do pacote. A direção determinou exclusões específicas para preservar operações estratégicas, mantendo fora da lista determinados profissionais alocados em centros de dados, vendas, marketing, segurança, negócios comerciais e nas equipes dedicadas a descoberta e computação quântica.

Leia também: Inteligência artificial no trabalho faz 83% trocarem colegas pela tecnologia para buscar informações rápidas

Pacote financeiro e prazos de desligamento até dezembro de 2026

Os trabalhadores que decidirem aderir ao plano receberão condições financeiras equivalentes às da indenização rescisória padrão praticada pela empresa. A companhia informou esperar uma taxa de aceitação bem menor do que a registrada na rodada de abril, mas não fixou uma meta exata de adesões nem divulgou a estimativa de impacto financeiro para este novo pacote. Os termos operacionais e históricos de compensação da empresa incluem os seguintes parâmetros:

  • Prazo de decisão: os profissionais elegíveis têm até a primeira semana de dezembro de 2026 para confirmar a adesão ao plano.
  • Data de saída: o desligamento definitivo dos funcionários que aceitarem a proposta ocorrerá na quinta-feira, 31 de dezembro de 2026.
  • Composição do pacote: pagamento de salário-base calculado conforme o nível hierárquico e o tempo de casa, continuidade do direito de aquisição de ações (processo conhecido como stock vesting), cobertura de assistência médica por período determinado e suporte para transição de carreira.
  • Referência de pagamentos anteriores: em desligamentos realizados nos Estados Unidos ao longo de 2026, o modelo padrão garantiu o mínimo de 60 dias de salário-base na folha de pagamento e o teto de 39 semanas de remuneração, calculadas à razão de uma semana de salário para cada seis meses trabalhados nos níveis 64 e inferiores, e de duas semanas a cada seis meses para os níveis 65 a 67.

Cortes anteriores e queda no quadro da Microsoft desde 2016

A abertura do novo programa ocorre após uma sequência de reduções no quadro de pessoal da companhia ao longo dos últimos dois anos. Em 30 de junho de 2026, data de encerramento de seu ano fiscal, a Microsoft contabilizava 223 mil funcionários em tempo integral, o que representou um encolhimento de 5 mil postos em comparação aos 228 mil registrados um ano antes e marcou a primeira retração anual de seu efetivo desde 2016. Antes disso, a empresa já havia demitido mais de 15 mil pessoas durante o ano de 2025 e eliminado cerca de 4.800 vagas no início de julho de 2026, volume correspondente a 2,1% de sua força de trabalho mundial.

Confira também: Inteligência artificial nas compras alcança 72% de intenção de uso em levantamento da Global Payments

Na primeira experiência com saídas negociadas, lançada em abril de 2026 apenas nos Estados Unidos, o público elegível foi de aproximadamente 8.750 trabalhadores (cerca de 7% do efetivo norte-americano), restrito a quem somava pelo menos 70 anos entre idade e tempo de empresa. Cerca de um terço (30%) daquele grupo aceitou a proposta, gerando um custo de US$ 900 milhões (R$ 4,94 bilhões) para o caixa da corporação. Ao comentar o balanço daquela etapa em julho, a Microsoft declarou em comunicado oficial que “esses cargos não estão sendo substituídos por IA”.

Investimentos de até US$ 50 bilhões em inteligência artificial

O ajuste nas despesas com folha de pagamento coincide com a ampliação dos aportes da empresa em infraestrutura de computação e inteligência artificial. Entre os meses de abril e junho de 2026, a Microsoft destinou US$ 41 bilhões (R$ 225,4 bilhões) a investimentos de capital, concentrados na construção de centros de dados e na compra de chips especializados. No mesmo trimestre encerrado em junho, o fluxo de caixa livre da companhia ficou positivo em US$ 19,64 bilhões, mas apresentou recuo de 23% na comparação anual devido à expansão de gastos com infraestrutura para atender parceiros e clientes como OpenAI e Anthropic.

A expectativa da empresa é que o volume de aportes suba para mais de US$ 50 bilhões (R$ 274,9 bilhões) no período referente aos meses de julho a setembro de 2026. Os números consolidados desse trimestre serão apresentados pela Microsoft na divulgação oficial de seus resultados financeiros, marcada para quarta-feira (28).

Thiago Lemos: Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.