A controladora do Facebook, a Meta Platforms, lançou ofertas públicas subscritas simultâneas de ações no valor aproximado de US$ 35 bilhões nos Estados Unidos nesta segunda-feira (26). A operação busca financiar a expansão da empresa em infraestrutura de inteligência artificial e vem acompanhada do anúncio de um programa futuro adicional de venda de papéis que pode alcançar até US$ 60 bilhões.
Somadas as duas iniciativas de captação no mercado acionário, o volume total levantado pela companhia sediada em Menlo Park, na Califórnia, pode atingir até US$ 95 bilhões. Em comunicado oficial enviado a investidores, a Meta Platforms informou que, em tradução livre, “as ofertas de ações e o futuro programa ATM anunciados são uma fonte complementar de capital e diversificarão ainda mais as fontes de financiamento da Meta”.
Leia também: Inteligência artificial nas compras alcança 72% de intenção de uso em levantamento da Global Payments
Divisão da oferta inicial de US$ 35 bilhões da Meta e participação de fabricantes de chips
Os documentos protocolados na Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, o órgão regulador do mercado de capitais norte-americano) detalham que a oferta imediata de US$ 35 bilhões está dividida em duas frentes distintas. A maior fatia envolve contratos de venda a termo de ações ordinárias, operação estruturada pelos bancos Morgan Stanley e Goldman Sachs na qual a empresa de tecnologia não receberá os recursos imediatamente, mas sim mediante liquidação futura.
A outra parcela da operação inicial ocorre por meio da emissão de ações depositárias que representam ações preferenciais conversíveis obrigatórias Série A. A Meta pretende listar esses papéis depositários na bolsa de valores Nasdaq sob o código de negociação METAM. Além disso, três grandes fabricantes de semicondutores — Nvidia, Advanced Micro Devices (AMD) e Broadcom — manifestaram interesse não vinculante em adquirir parte dos lotes ofertados na operação.
- Parcela em ações ordinárias Classe A: aproximadamente US$ 22,5 bilhões negociados por meio de contratos de venda a termo.
- Parcela em ações depositárias (Série A): cerca de US$ 12,5 bilhões, divididos em 250 milhões de papéis ao preço unitário de US$ 50.
- Interesse de Nvidia, AMD e Broadcom: até US$ 5 bilhões, de forma agregada, na compra de ações ordinárias Classe A da oferta.
Veja também: Treinamento de inteligência artificial da Saint Paul ensina uso de ChatGPT e Manus
Emissão de ações Classe C da Meta preserva controle de Mark Zuckerberg
Para a segunda etapa de captação, a companhia planeja estruturar um programa separado de oferta de ações a mercado (conhecido no setor financeiro pela sigla em inglês ATM, de at-the-market, modalidade em que os papéis são vendidos gradualmente ao preço vigente do pregão) no valor de aproximadamente US$ 60 bilhões. Essa operação será ativada quando começarem as negociações das ações ordinárias Classe C da empresa, papéis que não dão direito a voto aos compradores. A emissão dessa categoria específica permitirá à Meta levantar recursos no mercado financeiro preservando o poder de decisão e voto do diretor-executivo (CEO) da Meta Platforms, Mark Zuckerberg.
De acordo com o prospecto entregue à SEC, os recursos líquidos captados nas operações serão destinados a fins corporativos gerais, sem a fixação de uma divisão rígida de valores por área. O documento especifica que o montante financiará investimentos em infraestrutura de inteligência artificial, data centers, sistemas de recomendação de conteúdo, ferramentas de publicidade, novos recursos de IA generativa e o desenvolvimento da próxima geração de modelos avançados. A empresa também direciona verbas para a pesquisa da chamada superinteligência, definida pela própria companhia como um sistema capaz de superar a inteligência humana, tecnologia para a qual a Meta afirma ser difícil prever uma data de conclusão, mas que já recebe aportes financeiros.
Balanço financeiro da Meta em 2026 e compromissos de US$ 825 bilhões
A busca por capital ocorre em um período de forte expansão dos gastos da empresa para competir com rivais do setor de tecnologia, como OpenAI e Anthropic, exigindo compromissos futuros estimados em cerca de US$ 825 bilhões ligados principalmente a data centers, infraestrutura de IA e computação em nuvem. Embora a Meta tenha gerado US$ 97 bilhões em fluxo de caixa operacional nos três primeiros trimestres de 2026 e registrado um crescimento de 26% na receita do terceiro trimestre — alcançando US$ 64,6 bilhões no período —, os investimentos de capital de US$ 34,9 bilhões nesse mesmo trimestre deixaram o fluxo de caixa livre negativo em US$ 2,12 bilhões.
No fechamento do terceiro trimestre, em 30 de setembro de 2026, o balanço da companhia registrava uma posição de caixa, equivalentes de caixa e títulos negociáveis de US$ 82,45 bilhões, valor próximo à sua dívida de longo prazo, que somava US$ 80,92 bilhões na mesma data. Para todo o ano de 2026, a previsão de investimentos de capital (CapEx, sigla para despesas com bens de capital e infraestrutura) da Meta situa-se na faixa de US$ 135 bilhões a US$ 145 bilhões.
Cronograma da Meta até 2029 e definições pendentes na SEC
Apesar do anúncio das operações, a taxa final de dividendos e os termos exatos de conversão das ações preferenciais ainda não estão confirmados e serão definidos apenas no momento da precificação da oferta. Também não há contrato assinado nem dia exato definido para o início das negociações das ações Classe C e do programa adicional de US$ 60 bilhões.
- 26 de outubro de 2026: divulgação dos documentos na SEC e anúncio oficial da oferta de US$ 35 bilhões.
- Primeiro trimestre de 2027: período previsto para o início das negociações das ações ordinárias Classe C e do programa de até US$ 60 bilhões.
- 19 de novembro de 2027: prazo limite para a liquidação futura e entrega das ações ordinárias Classe A vendidas a termo.
- 15 de agosto de 2029: data prevista para a conversão automática das ações preferenciais Série A em ações ordinárias.
