O cabeleireiro Diego Monteiro e outra brasileira retornaram ao Brasil depois de perderem dinheiro em golpe de uma suposta advogada que prometia agilizar autorizações de residência em Portugal. O grupo de vítimas afirma que a mulher cobrou € 30 mil (R$ 168 mil) por taxas e honorários de agendamentos inexistentes na Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).
Diego desembarcou em Portugal em abril de 2026 sem vistos de trabalho ou estudo e tentava marcar entrevista na AIMA para iniciar o pedido de residência. Ficou seis meses no país, prazo permitido a turistas, e no fim só tinha dinheiro para a passagem de volta. Ele perdeu R$ 2,8 mil (€ 500) no golpe.
“Aluguei uma cadeira em um salão de um amigo para recomeçar”, disse ele ao contar a tentativa de retomar a carreira no Brasil. Uma amiga, também vítima, voltou ao país no mesmo período.
Diego Monteiro chegou sem visto e ficou o prazo de turista
Diego chegou em abril e, sem conseguir datas oficiais na AIMA, soube da suposta advogada que se apresentou como funcionária do órgão e prometia rapidez. Ele e a amiga pagaram € 500 cada um em dinheiro, porque sem documentos não tinham conta bancária. Os demais do grupo fizeram transferências para honorários e taxas.
Uma lista disponibilizada no grupo reúne 27 pessoas, com nomes de 21 delas ao lado dos valores pagos. A soma chega a quase € 18,5 mil (R$ 110 mil), fora os que ainda não entraram na relação.
Falso agendamento biométrico levou grupo a Sines
Parte dos brasileiros foi convencida de que havia agendamento para recolha de dados biométricos na Associação de Cabo Verde em Sines, no Alentejo. Ao chegar, descobriram que não existia marcação e ninguém conhecia a mulher. Segundo eles, era golpe.
Revoltados, o grupo saiu de Sines em direção a Lisboa, onde a suposta advogada moraria. Familiares disseram que ela teria ido para Angola e que o pai havia morrido. Diego contou que cortou o cabelo dela e da filha na casa dela, e por isso conhecia o endereço. Ela só mencionou o trabalho quando aceitou uma permuta pelo valor da taxa de um cartão de residência.
Polícia registrou ata após ida à residência da suspeita
O grupo foi até a porta da residência da mulher e chamou a polícia, que disponibilizou ata para denúncias e apresentação de provas, segundo Diego. O grupo apresenta mensagens em que a suposta advogada fala em notificação para ir à Justiça após ameaças e vidros quebrados. Ela afirma que vai devolver tudo em tribunal.
A AIMA é o órgão português responsável por autorizações de residência, documentação de estrangeiros e processos de integração e asilo. Agendamentos oficiais não ocorrem por intermediários particulares sem vínculo formal.
Diego desembarcou no aeroporto de Vitória, no Espírito Santo, e tenta recomeçar a vida profissional no Brasil. O caso ilustra a dificuldade de brasileiros em situação irregular para obter agendamentos na AIMA e a exposição a intermediários que cobram por serviços inexistentes.
