Ciência investe em terapias para cães e gatos viverem mais
A primeira Cúpula sobre Longevidade Animal reuniu cientistas e representantes de empresas de biotecnologia no início de outubro de 2026, em Toronto, no Canadá, para discutir pesquisas que buscam prolongar a saúde de cães e gatos.
O encontro, realizado nos dias 1 e 2 de outubro no Era Event Venue, em Oakville, nas proximidades de Toronto, destacou terapias genéticas, medicamentos para doenças ligadas ao envelhecimento e alterações na alimentação. A revista Nature publicou reportagem sobre o tema em 26 de outubro de 2026, atribuindo o movimento à expansão dos investimentos em estudos sobre o envelhecimento humano.
Cameron Hurlburt, analista sênior da empresa de capital de risco Ani VC, informou à Nature que o mercado americano de saúde animal é estimado em US$ 150 bilhões. O setor pode crescer com o aumento da contratação de planos de saúde para animais de estimação, o que também abre espaço para financiamento de pesquisas universitárias.
Cúpula em Toronto reúne academia e indústria
Vera Gorbunova, pesquisadora da Universidade de Rochester, participou do encontro e descreveu o público como diferente do habitual em conferências sobre envelhecimento. O programa incluiu apresentações sobre câncer em cães, regeneração em axolotes e genética de mamíferos que vivem em ambientes extremos, além de projetos comerciais.
Noah Snyder-Mackler, da Universidade Estadual do Arizona e participante do Projeto de Envelhecimento Canino, explicou à Nature que recursos governamentais para estudos com cães costumam priorizar benefícios para a saúde humana. A colaboração com empresas pode ajudar a financiar pesquisas voltadas diretamente ao tratamento dos animais.

Rejuvenate Bio desenvolve terapia para válvula mitral
A empresa americana Rejuvenate Bio trabalha em uma terapia genética para a doença da válvula mitral, considerada a condição cardíaca mais comum em cães. O tratamento, que usa um sistema de entrega com vírus adeno-associado para expressar genes específicos, já apresentou dados em estudos-piloto com cães da raça Cavalier King Charles Spaniel.
Noah Davidsohn, cofundador e diretor científico da companhia, espera que a mesma abordagem seja investigada no futuro contra síndromes metabólicas e contribua para a longevidade. A Rejuvenate Bio mantém parcerias para desenvolvimento e comercialização em diferentes regiões.
Genflow testa terapia genética em cães idosos
A Genflow Biosciences, da Bélgica, desenvolve uma terapia genética baseada em variante do gene SIRT6 associada a centenários humanos, com o objetivo de reduzir a sarcopenia, condição de perda de massa muscular, e aumentar a expectativa de vida dos cães. A empresa conduziu o estudo SLAB, com 24 beagles com mais de dez anos de idade, e apresentou resultados intermediários na cúpula.
Eric Leire, fundador e diretor-executivo da Genflow, afirmou que a companhia pretende negociar o tratamento com uma empresa maior de saúde animal caso a tecnologia demonstre eficácia. Os recursos obtidos poderiam financiar estudos da mesma abordagem em humanos.
Empresa da Romênia avança em tratamentos para gatos
A Cat Health Company, com atuação na Romênia e nos Estados Unidos, investiga medicamentos para condições associadas ao avanço da idade em felinos, como sarcopenia e doenças renais. Alex Băciţa, cofundador e diretor de operações, informou que dois compostos estão em ensaios clínicos.
Um dos tratamentos, o PURR-001, foi testado em estudo clínico randomizado, duplo-cego e controlado com placebo envolvendo 35 gatos geriátricos durante 12 semanas. Os animais tratados apresentaram aumento médio de 23% na espessura da musculatura epaxial, contra 9% no grupo placebo, e ganho de 7% na massa corporal, contra 1% no controle. A empresa assinou acordo de licenciamento com a Vetro Solutions para produção e distribuição em mercados europeus.
Parte da indústria também aposta em mudanças na alimentação, incluindo formulações com probióticos, e na adaptação de medicamentos já aprovados para humanos.
Criopreservação gera interesse comercial
Uma das propostas discutidas envolve a criopreservação de animais de estimação, procedimento que preserva material biológico em temperaturas extremamente baixas com a expectativa de recuperação futura por tecnologias ainda não disponíveis. A empresa americana Cryopets afirma ter milhares de tutores em lista de espera.
Nenhum animal de estimação ou ser humano foi ressuscitado após criopreservação. Vera Gorbunova relatou à Nature que algumas discussões sobre o procedimento chamaram sua atenção durante a conferência.
Os tratamentos genéticos e as estratégias de preservação ainda enfrentam desafios científicos antes de demonstrar os resultados pretendidos em larga escala. O Projeto de Envelhecimento Canino continua a coletar dados sobre o envelhecimento de dezenas de milhares de cães para identificar fatores que influenciam a saúde e a longevidade.
Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.








