Com vínculo até dezembro, Lucas Moura despista sobre futuro no São Paulo e aguarda eleição no clubePor Thiago Lemos
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O meia-atacante Lucas Moura evitou cravar a continuidade de sua trajetória no São Paulo para a temporada de 2027. Em entrevista concedida na capital paulista nesta sexta-feira (30 de outubro de 2026), o camisa 7 de 34 anos explicou que mantém o foco voltado exclusivamente para a reta final do Campeonato Brasileiro e condicionou as conversas sobre extensão de vínculo ao desfecho do processo eleitoral que definirá a nova presidência do clube em dezembro.
O atleta admitiu que cogitou encerrar a carreira precocemente nos vestiários do Estádio Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista, no início de maio de 2026. Naquela oportunidade, o departamento médico confirmou o rompimento total do tendão de Aquiles direito sofrido durante a partida diante do Bahia pela Série A nacional:
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- Na emoção do momento, quando cheguei ao vestiário, confesso que passou pela minha cabeça. Porque, quando confirmou ali, os relatos que ouvimos sobre o tendão de Aquiles são de que demora de dez meses a um ano para voltar. Pensei: “Meu contrato acaba em dezembro. Vou estar onde? Vou estar sem clube?”. Vem aquela dúvida – relatou o meia-atacante.
Superação familiar e retorno antecipado aos gramados
A previsão inicial dos especialistas apontava para até um ano de inatividade desportiva, mas o diagnóstico pós-operatório reduziu a estimativa para seis meses de recuperação física. O jogador revelou que o diálogo com a esposa, Larissa, foi determinante para superar o impacto emocional e iniciar as etapas intensivas de fisioterapia no Centro de Treinamento da Barra Funda:
- Ela disse: “Amor, imagina quantas pessoas chegam ao hospital e não sabem se vão sair amanhã. Você está com uma lesão que, em seis meses, está recuperado”. Isso foi um tapa para mim. Vamos sair mais fortes. Aí virou a chave para mim. Vamos trabalhar, fazer tudo o que preciso fazer – contou o camisa 7.
O processo de reabilitação permitiu que o meia voltasse a atuar em cinco meses, reestreando oficialmente na vitória sobre o Vitória, no Estádio do Morumbis, em 10 de outubro de 2026.
Liderança interna inspirada em Rogério Ceni e mediação com a diretoria
Durante o período afastado dos gramados, o camisa 7 assumiu a condição de porta-voz e líder do elenco tricolor nas cobranças de vestiário. O esportista buscou referências táticas e comportamentais na convivência que teve com Rogério Ceni no início de sua trajetória no futebol profissional em 2010:
- Histórico de liderança: conduta baseada nas cobranças e na postura de vestiário do ex-goleiro Rogério Ceni
- Desafios institucionais: mediação em meio a trocas constantes de comissão técnica, atrasos de pagamentos e disputas políticas
- Ponte administrativa: atuação de Rafinha no departamento de futebol facilitou o diálogo direto entre atletas e diretoria
- Autocrítica esportiva: reconhecimento de oscilações e falta de capricho técnico nas partidas decisivas do torneio
O camisa 7 apontou que a turbulência administrativa prejudicou o rendimento em campo, sem isentar os jogadores da responsabilidade técnica pelos resultados abaixo da meta estabelecida pela cúpula.
Vínculo até dezembro e indefinição antes do pleito eleitoral
Com vínculo federativo vigente apenas até 31 de dezembro de 2026, o experiente atacante ressaltou que a escolha de seu próximo passo profissional será tomada com cautela após o encerramento das rodadas finais da Série A:
- Sendo sincero, bem honesto, eu não parei para pensar no que vai ser no ano que vem. Meu foco maior era retornar de lesão, ajudar o São Paulo nessa reta final. Graças a Deus, se eu ficar livre de contrato, posso descansar com a minha família, posso pensar com a cabeça tranquila, ver o que aparece, analisar, porque não é uma decisão simples de ser tomada quando aparecem propostas.
O atleta reiterou o apreço pela agremiação do Morumbi, mas condicionou qualquer negociação formal à posse do novo mandatário:
- O São Paulo é o clube que amo, minha casa, tenho uma identificação grande. Então, vamos ver o que vai acontecer nos próximos capítulos. Tem eleição em dezembro, mudança na diretoria. Se tiverem interesse, vamos sentar, conversar e negociar. Se não tiverem interesse, é pensar no que vai aparecer. Enfim, não dá para falar nada agora. É agir com a razão, ter a cabeça fria.















