Showrooming no Brasil: 76% compram online após ver produto na loja física em 2026Por Manuela
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Mais de três em cada quatro consumidores no Brasil, ou 76%, já entraram em uma loja física para ver um produto e concluíram a compra depois pela internet. O dado faz parte da primeira edição do Radar Smollan, divulgada em 16 de outubro de 2026 pela Smollan, empresa de soluções para o varejo. A pesquisa ouviu 1.828 pessoas em 156 cidades de 25 estados durante agosto de 2026.
No varejo, esse hábito de usar o ponto físico como vitrine antes de comprar na internet recebe o nome de showrooming. O caminho inverso também é comum: 81% dos entrevistados disseram pesquisar preços na internet antes de comprar presencialmente, e 87% já entraram em uma loja atrás de um item e saíram com outro. Um levantamento da Octadesk com a Opinion Box, de fevereiro de 2026, mostrou que 85% dos brasileiros compram online e 78% mantêm o hábito de consumir em lojas físicas.
“O digital mudou a forma como o consumidor chega à loja, mas não reduziu a capacidade do ponto de venda de influenciar a escolha”, afirmou Renato Vechiatto, diretor de operações (COO, executivo responsável pela gestão operacional) da Smollan para a América Latina. Para a empresa, a internet mudou o início da jornada de compra, mas a loja continua decisiva no fechamento.
Lojas físicas seguem como vitrine para carnes, hortifrútis e eletrônicos
A escolha do canal muda conforme o tipo de mercadoria e a necessidade de avaliar o item de perto. Entre os motivos para continuar indo ao comércio tradicional, 46,1% dos participantes apontaram a chance de ver, tocar ou experimentar o produto, e 29,2% citaram a vantagem de sair da loja já com a compra em mãos.
Nos setores de alimentos perecíveis e de tecnologia, a preferência dos consumidores ouvidos pela Smollan se divide em percentuais bem diferentes. Os números abaixo mostram a parcela de cada formato de compra.
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- Compra de carnes em lojas físicas: 93,4% de preferência dos consumidores
- Compra de hortifrútis em lojas físicas: 92% de preferência
- Compra de eletrônicos exclusivamente em lojas físicas: 39,6% dos entrevistados
- Compra de eletrônicos alternando entre canal físico e digital: 39% dos clientes
- Compra de eletrônicos exclusivamente pela internet: 22% do público ouvido
“O consumidor chega à loja mais informado e, muitas vezes, já tem uma decisão encaminhada. Ainda assim, fatores como preço, disponibilidade, promoções e experiência de compra podem influenciar sua escolha. Para as marcas, isso reforça a importância de garantir que os produtos estejam disponíveis e bem apresentados nas lojas”, declarou Vechiatto.
Falta de produto faz 57% dos clientes desistirem da compra presencial
A disputa pela preferência do comprador passa pelo preço na etiqueta e pela reposição das mercadorias nas prateleiras. Dentro do ponto de venda, as ofertas promocionais chamam mais a atenção de 59,6% dos clientes ouvidos em agosto de 2026. Já 57% relataram ter desistido de uma compra presencial por não encontrar o que procuravam.
A pesquisa mediu o peso de cada critério na decisão e os pontos que exigem correção imediata pelos lojistas. Os dados aparecem separados em dois grupos.
- Fatores decisivos na hora da compra: preço (77,7%), promoções (61,1%), marca (41,1%), disponibilidade do produto (23,2%) e atendimento (20,6%)
- Aspectos que mais precisam melhorar nas lojas físicas: disponibilidade de produtos (27%), preços cobrados (20,9%) e integração entre os canais físico e on-line (17,6%)
“A falta de um produto pode levar o consumidor a desistir não apenas daquele item, mas também de continuar comprando na loja. Por isso, garantir a disponibilidade e a boa exposição dos produtos no ponto de venda é tão importante para os resultados das marcas”, disse o diretor de operações da Smollan. Para o executivo, a ausência de um item afeta a relação do cliente com a loja como um todo.
Quando a loja física não consegue igualar o menor preço praticado na internet, a orientação da Smollan é usar o atendimento presencial para oferecer o que o ambiente digital não entrega da mesma forma. “Nem sempre será possível cobrir o preço do comércio eletrônico, mas é possível oferecer outras alternativas, como crediário, seguro e acessórios, ou até apresentar outro modelo de produto. A capacitação dos vendedores é importante para que a experiência seja única”, afirmou Vechiatto.
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Varejo tem 986 empresas em recuperação judicial no segundo trimestre
A mudança de comportamento acontece em um período de orçamento apertado para as famílias, com juros elevados, crédito caro e endividamento, além do avanço dos marketplaces, plataformas digitais que reúnem vários vendedores. Do lado das empresas, manter as lojas abertas exige despesas fixas com aluguel, salários, estoque e logística, o que levou redes tradicionais a fechar unidades menos rentáveis.
No segundo trimestre de 2026, o total de empresas do comércio varejista em recuperação judicial no Brasil chegou a 986, alta de 20% ante os 819 registros do mesmo intervalo de 2025. Entre elas estão Lojas Marabraz, Grupo Toky, controlador das marcas Tok&Stok e Mobly, e Grupo Casas Bahia, além do Grupo Pão de Açúcar (GPA), que protocolou pedido de recuperação extrajudicial em março de 2026. Em agosto de 2026, o Grupo Casas Bahia acionou a recuperação judicial para renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas, em um processo que cortou cerca de 3 mil postos de trabalho e fechou quase 300 lojas naquele mês.
Para evitar a perda de clientes para a concorrência e reduzir despesas, varejistas têm integrado estoques de lojas, centros de distribuição e plataformas digitais, além de adotar pontos de venda menores, concessionárias com poucos veículos no salão e dark kitchens, cozinhas industriais voltadas ao preparo de pedidos para entrega. “A gente prevê um alinhamento, uma linguagem única, mantendo as características de cada canal. O consumidor que busca essencialmente preço pode ir até a loja física, mas ser orientado a comprar no digital. Os canais sempre serão ambientes que se complementam, mas a integração permite que o varejista não perca vendas para a concorrência”, afirmou Vechiatto.








