Produtor de Chapecó aumenta produção de leite em 30% com confinamentoPor Carolina Costa
5 min de leitura
![]() |
A produção de leite de uma propriedade familiar de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, subiu cerca de 30% depois que a família passou a confinar as vacas. Segundo a reportagem do portal ND Mais publicada em 5 de novembro de 2026, o produtor Julian Pedro Marafon atribui o ganho à mudança no sistema de criação adotada há quatro anos.
A mudança não é recente. A decisão de confinar os animais foi tomada há quatro anos, segundo a matéria de origem, e tinha como objetivo elevar a produtividade sem deixar a qualidade do leite em segundo plano.
Confinamento das 72 vacas em lactação elevou a produção na propriedade Marafon
A atividade leiteira está na propriedade da família Marafon há cerca de 35 anos. Ao longo desse período, a produção passou por mudanças até chegar ao modelo atual, com as vacas mantidas em confinamento.
Saiba mais: Scanner flagra menina de 13 anos com 32 porções de skank em Chapecó
Hoje, as 72 vacas em lactação produzem, em média, 37 litros por animal ao dia. O volume mensal da propriedade se aproxima de 80 mil litros de leite, segundo o produtor.
Veja também: Tornado no Aeroporto de Chapecó atinge 126 km/h, arranca teto de terminal e cancela voos em Santa Catarina
Antes de investir, a família priorizou a garantia de alimentação e a genética do rebanho. O confinamento exige que os animais tenham condições adequadas para manter o desempenho, e a dieta influencia diretamente a produtividade.
Confira também: Tornado atinge Chapecó e prefeitura decreta emergência por 180 dias
Custos altos e falta de mão de obra pesam sobre o produtor
Julian cita como principais obstáculos os custos elevados, a falta de mão de obra especializada e a insegurança sobre o preço pago pelo leite. Para ele, a busca por mais litros precisa caminhar junto com o controle dos gastos, porque aumentar a produção sem avaliar o custo de cada etapa pode comprometer o resultado financeiro.
“Precisa ter uma eficiência para a gente conseguir controlar tudo”, afirmou o produtor. Segundo ele, a família avalia cada investimento antes de decidir e considera os riscos e a capacidade financeira para manter a atividade. A preocupação, disse, é evitar que uma expansão sem planejamento comprometa a segurança econômica construída ao longo dos anos.
Pagamento do leite ocorre cerca de 45 dias após a produção
De acordo com o produtor, o leite é pago cerca de 45 dias depois de produzido, sem que se saiba antecipadamente o valor final. A diferença entre a produção e o recebimento dificulta a organização das contas, principalmente quando os custos continuam elevados e precisam ser pagos regularmente.
Julian afirmou ainda que medidas relacionadas à importação de produtos lácteos não têm chegado ao produtor da forma como ele esperava. Na avaliação dele, as incertezas do mercado levam parte dos produtores a adotar uma postura mais cautelosa.
- Vacas em lactação: 72
- Média de produção por animal ao dia: 37 litros
- Volume mensal aproximado da propriedade: 80 mil litros
- Prazo entre a produção e o pagamento do leite: cerca de 45 dias
- Atividade leiteira na propriedade: cerca de 35 anos
Clima e tempo de tornado afetam a produção de leite na região
A alimentação do rebanho depende de milho, pastagens e outros alimentos, que são afetados pelas condições climáticas. Julian se preocupa com a possibilidade de impactos associados ao El Niño, justamente porque o desempenho dos animais depende da disponibilidade de alimentos.
Em 4 de novembro de 2026, um tornado atingiu Chapecó, deixou comunidades do interior sem energia elétrica e, segundo a prefeitura, prejudicou a produção de leite. Em nota, o secretário de Agricultura e Pesca de Chapecó, Mauro Zandavalli, afirmou que o impacto pode ser maior: “Isso pode acarretar um prejuízo muito maior, porque nós temos produção de leite, produção de aves, produção de suínos, então isso afeta muito na produção”.
A Defesa Civil distribuiu lonas para 1.300 famílias após o tornado, segundo a informação apurada pela redação.
Produtores de Santa Catarina mantêm cautela com novos investimentos
Segundo a Epagri/Cepa, a produtividade leiteira catarinense cresceu 58% nos últimos dez anos, enquanto o número de vacas ordenhadas caiu mais de 30%. No Oeste, principal região produtora do estado, as propriedades investem em genética, alimentação e manejo.
O preço médio do leite em outubro foi de R$ 2,66 por litro, queda de 5% em relação a agosto, segundo a Epagri/Cepa. Julian observa que muitos produtores seguram novos investimentos diante das incertezas sobre preços, custos e clima.
Ainda não se sabe se o aumento de 30% foi medido formalmente por algum órgão. A informação vem do próprio produtor, e os valores de custo e o preço pago pelo litro à propriedade não foram informados.







