Gêmeas serial killers: Justiça de SP manda a júri irmãs e amiga por envenenar e matar 4 pessoas em sériePor Maria
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As irmãs gêmeas Ana Paula Veloso Fernandes e Roberta Fernandes, conhecidas pelo caso das gêmeas serial killers, irão a julgamento pelo tribunal do júri após decisão da 1ª Vara do Júri de Guarulhos, confirmada nesta sexta-feira (6). A sentença de pronúncia abrange também a amiga da dupla, Michelle Paiva da Silva, mantendo as três presas preventivamente pelos homicídios qualificados de quatro pessoas entre janeiro e maio de 2025.
O processo criminal formalizado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo aponta que as mortes ocorreram por envenenamento premeditado em diferentes cidades do Sudeste brasileiro. De acordo com a acusação formalizada pelo promotor Rodrigo Merli Antunes, as rés agiram com interesse patrimonial sobre bens e recursos dos alvos escolhidos, apresentando padrão de frieza emocional e dissimulação no fornecimento de substâncias tóxicas misturadas a refeições e bebidas.

Como o caso das gêmeas serial killers chegou ao júri popular?
A determinação da Justiça paulista estabelece que os jurados populares decidirão o destino das acusadas por homicídios triplamente qualificados com emprego de meio cruel, motivo torpe e recurso que inviabilizou a defesa dos alvos. As investigações conjuntas entre as autoridades policiais de São Paulo e do Rio de Janeiro mapearam a sucessão de óbitos ocorridos em residências alugadas e imóveis particulares.
As defesas técnicas das três acusadas ingressaram com recurso em sentido estrito junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo para tentar anular a pronúncia antes da abertura da sessão plenária.
- Vítimas confirmadas: Marcelo Hari Fonseca e Maria Aparecida Rodrigues, em Guarulhos; Neil Corrêa da Silva, em Duque de Caxias; Hayder Mhazres, na cidade de São Paulo
- Acusações imputadas: quatro homicídios qualificados consumados para as irmãs e coparticipação em homicídio qualificado para a amiga Michelle
- Local do julgamento: plenário do Fórum Criminal de Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo
- Situação carcerária: prisão preventiva mantida na Penitenciária Feminina de Tremembé
- Medidas pendentes: análise de recurso defensivo em segunda instância e perícia complementar no Instituto de Criminalística do Rio de Janeiro
Trajetória dos crimes apurados e histórico das investigações
O histórico do caso teve início quando mortes súbitas sem sinais de violência física externa despertaram suspeitas da Polícia Civil de São Paulo. A perícia técnica recolheu veneno clandestino conhecido como chumbinho na casa alugada onde as irmãs residiam em Guarulhos, pertencente a uma das primeiras vítimas fatais da série.
- 2025 — Quatro vítimas morrem de forma repentina com suspeitas de intoxicação alimentar entre janeiro e maio, levando à abertura de inquéritos policiais em São Paulo e no Rio de Janeiro
- 2025 — Prisão temporária e posterior preventiva de Ana Paula Fernandes, Roberta Fernandes e Michelle Paiva da Silva após localização de substâncias tóxicas
- 2026 — Manifestação judicial de pronúncia proferida em julho determina que as três acusadas sejam submetidas a julgamento pelo tribunal popular
- 2026 — Decisão de pronúncia é confirmada e recursos das defesas dão entrada no Tribunal de Justiça de São Paulo
Durante o inquérito policial, Ana Paula Fernandes admitiu intervenção direta em dois dos falecimentos e confessou o extermínio de 14 cães por envenenamento. O advogado Almir da Silva Sobral, responsável pela defesa das irmãs, sustentou que o depoimento ocorreu sob abalo psicológico severo e alegou ausência de conduta executória por parte de Roberta. Já a defesa de Michelle Paiva da Silva, exercida pelo advogado Diego Moreira Saldanha, reiterou que sua cliente é inocente e não participou da morte do próprio pai, Neil Corrêa da Silva, descartando disputas financeiras no núcleo familiar.
Exames complementares foram requisitados pela Justiça para avaliar amostras ligadas ao óbito de Hayder Mhazres, cidadão de origem tunisiana sepultado em seu país natal. O procedimento pericial foi transferido ao laboratório oficial fluminense, órgão responsável por identificar material tóxico compatível nos restos mortais de outra vítima do grupo. A data definitiva da sessão do júri popular será agendada assim que os recursos forem julgados em segunda instância pelo tribunal estadual.







