Losartana e perda de peso: remédio de pressão ativa gordura marrom em estudo com 100 mil pessoas nos EUAPor Carolina Costa
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A losartana, remédio amplamente prescrito para hipertensão, revelou potencial inédito para estimular a gordura marrom, tecido corporal responsável por queimar calorias para gerar calor. A constatação partiu de pesquisadores da Universidade Rockefeller e do centro oncológico Memorial Sloan Kettering, em Nova York, nos Estados Unidos, que analisaram prontuários médicos de 101.243 pacientes entre 2018 e 2024. A pesquisa revelou que o anti-hipertensivo atua sobre células adiposas por meio de um mecanismo biológico independente daquele empregado para baixar a pressão arterial.
Em testes laboratoriais com camundongos e linhagens de células cultivadas, o medicamento impulsionou o funcionamento do tecido adiposo marrom. A ação ocorreu mesmo quando a atividade do receptor convencional de angiotensina estava suprimida, apontando para a regulação feita pela proteína PPAR-gama, estrutura associada ao controle do metabolismo lipídico. Atualmente, nenhum fármaco autorizado no mercado desempenha a função primária de elevar a queima calórica por meio desse tecido específico em seres humanos.
O papel metabólico da gordura marrom identificada nos exames
Diferente do tecido adiposo branco tradicional, que armazena energia em excesso, a gordura marrom consome glicose e lipídios para sustentar a termogênese. Por absorver o traçador de glicose utilizado em tomografias por emissão de pósitrons (PET), o tecido foi detectado nas imagens de rotina de 8.897 pacientes oncológicos, o equivalente a quase 9% do contingente total examinado. A incidência foi maior em mulheres, jovens e indivíduos submetidos aos exames em dias de baixas temperaturas externas.
O cruzamento clínico apontou vantagens consistentes para as pessoas que mantinham o tecido em funcionamento contínuo:
- Probabilidade de diagnóstico de diabetes tipo 2 reduzida em mais da metade na comparação com pacientes sem o tecido ativo.
- Incidência de doença cardíaca isquêmica crônica cerca de 50% menor entre os portadores da estrutura.
- Índices de transtornos de ansiedade e depressão inferiores em aproximadamente um quinto e um terço, respectivamente.
- Ocorrência menor em 92 de 98 condições clínicas que apresentaram discrepâncias estatísticas relevantes na amostragem geral.
Como os medicamentos interferem no tecido adiposo
Ao investigarem 125 substâncias terapêuticas ingeridas pelos pacientes no mês que antecedeu os exames, os cientistas mapearam 39 compostos com reflexos na gordura marrom. Enquanto classes como betabloqueadores e antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina surgiram ligadas ao bloqueio da termogênese, a losartana e a congênere valsartana exibiram correlação positiva. Entre os indivíduos com o tecido detectado, 2,4% faziam uso da losartana, frente a 1,9% observados entre os participantes desprovidos do tecido.
A correlação populacional demonstra associação estatística, mas não comprova isoladamente que o anti-hipertensivo gere emagrecimento espontâneo em pacientes ambulatoriais. As conclusões preliminares não autorizam a automedicação e exigem novas etapas de ensaios clínicos controlados conduzidos por instituições de saúde.







