Brasil

Morre Mary Terezinha, lendária parceira de Teixeirinha, aos 79 anos em Porto Alegre

Mary Terezinha
Mary Terezinha - Foto: Internet

Porto Alegre vive um dia de luto com a morte de Mary Terezinha, aos 79 anos, na segunda-feira, 30 de junho de 2025. A artista, célebre por sua parceria de mais de duas décadas com Teixeirinha, um dos maiores nomes da música regional gaúcha, faleceu em um hospital da capital gaúcha, conforme anunciado pela família. A causa do falecimento não foi detalhada, mas a notícia abalou fãs e admiradores da cultura tradicionalista do Rio Grande do Sul. Mary, acordeonista e cantora, marcou gerações com sua voz e carisma, sendo figura central em clássicos do cancioneiro gaúcho. Sua trajetória, que inclui passagens pelo gospel e uma vida dedicada à arte, deixa um legado imortal na música brasileira.

A notícia do falecimento reverberou rapidamente entre os gaúchos, reacendendo memórias de uma era em que a dupla Teixeirinha e Mary Terezinha lotava shows e encantava plateias pelo Brasil. Nascida em Tupanciretã, em 1946, Mary começou sua carreira ainda jovem, destacando-se como acordeonista em Bagé antes de unir-se a Teixeirinha em 1963. A parceria, que também gerou dois filhos, foi um marco cultural, mas não sem desafios pessoais e profissionais, incluindo uma separação rumorosa em 1984.

  • Legado musical: Mary participou de mais de 20 anos de shows, gravações e filmes com Teixeirinha, incluindo sucessos como Coração de Luto.
  • Carreira solo: Após a separação, dedicou-se à música gospel, gravando seis álbuns com letras de sua autoria.
  • Homenagens recentes: Em 2022, foi celebrada no show O Grande Encontro, em Porto Alegre, reunindo ícones do tradicionalismo.

O impacto de sua morte reflete a força de sua contribuição à identidade cultural gaúcha, com tributos de artistas e fãs nas redes sociais. A história de Mary, repleta de talento e superação, permanece como um símbolo da música regional.

Um ícone da gaita e da voz
Mary Terezinha Cabral Brum, como era registrada, começou a tocar acordeom ainda criança, desenvolvendo um talento que a levaria aos palcos nacionais. Em 1963, quando Teixeirinha precisou de uma nova acordeonista após um desentendimento com seu antigo parceiro, Mary, então com apenas 17 anos, assumiu o posto. Sua habilidade impressionou, e logo a dupla se tornou uma das mais queridas do Brasil, apresentando-se em todos os estados e até no exterior.

A parceria com Teixeirinha não se limitou à música. Nos palcos, Mary era a contraparte perfeita, complementando as canções com sua gaita e vocais. Fora deles, o relacionamento amoroso gerou dois filhos, Alexandre e Liane, mas também enfrentou turbulências, amplamente cobertas pela mídia da época. Apesar dos desafios, Mary sempre destacou a felicidade daqueles anos, descrevendo a experiência como “um milagre” em entrevistas.

Nos anos 1970, a dupla estrelou filmes que seguiam uma fórmula simples, mas eficaz: histórias baseadas em canções, com humor, ação e números musicais. Mary, frequentemente no papel da mocinha, brilhava ao lado de Teixeirinha, consolidando sua imagem como ícone cultural. Esses longas, como Motorista Sem Limites (1970), atraíram milhões de espectadores, reforçando o alcance da dupla.

Transição para o gospel
Após a separação de Teixeirinha em 1984, Mary tomou um novo rumo. Convertida ao evangelho pela pastora Nelci Azambuja, ela mergulhou na música gospel, gravando seis álbuns com composições próprias. Suas letras, centradas na fé, mantiveram os ritmos tradicionais como vanerão e rancheira, conectando sua nova fase à essência gaúcha.

Essa transição, porém, não apagou sua história com Teixeirinha. Em shows gospel, fãs ainda pediam canções antigas, e Mary, quando a voz permitia, atendia com carinho. Sua dedicação à espiritualidade trouxe paz, mas também desafios físicos. Problemas na coluna, agravados pelas turnês intensas do passado, a impediram de tocar acordeom nos últimos anos, e a voz, afetada pelo isolamento da pandemia, perdeu força.

  • Álbuns gospel: Seis CDs lançados, todos com mensagens de fé e ritmos regionais.
  • Saúde debilitada: Dores crônicas e dificuldades vocais marcaram seus últimos anos.
  • Conexão com fãs: Mesmo no gospel, Mary recebia pedidos para cantar sucessos da dupla.
  • Proximidade com a fé: Sua conversão em 1997 moldou duas décadas de sua carreira.

A mudança para o gospel revelou uma Mary resiliente, capaz de se reinventar sem perder a essência. Sua habilidade de transitar entre o tradicionalismo e a música religiosa conquistou um novo público, enquanto mantinha o carinho dos fãs antigos.

Homenagens e reconhecimento
Mary Terezinha nunca foi esquecida pelo público gaúcho. Em abril de 2022, ela subiu ao palco do Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre, para ser homenageada no show O Grande Encontro. O evento, que reuniu mais de cem músicos, celebrou a música nativista e destacou a importância de Mary na história cultural do estado. A artista, visivelmente emocionada, agradeceu o carinho e relembrou momentos marcantes de sua trajetória.

Artistas como Neto Fagundes, que já dividiu palco com Mary, reforçaram sua relevância. “Ela é parte da nossa história, uma figura que inspirou gerações”, disse Fagundes em entrevista à Rádio Gaúcha. A homenagem de 2022 foi um dos últimos momentos públicos de Mary, que, segundo seu filho Alexandre, vivia de forma discreta nos últimos anos.

A memória de Mary também está preservada em projetos póstumos. Alexandre Teixeira, seu filho, revelou em 2022 que um álbum com nove canções inéditas, compostas por Mary e Teixeirinha, está em fase de produção. Essas gravações, guardadas por décadas, prometem reacender o legado da dupla para novas gerações.

Vida pessoal e desafios
Além da música, a vida de Mary foi marcada por episódios intensos. Sua separação de Teixeirinha, em 1984, foi amplamente noticiada, com detalhes que mobilizaram fãs e a imprensa. No mesmo ano, ela se casou com o mentalista Ivan Trilha, mudando-se temporariamente para Miami. O casamento durou até 1989, e Mary retornou ao Brasil, onde enfrentou disputas judiciais com a família de Teixeirinha pelos direitos autorais das canções da dupla, sem sucesso.

Em 1991, Mary lançou a autobiografia A Gaita Nua, um relato franco sobre sua trajetória, amores e desafios. O livro, embora polêmico, reforçou sua imagem como uma mulher forte, que enfrentou preconceitos e adversidades em uma indústria dominada por homens. Sua história de superação ressoa até hoje, especialmente entre mulheres que veem nela um exemplo de resiliência.

O legado imortal de Mary
A morte de Mary Terezinha fecha um capítulo importante da música gaúcha, mas seu legado permanece vivo. Seus fãs, de gerações distintas, continuam a celebrar suas canções, seja nas rádios, em festivais tradicionalistas ou nas redes sociais. A dupla com Teixeirinha, que vendeu milhões de discos e lotou cinemas, é um marco da cultura popular brasileira, comparável a poucos fenômenos de sua época.

  • Impacto cultural: A dupla influenciou o tradicionalismo gaúcho e a música regional.
  • Presença nos filmes: Mary participou de 10 dos 12 filmes da Teixeirinha Produções.
  • Inspiração para artistas: Cantores como Shana Müller citam Mary como referência.
  • Memória viva: Projetos como o álbum de inéditas manterão seu nome em evidência.

A trajetória de Mary é um reflexo da própria história do Rio Grande do Sul: uma mistura de talento, tradição e superação. Sua voz, mesmo enfraquecida nos últimos anos, ecoará por décadas, lembrando a todos o poder da música em unir pessoas e contar histórias.

To Top