Estratégia de “Minutos Pagantes” em jogos de caça-níquel online é fraude, alertam especialistas

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Jogo Tigre Foto Reprodução

A prática conhecida como “minutos pagantes”, popular nas redes sociais e no WhatsApp, é uma fraude, de acordo com especialistas e representantes do setor de apostas. Promovida como uma maneira de ganhar mais prêmios em jogos de caça-níquel online, a estratégia não possui fundamentos reais e pode levar muitos jogadores ao prejuízo.

Segundo os promotores dessa tática, os “minutos pagantes” seriam horários específicos em que os jogos pagam mais prêmios, por exemplo, às 12h59 ou 15h19. No entanto, Ana Paula Gatti, diretora da Associação Brasileira dos Bingos, Cassinos e Similares (Abrabincs), desmente essa ideia, classificando-a como parte de um “universo paralelo de comercialização de estratégias secretas” sem qualquer embasamento. “A promessa de minutos pagantes é completamente infundada e, se houver comprovação da aleatoriedade dos jogos, os influenciadores estão enganando seus seguidores para obter lucros com a venda dessa estratégia falsa”, afirma Gatti.

Os jogos de caça-níquel utilizam RNGs (Geradores de Números Aleatórios) para garantir que os resultados sejam totalmente imprevisíveis. “Não existe nada que um cliente possa fazer para influenciar o resultado de um jogo de caça-níquel”, explica Leonardo Benites, diretor de comunicação da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL).

A popularidade da tática de “minutos pagantes” se deve, em grande parte, à divulgação massiva por afiliados das plataformas de apostas, que ganham comissões por atrair novos jogadores. Dados da Palver, empresa que monitora grupos públicos no WhatsApp, mostram que o termo “minutos pagantes” teve um número significativo de menções, superando até figuras públicas como o ministro Fernando Haddad.

Luis Fakhouri, diretor da Palver, sugere que a alta frequência de menções indica o uso de envio automatizado. A ANJL afirmou que afiliados que promovem estratégias falsas devem ser expulsos das plataformas e da associação. “O operador da casa de apostas é quem sofre as consequências, pois os clientes enganados recorrem a eles para reclamar”, destaca Benites.

Magnho José, presidente do Instituto Brasileiro Jogo Legal (IJL), defende a regulamentação mais rigorosa dos jogos online para combater esse tipo de conduta. A lei 14.790/2023, que autorizou os jogos de caça-níquel online no Brasil, proíbe a veiculação de “afirmações infundadas” sobre as chances de ganhar.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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