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O presidente Nicolás Maduro anunciou que a comemoração do Natal na Venezuela começará em outubro de 2024, uma decisão tomada em meio às controvérsias sobre os resultados das recentes eleições presidenciais. A declaração foi feita durante um programa de televisão transmitido pelo canal estatal Globovisión, onde Maduro afirmou que a antecipação é uma “homenagem” e um “agradecimento” ao povo venezuelano pelas “boas perspectivas econômicas” registradas no final de agosto.

Anúncio surpreende e gera críticas

A decisão de antecipar o Natal para o início de outubro foi comunicada ao vivo durante uma participação de Maduro no Globovisión, um canal de televisão sob controle do governo. Maduro declarou que “está chegando setembro, e já cheira a Natal”, reforçando a ideia de que o adiantamento das comemorações natalinas visa trazer uma mensagem de paz e otimismo à população. “Nada, nem ninguém, vai evitar a paz no país”, garantiu o presidente.

Maduro mencionou que a antecipação do Natal é uma forma de celebrar as perspectivas econômicas positivas que, segundo ele, começaram a surgir na Venezuela. Entretanto, essa medida ocorre num contexto de descontentamento político crescente, após o resultado das eleições de julho que o declararam vencedor, e que têm sido amplamente questionadas por líderes internacionais e pela oposição venezuelana.

Eleições contestadas e repressão à oposição

A antecipação do Natal vem à tona enquanto a Venezuela ainda enfrenta tensões relacionadas ao resultado das eleições presidenciais. O candidato da oposição, Edmundo González Urrutia, tem afirmado que obteve mais votos que Maduro e reivindica a vitória, apresentando até mesmo atas eleitorais que, segundo ele, comprovam seu triunfo. Apesar de tais alegações, o governo de Maduro ainda não divulgou oficialmente as atas da votação, mesmo após mais de um mês do pleito.

Recentemente, o Ministério Público venezuelano, que é alinhado com o governo de Maduro, emitiu um mandado de prisão contra Urrutia. Ele é acusado de uma série de crimes, incluindo “usurpação de funções, falsificação de documentos públicos, instigação à desobediência das leis do Estado, conspiração, sabotagem para prejudicar sistemas e associação terrorista”. Essas ações são vistas como parte de uma tentativa de suprimir a oposição e manter o controle político no país.

Antecipações de Natal anteriores de Maduro

Esta não é a primeira vez que Maduro antecipa as comemorações natalinas na Venezuela. Em 2020, ele também decidiu que o Natal começaria mais cedo, no dia 15 de outubro, uma medida amplamente interpretada como uma tentativa de desviar a atenção dos problemas enfrentados pelo país durante a pandemia de Covid-19. Já em 2021, o início das festividades foi antecipado para 4 de outubro.

A primeira vez que Maduro tomou tal decisão foi em 2013, quando assinou um decreto que estabelecia o início das celebrações natalinas para o dia 1º de novembro. Na ocasião, ele justificou a medida como uma forma de garantir “felicidade para todo o povo” e de “derrotar a amargura”. Segundo ele, “o Natal antecipado é a melhor vacina para aqueles que querem inventar tumulto e violência”.

Contexto político e econômico da decisão

A decisão de Maduro de antecipar o Natal este ano pode ser entendida como uma estratégia para tentar aliviar as tensões e desviar o foco da atual crise política e econômica que afeta o país. O anúncio ocorre logo após as eleições presidenciais de julho, marcadas por acusações de fraude e falta de transparência, que resultaram na vitória controversa de Maduro. A oposição e diversos líderes internacionais continuam a exigir a divulgação completa das atas eleitorais para esclarecer os resultados.

A Venezuela enfrenta uma situação econômica extremamente complicada, com altas taxas de inflação, escassez de produtos básicos e uma crise humanitária que forçou milhões de venezuelanos a emigrar. Em meio a esse cenário, Maduro busca promover uma imagem de normalidade e otimismo, utilizando a antecipação do Natal como uma ferramenta simbólica para tal propósito.

Repercussão internacional e impacto interno

A decisão de antecipar o Natal novamente não passou despercebida no cenário internacional. Líderes de vários países e organizações internacionais têm criticado as ações do governo de Maduro, vendo-as como tentativas de distrair a população das verdadeiras questões que afetam o país, como a legitimidade dos resultados eleitorais e as graves dificuldades econômicas.

Internamente, a medida tem gerado opiniões divididas. Enquanto alguns apoiadores de Maduro veem o gesto como uma forma de trazer alegria e esperança ao povo venezuelano, muitos críticos apontam para o uso do Natal antecipado como uma cortina de fumaça para evitar a discussão de problemas mais urgentes.

Manuela é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2015

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