Moraes impõe bloqueio à mansão de Willer Tomaz em Angra dos Reis disputada com RicharlisonPor Bruna
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a indisponibilidade de bens da WT Administração de Imóveis e Bens, sociedade anônima ligada ao advogado Willer Tomaz, incluindo a mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ).
A restrição foi incluída na Central de Indisponibilidade de Bens (CNIB) em 26 de outubro de 2026 e averbada pelo cartório de registros de Angra dos Reis em 28 de outubro. A matrícula, acessada em 3 de novembro, registra a medida no âmbito do inquérito em que Willer é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro a partir de apostas online.
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A casa, que pertenceu à cantora Clara Nunes, é objeto de disputa judicial com o atacante Richarlison de Andrade, do Tottenham. O jogador alega ter investido cerca de R$ 10 milhões no imóvel e afirma que a posse foi tomada por Willer. O advogado sustenta que sua empresa adquiriu legalmente os direitos de ocupação, com escritura e registro, e que Richarlison negociou com posseiros sem título.
Bloqueio de até R$ 6 bilhões e quebra de sigilos
Em 23 de outubro de 2026, Moraes determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial de Willer e de empresas ligadas a ele, entre elas a Alcazar, além do bloqueio de bens móveis e imóveis até o limite de R$ 6 bilhões. A decisão também cancelou os passaportes do investigado, inclusive um documento diplomático.
Willer deixou o Brasil em agosto de 2026 com destino a Miami, nos Estados Unidos, e não retornou. A Polícia Federal informou ao Supremo que a saída ocorreu após buscas da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos do INSS. O ministro ordenou ainda a suspensão de atividades econômicas, financeiras e empresariais das companhias vinculadas ao advogado.
Apostas bilionárias e investigação da Polícia Federal
Nota técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas, do Ministério da Fazenda, aponta que Willer foi o maior apostador do Brasil em 2025, com volume de cerca de R$ 5 bilhões em apostas. Dados da Blaze indicam depósitos superiores a R$ 258 milhões e saques de cerca de R$ 200 milhões no período. A Polícia Federal investiga se as operações serviram para lavagem de dinheiro.
Flávio Bolsonaro (PL), senador e candidato à Presidência, também é investigado no mesmo inquérito. A PF encontrou indícios de que ele foi usuário master de conta bancária da Alcazar Holdings, empresa administrada por Willer. Moraes determinou, no mesmo processo, que o senador entregasse seus passaportes.
Disputa pela Ilha Comprida

A controvérsia sobre o imóvel em Angra dos Reis remonta a 2020. Richarlison afirma ter adquirido direitos de ocupação por meio de empresa da qual era sócio e investido cerca de R$ 10 milhões em pagamentos a ocupantes anteriores, reformas e segurança. Willer rebate que a compra foi feita a posseiros e que sua empresa obteve a posse de forma regular, com decisões favoráveis inclusive no Superior Tribunal de Justiça.
A WT Administração de Imóveis e Bens é proprietária de parte do patrimônio do advogado. A restrição agora registrada na matrícula impede a alienação do bem enquanto durar a medida cautelar. O inquérito segue sob relatoria de Moraes, com apuração conduzida pela Polícia Federal.















