A mais recente pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (5), revela um cenário de forte competitividade na disputa pela prefeitura de São Paulo, com Guilherme Boulos (PSOL), Pablo Marçal (PRTB) e o atual prefeito Ricardo Nunes (MDB) empatados tecnicamente na liderança. Boulos lidera com 23% das intenções de voto, enquanto Marçal e Nunes aparecem com 22% cada, dentro da margem de erro de três pontos percentuais.
Esse é o primeiro levantamento realizado após o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV, e mostra que o cenário eleitoral permanece acirrado. Boulos se manteve estável com o mesmo percentual do levantamento anterior, enquanto Marçal oscilou positivamente em um ponto e Nunes cresceu três pontos, mostrando uma evolução significativa em sua campanha.
A pesquisa entrevistou 1.204 eleitores presencialmente entre os dias 3 e 4 de setembro, com um nível de confiança de 95%. Isso significa que há uma probabilidade de 95% de os resultados refletirem a realidade dentro da margem de erro, que é de três pontos percentuais.
O crescimento de Nunes e o impacto de Marçal
Um dos destaques deste levantamento é o crescimento do atual prefeito Ricardo Nunes. Ele subiu de 19% para 22%, o que indica que sua campanha tem ganhado força com o início do horário eleitoral. Nunes, que assumiu a prefeitura após a morte de Bruno Covas em 2021, tem se esforçado para consolidar sua imagem como gestor da cidade, especialmente em áreas como saúde e mobilidade urbana. Seu crescimento nas pesquisas pode ser atribuído à maior exposição e à apresentação de realizações de sua gestão.
Pablo Marçal, por sua vez, vem se firmando como uma das surpresas desta eleição. O influenciador digital, que iniciou sua carreira como coach motivacional, conseguiu atrair uma base de eleitores expressiva e se mantém competitivo, oscilando positivamente de 21% para 22%. Marçal tem apostado em um discurso de renovação política e gestão disruptiva, o que tem ressoado principalmente entre eleitores mais jovens e insatisfeitos com os candidatos tradicionais.
Boulos se mantém forte no topo
Guilherme Boulos, que já havia liderado pesquisas anteriores, permanece como o candidato mais estável neste cenário. Com 23% das intenções de voto, ele mantém o mesmo percentual registrado no último levantamento e continua a se destacar como o principal nome da esquerda na disputa. Boulos, que concorreu à prefeitura em 2020 e teve um desempenho expressivo, consolidou-se como uma figura de destaque no cenário político nacional, atraindo eleitores que buscam uma alternativa progressista para São Paulo.
Outros candidatos e intenções de voto espontâneas
Além do trio principal, a pesquisa também aponta Tabata Amaral (PSB) com 9%, subindo um ponto em relação ao levantamento anterior, e José Luiz Datena (PSDB), que sofreu uma queda, passando de 10% para 7%. A oscilação negativa de Datena pode ser um reflexo da dificuldade em consolidar sua candidatura após um início promissor.
A pesquisa espontânea, quando os eleitores são questionados sobre suas intenções de voto sem a apresentação dos nomes dos candidatos, revela um alto índice de indecisos. Cerca de 38% dos eleitores ainda não decidiram em quem votar, o que demonstra que a corrida está longe de ser definida. Nesse cenário, Boulos aparece com 19%, seguido por Marçal, com 15%, e Nunes, com 10%.
Cenário de segundo turno
Se as eleições fossem decididas em um segundo turno, o atual prefeito Ricardo Nunes venceria tanto Guilherme Boulos quanto Pablo Marçal, segundo os dados da pesquisa. Contra Boulos, Nunes teria uma vantagem de 47% a 42%, enquanto contra Marçal o placar seria de 46% a 40%. No entanto, Boulos venceria Marçal em um eventual segundo turno, com uma margem de 48% a 39%.
Esses números mostram que, apesar do empate técnico no primeiro turno, Nunes tem um leve favoritismo em um cenário de segundo turno, possivelmente por sua posição como gestor atual da cidade e pela percepção de continuidade de sua administração.
Desafios para os candidatos
A principal dificuldade para os candidatos nesta fase da campanha será conquistar os eleitores indecisos. Com quase 40% dos eleitores ainda sem um candidato definido, as próximas semanas serão cruciais para as estratégias eleitorais. Além disso, o horário eleitoral gratuito e os debates televisivos devem desempenhar um papel fundamental na formação da opinião pública.
Para Boulos, o desafio será manter seu eleitorado mobilizado e expandir sua base, especialmente entre eleitores de centro. Marçal, por outro lado, precisa continuar a atrair o eleitorado jovem e capitalizar sua imagem de renovação. Já Nunes, como atual prefeito, precisa mostrar resultados de sua gestão e convencer os eleitores de que sua continuidade é a melhor opção para São Paulo.
A pesquisa também reflete o descontentamento de parte dos eleitores com o atual cenário político. O alto índice de indecisos e a rejeição a alguns candidatos indicam que há uma parcela significativa da população que ainda não se sente representada pelas opções disponíveis.
Conclusão do cenário atual
Com o início do horário eleitoral e a aproximação do pleito, o cenário eleitoral em São Paulo está cada vez mais disputado. O empate técnico entre Boulos, Marçal e Nunes indica que a eleição será decidida nos detalhes, com cada candidato buscando conquistar o eleitorado que ainda não se definiu. A pesquisa Datafolha é um importante termômetro da corrida, mas os números ainda podem oscilar conforme os eleitores forem sendo mais expostos às campanhas e propostas dos candidatos.

