Maníaco do carro: o que se sabe sobre os ataques a mulheres em São PauloPor Carolina Costa
Atualizado 6 min de leitura
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A cidade de São Paulo está em alerta após uma série de ataques a mulheres, atribuídos ao homem que ficou conhecido como o “maníaco do carro” ou “maníaco do Uno”. Desde o início de setembro de 2024, o suspeito tem aterrorizado a zona leste da capital, com diversos relatos de tentativas de sequestro e agressão. Até o momento, as autoridades confirmaram que sete vítimas já se apresentaram para prestar depoimentos, apontando o mesmo padrão de ataque.
O perfil do suspeito
O homem foi identificado como Solirano de Araújo Sousa, de 48 anos, natural do Piauí, que se mudou para São Paulo há alguns anos. Ele tem agido principalmente na região da Mooca, zona leste da cidade, abordando mulheres em vias públicas. A polícia divulgou que Sousa utiliza um Fiat Uno, um modelo antigo que já foi localizado e apreendido pelas autoridades. De acordo com os relatos das vítimas, o agressor tenta agarrá-las e forçá-las a entrar no veículo. Durante os ataques, ele veste um boné vermelho, o que se tornou uma de suas principais características físicas mencionadas pelas vítimas.
O modo de operação do suspeito é semelhante em todos os casos. Ele permanece próximo ao seu carro, aguardando o momento oportuno para agir. As mulheres são abordadas de forma inesperada, e ele tenta arrastá-las à força para dentro do veículo. Esse comportamento tem gerado pânico e preocupação, especialmente entre as moradoras da região. A ação do “maníaco do carro” foi amplamente documentada em vídeos de câmeras de segurança e compartilhada nas redes sociais, ajudando a polícia a identificar e traçar o perfil do agressor.
Investigação e reforço policial
Com a crescente pressão popular e o aumento no número de relatos, a Polícia Civil de São Paulo intensificou os esforços para capturar o suspeito. O caso está sendo conduzido pelo 57º Distrito Policial, responsável pela área da Mooca, onde a maioria dos ataques ocorreu. A Secretaria de Segurança Pública anunciou que o pedido de prisão temporária de Solirano foi deferido, o que aumentou as expectativas de uma captura iminente. Até o momento, as autoridades afirmam que continuam contando com a ajuda da população para obter mais informações sobre o paradeiro do agressor, que segue foragido.
Na última semana, o policiamento na região foi reforçado, com a presença constante de equipes da Polícia Militar e da Ronda Escolar em áreas de maior movimento de pedestres. O intuito é garantir a segurança das mulheres e evitar novos incidentes. As imagens e características do suspeito foram amplamente divulgadas pela imprensa e pelas redes sociais, e a polícia tem monitorado essas plataformas em busca de novas pistas. Além disso, o Disque Denúncia 181 foi acionado para receber informações que possam auxiliar na localização de Sousa.
Relatos das vítimas e impacto psicológico
Entre as vítimas que já se apresentaram, os relatos são semelhantes. As mulheres descrevem a abordagem do suspeito como abrupta e violenta. A maioria dos ataques ocorreu à luz do dia, o que aumentou o sentimento de insegurança entre as mulheres da região. Em um dos casos mais recentes, uma jovem conseguiu escapar após o homem tentar arrastá-la para dentro do carro, enquanto em outra ocasião, uma mãe relatou que ele tentou levar sua filha de apenas 12 anos.
O impacto psicológico causado por esses ataques tem sido devastador. Várias vítimas relataram estar com medo de sair de casa sozinhas, enquanto outras passaram a evitar lugares públicos por receio de serem abordadas. Psicólogos especializados em atendimento a vítimas de violência sexual destacam a importância de apoio emocional durante o processo de recuperação, visto que a violência, mesmo quando não concretizada, pode deixar cicatrizes profundas.
Reação pública e pressão sobre as autoridades
A repercussão do caso nas redes sociais foi imediata. Diversos perfis de apoio às mulheres e grupos de defesa dos direitos humanos passaram a pressionar as autoridades por uma resposta rápida e eficiente. Os moradores da Mooca e de bairros vizinhos também se mobilizaram, organizando reuniões para discutir estratégias de proteção e segurança para as mulheres da região.
Muitas mulheres também têm compartilhado suas experiências com assédio e violência nas ruas de São Paulo, ressaltando a necessidade de medidas mais efetivas de segurança pública. Alguns especialistas em segurança sugerem o aumento da instalação de câmeras de monitoramento em pontos estratégicos da cidade, além de uma maior presença de patrulhas em áreas de risco.
A repercussão do caso também chegou ao meio político. Parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo já começaram a discutir novas políticas de segurança voltadas para a proteção das mulheres em espaços públicos, incluindo a proposta de uma lei que endureça as penas para crimes de importunação sexual e tentativas de sequestro.
A busca pelo maníaco continua
Embora o carro de Solirano de Araújo Sousa tenha sido encontrado, ele continua foragido. O clima de tensão e insegurança na Mooca persiste, com muitas mulheres temendo novos ataques. A polícia tem alertado a população para que evitem situações de vulnerabilidade, como andar sozinhas em locais pouco movimentados e, caso percebam a presença de indivíduos suspeitos, acionem imediatamente as autoridades.
As investigações apontam que o suspeito agiu de forma planejada, estudando os horários e locais de maior movimentação de mulheres para escolher suas vítimas. Embora até o momento nenhum dos ataques tenha sido fatal, o comportamento agressivo de Sousa tem gerado grande preocupação entre os investigadores, que temem a possibilidade de uma escalada na violência dos crimes.
O papel da sociedade na proteção das mulheres
Esse caso também trouxe à tona a discussão sobre o papel da sociedade na prevenção de crimes contra as mulheres. Grupos de apoio e ONGs que atuam na defesa dos direitos das mulheres têm reiterado a importância de promover campanhas de conscientização sobre o combate à violência de gênero, especialmente em ambientes urbanos. Além disso, a colaboração entre a população e as forças de segurança é vista como essencial para garantir a segurança e a proteção das mulheres nas ruas.
Enquanto a busca pelo “maníaco do carro” continua, as autoridades pedem para que qualquer informação relevante seja comunicada de forma anônima. O sentimento é de que, com o apoio da sociedade e o reforço nas investigações, a captura de Solirano de Araújo Sousa está cada vez mais próxima, o que traria um alívio para as vítimas e suas famílias, além de restaurar a sensação de segurança na região.







