Policial de Roraima prende assassino do próprio pai após 25 anos de investigação pessoalPor Bruna
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Mais de duas décadas após a trágica perda de seu pai, a escrivã da Polícia Civil de Roraima, Gislayne Silva de Deus, de 36 anos, teve um desfecho que buscava desde a infância. Na última quarta-feira (25/09), ela participou diretamente da prisão de Raimundo Alves Gomes, o homem condenado pelo assassinato de seu pai, Givaldo José Vicente de Deus, crime ocorrido em 1999. A prisão aconteceu em Boa Vista, após anos de buscas e investigações conduzidas com persistência por Gislayne, que nunca desistiu de fazer justiça.
Uma busca incansável por justiça
Desde que seu pai foi assassinado, Gislayne, então com apenas 9 anos, manteve viva a promessa de encontrar o responsável e garantir que ele pagasse pelo crime. Naquela época, Givaldo foi morto com um tiro à queima-roupa, em uma briga que teria se iniciado devido a uma dívida de R$ 150. O episódio aconteceu em um bar no bairro Asa Branca, na zona Oeste de Boa Vista. Após o disparo, o assassino ainda levou Givaldo ao hospital, mas fugiu em seguida, permanecendo foragido por muitos anos.
Raimundo Alves foi julgado e condenado 14 anos depois do crime, em 2013, pelo Tribunal do Júri, mas continuou em liberdade, já que sua prisão só foi decretada em 2016. Mesmo com a ordem judicial, ele continuou foragido, até que, em 2024, as investigações lideradas pela Delegacia Geral de Homicídios, onde Gislayne trabalha, localizaram o criminoso.
O momento da captura
Na noite do dia 25 de setembro, a polícia finalmente conseguiu capturar Raimundo Alves em uma área de chácaras no bairro Nova Cidade, também na zona Oeste de Boa Vista. A prisão ocorreu de forma coordenada, com a escrivã Gislayne participando diretamente da ação. O momento foi carregado de emoções para a policial, que viu sua busca de 25 anos chegar a um ponto crucial.
Em entrevista, Gislayne expressou sua satisfação ao afirmar que a justiça foi feita, trazendo um alívio para sua família. “A sensação que eu e a minha família temos hoje é de que a justiça foi feita e que a gente finalmente vai ter paz”, declarou a escrivã.
Trajetória até se tornar policial
A caminhada de Gislayne para se tornar uma policial não foi planejada desde o início, mas parece ter sido uma jornada natural, impulsionada pelo desejo de ver o assassino de seu pai pagar pelo crime. Aos 18 anos, ela começou a cursar Direito e se formou sete anos depois, em 2014. Embora sua intenção inicial não fosse seguir carreira na polícia, seu destino a levou para o universo policial, onde poderia usar suas habilidades para alcançar o objetivo que sua família tanto almejava.
Em 2022, ela ingressou na polícia penal de Roraima, trabalhando na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo e também no Departamento do Sistema Prisional (Desipe). Nesse período, Gislayne, grávida, ainda atuava com a esperança de que, um dia, o homem que destruiu sua família fosse levado à justiça.
O pedido especial: delegacia de homicídios
Após ser aprovada no concurso da Polícia Civil, Gislayne assumiu como escrivã em julho de 2024. Ao iniciar sua nova função, ela fez um pedido especial: ser lotada na Delegacia Geral de Homicídios (DGH). Era ali que ela acreditava que poderia reunir as informações necessárias para encontrar o paradeiro do assassino de seu pai. Com esse foco, a policial conseguiu localizar o mandado de prisão, que havia sido expedido em 2019, e iniciou as buscas que culminaram na captura de Raimundo Alves.
Os detalhes do crime
O crime ocorreu no dia 16 de fevereiro de 1999, quando Givaldo, pai de Gislayne, foi assassinado aos 35 anos de idade. A motivação teria sido uma dívida de R$ 150 entre a vítima e o agressor. Após uma discussão acalorada em um bar, Raimundo atirou em Givaldo, causando sua morte. A tragédia abalou profundamente a família, composta por Gislayne e suas quatro irmãs, que ficaram órfãs de pai.
Mesmo com a condenação de Raimundo em 2013, ele só foi considerado foragido em 2016, quando o primeiro mandado de prisão foi expedido. Durante todo esse tempo, ele conseguiu escapar da prisão até ser finalmente capturado em 2024.
Justiça a caminho: o desfecho legal
Com a captura de Raimundo Alves, foi realizada uma audiência de custódia na quinta-feira (26/09), que manteve sua prisão e ordenou sua transferência para o sistema prisional de Roraima. De acordo com o Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR), o homem havia sido condenado a 12 anos de prisão pelo homicídio de Givaldo, e o caso já havia transitado em julgado, ou seja, não cabem mais recursos.
Embora a condenação tenha acontecido em 2013, a pena de 12 anos poderia prescrever em 2031, se o criminoso não fosse encontrado até lá. A prisão veio a tempo de evitar que a impunidade prevalecesse, um alívio para Gislayne e sua família.
Reflexões de uma filha e policial
Gislayne sempre acreditou que a justiça seria feita, e ela não mediu esforços para garantir que isso acontecesse. Em sua fala, a policial ressaltou que a persistência de sua família foi fundamental para que o caso não fosse esquecido. Ela lembrou que, durante o julgamento, a participação ativa de sua família foi essencial para garantir a condenação de Raimundo.
“A condenação foi em razão da gente não deixar realmente passar impune. Isso não vai trazer nosso pai de volta, mas ele vai cumprir a pena que deveria ter cumprido há muitos anos”, refletiu Gislayne.
Um final que não traz o pai de volta, mas traz alívio
Após tantos anos de busca, o sentimento de justiça é, sem dúvida, um alívio para Gislayne e suas irmãs. Embora a dor da perda do pai nunca desapareça, saber que o responsável pelo crime finalmente cumprirá sua pena traz uma sensação de dever cumprido e de paz para a família.
A história de Gislayne é uma demonstração de como a busca por justiça pode guiar uma vida e transformar tragédia em força para agir em prol de algo maior. Sua trajetória na polícia foi marcada pelo objetivo de fechar um ciclo que começou com a dor de perder o pai e terminou com a captura do assassino.







