A Esportes da Sorte, patrocinadora master do Corinthians, está na expectativa para regularizar sua operação junto à Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda antes da próxima sexta-feira. A empresa não consta na lista inicial de operações regulares e, se não tiver o deferimento necessário, corre o risco de ser desativada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O imbróglio pode impactar o contrato milionário firmado com o clube paulista.
Situação da Esportes da Sorte com a regulamentação federal
A situação ganhou destaque após a Anatel anunciar que tiraria do ar todas as empresas de apostas que não estivessem de acordo com os requisitos do governo federal até o fim desta semana. A Esportes da Sorte informou ter cumprido todas as exigências legais e espera o deferimento de um recurso administrativo para garantir sua regularidade.
O grupo revelou já possuir a autorização de funcionamento pela Loterj (Loteria do Estado do Rio de Janeiro), o que permitiria sua operação em território nacional por cinco anos. No entanto, a ausência de aprovação pela SPA coloca a empresa em uma posição delicada, principalmente por causa do investimento significativo em patrocínios esportivos.
Impacto nos clubes patrocinados
O contrato com o Corinthians, assinado em julho, tem valor total de R$ 309 milhões para três anos, sendo o maior entre os oito clubes da Série A patrocinados pela Esportes da Sorte. Esse montante não é dividido de forma igual entre os anos de parceria e inclui cláusulas que permitem o uso de parte do valor para a contratação de jogadores.
Um exemplo é o caso do atacante Memphis Depay. A Esportes da Sorte se dispôs a custear uma contratação de peso, e o clube paulista teria à disposição R$ 57,5 milhões para trazer um nome midiático ao elenco. Se o contrato for mantido, o investimento no jogador holandês até 2026 deve atingir R$ 70 milhões.
No entanto, o Athletico-PR, outro clube patrocinado, já retirou a marca da empresa do uniforme após a divulgação de que a Esportes da Sorte não constava na lista oficial de regularidade. No confronto contra o Botafogo, o time paranaense jogou com a camisa limpa. A empresa investe cerca de R$ 80 milhões por ano em patrocínios nos clubes da Série A, e a indefinição sobre a regulamentação pode prejudicar os contratos vigentes.
Reação do mercado e investigação policial
Além do problema com a regularização, a Esportes da Sorte enfrenta suspeitas de lavagem de dinheiro. Um relatório da Polícia Civil de Pernambuco indicou que a empresa poderia estar envolvida em operações ilícitas relacionadas ao jogo do bicho no estado. O proprietário do grupo, Darwin Henrique da Silva Filho, e sua esposa, Maria Eduarda Quinto Filizola, foram presos no início de setembro durante a Operação Integration.
De acordo com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), há indícios de transações financeiras suspeitas envolvendo a empresa, o que motivou a investigação. A operação também prendeu a influenciadora digital Deolane Bezerra e chegou a emitir um pedido de prisão contra o cantor Gusttavo Lima, posteriormente derrubado pela Justiça.
Nota oficial da Esportes da Sorte
Em comunicado oficial, a Esportes da Sorte afirmou estar em conformidade com as exigências legais e reforçou seu compromisso com a regulamentação do setor de apostas no Brasil. A empresa declarou que “obteve autorização de funcionamento confirmada e validada pela LOTERJ, e, portanto, está apta a operar por um prazo inicial de cinco anos”.
A marca acrescentou que aguarda o deferimento da licença pela SPA e que já apresentou todos os documentos exigidos no recurso administrativo. A expectativa é que a situação seja resolvida nos próximos dias, garantindo a continuidade das operações e o cumprimento dos contratos com os clubes parceiros.
Investigação e desdobramentos legais
O proprietário Darwin Filho foi liberado no dia 24 de setembro, após permanecer detido desde o início do mês. Já sua esposa, Maria Eduarda, foi solta cinco dias após a prisão inicial. A defesa de ambos alegou ter comprovado a legalidade das atividades da Esportes da Sorte e contestou as acusações de lavagem de dinheiro. Os advogados reforçaram que todos os questionamentos foram esclarecidos e que a empresa atua de forma transparente.
O caso ainda está em análise pelas autoridades, e o resultado das investigações pode impactar não apenas a Esportes da Sorte, mas também a imagem dos clubes que têm a empresa como patrocinadora.
Desdobramentos para o Corinthians
O Corinthians acompanha a situação de perto, uma vez que o contrato com a Esportes da Sorte é o maior patrocínio do clube nos últimos anos. Caso a regularização não seja confirmada pela SPA, o clube poderá ser forçado a rever o acordo ou até mesmo buscar outro patrocinador para cobrir a perda financeira.
Por enquanto, a diretoria alvinegra prefere aguardar a decisão final do Ministério da Fazenda antes de tomar qualquer medida. O clube tem planos ambiciosos de investimentos, e a incerteza sobre a continuidade do contrato pode comprometer o planejamento esportivo e financeiro para a próxima temporada.
Impacto nos patrocínios esportivos
A situação da Esportes da Sorte levanta preocupações sobre a regulamentação do mercado de apostas no Brasil e o impacto nos clubes de futebol. Com o crescimento desse setor no país, novas regras e exigências estão sendo estabelecidas, e as empresas que não se adaptarem podem ser excluídas do mercado.
A Anatel já sinalizou que as plataformas não regulamentadas serão desativadas a partir de sexta-feira, o que pode causar uma ruptura em diversos contratos de patrocínio no esporte. O próximo passo é acompanhar como as demais empresas do setor se posicionarão diante das novas exigências.
Principais pontos do imbróglio:
- Regularização junto à SPA: A Esportes da Sorte ainda não consta na lista oficial de empresas regularizadas e aguarda o deferimento de um recurso administrativo.
- Contrato milionário com o Corinthians: O maior patrocínio entre clubes da Série A, com valor total de R$ 309 milhões por três anos.
- Investigações policiais: A empresa é suspeita de envolvimento em lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas, o que complicou ainda mais a situação.
- Reação dos clubes: O Athletico-PR já retirou a marca de seu uniforme, e o Corinthians monitora a situação de perto.
