Atirador que matou pai, irmão e policial em Novo Hamburgo é encontrado morto

6 min de leitura
Homem que matou pai Foto: Homem que matou pai - Foto reprodução

Um dos casos mais violentos registrados em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, terminou de maneira trágica na manhã do dia 23 de outubro de 2024. O atirador, Edson Fernando Crippa, de 45 anos, foi encontrado morto em sua residência após uma intensa troca de tiros com a Brigada Militar. Ele havia assassinado seu pai, irmão e um policial militar, além de ferir outras nove pessoas, incluindo seis policiais, um guarda municipal e membros de sua própria família.

O Início do Incidente

A violência começou na noite do dia 22 de outubro, quando a Brigada Militar foi acionada para verificar uma denúncia de maus-tratos contra idosos. Ao chegarem à casa de Crippa, no bairro Ouro Branco, em Novo Hamburgo, a situação rapidamente escalou. Edson, que mantinha seus pais em cárcere privado, reagiu à presença policial com disparos de arma de fogo. Os agentes, que tentavam negociar sua rendição, encontraram resistência imediata, levando a uma troca de tiros.

Os primeiros a serem vítimas do atirador foram os próprios familiares. Eugênio Crippa, de 74 anos, pai de Edson, foi uma das vítimas fatais, assim como seu irmão, Everton Crippa, de 49 anos, e o policial militar Everton Kirsch Júnior, de 31 anos, que participava da operação para controlar a situação.

Cerco e Desfecho

A ação policial se prolongou durante a madrugada, com a Brigada Militar montando um cerco em torno da residência. Tentativas de negociação foram feitas para que Edson se rendesse, mas ele continuou atirando. Além de matar três pessoas, o atirador feriu sua mãe, Cleris Crippa, de 70 anos, que ficou gravemente ferida após ser baleada três vezes, e sua cunhada, Priscilla Martins, de 41 anos.

Outros feridos incluem policiais da Brigada Militar que tentavam conter a situação. No total, seis policiais foram atingidos, dois deles gravemente. Além disso, o atirador ainda abateu dois drones utilizados pela polícia na tentativa de monitorar a área e conter o agressor à distância.

Na manhã do dia seguinte, por volta das 8h30, a polícia conseguiu entrar na casa e encontrou Edson Fernando Crippa morto. Ainda não está claro se ele foi atingido durante a troca de tiros com a polícia ou se tirou a própria vida.

Impacto na Comunidade

O caso chocou a cidade de Novo Hamburgo e teve uma repercussão imediata em todo o país. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, destacou a firmeza da ação da Brigada Militar, que conseguiu evitar que mais vidas fossem perdidas, apesar da tragédia já estabelecida. Segundo o governador, a resposta rápida das forças de segurança impediu que o atirador causasse ainda mais danos.

As autoridades locais e a sociedade civil manifestaram profundo pesar pela morte do policial militar Everton Kirsch Júnior, que deixou um filho de apenas 45 dias. Sua dedicação à profissão e o sacrifício de sua vida durante a operação foram amplamente lamentados.

O Perfil do Atirador

Edson Fernando Crippa era caminhoneiro e, segundo informações, vinha apresentando comportamento agressivo, que culminou no trágico evento. Os relatos iniciais apontam que ele mantinha os pais em uma situação de cárcere privado, impedindo-os de sair de casa, o que gerou a denúncia de maus-tratos e o início da ação policial.

Durante a investigação, a polícia também constatou que Crippa possuía quatro armas registradas, incluindo pistolas e um rifle, o que pode ter facilitado a execução dos crimes. O fato de ele ter abatido dois drones da polícia demonstra sua habilidade com armas de fogo, tornando a situação ainda mais perigosa para os agentes que estavam no local.

Linha do Tempo do Ataque

  • Noite de 22 de outubro de 2024: A Brigada Militar é chamada para verificar uma denúncia de maus-tratos na casa de Edson Crippa, em Novo Hamburgo.
  • Primeiras horas do dia 23 de outubro: Edson reage à presença da polícia, matando seu pai, irmão e um policial militar. Outros nove ficam feridos durante o confronto.
  • Madrugada do dia 23 de outubro: A polícia cerca a casa do atirador, tentando negociar sua rendição. Ele continua atirando contra os agentes, abatendo dois drones da polícia.
  • 8h30 de 23 de outubro: A polícia entra na casa e encontra o corpo do atirador. Ele já estava morto, encerrando assim o cerco.

Feridos e Condições Médicas

Entre as pessoas feridas no incidente, destacam-se:

  • Cleris Crippa, 70 anos, mãe do atirador, baleada três vezes e em estado grave.
  • Priscilla Martins, 41 anos, cunhada do atirador, também gravemente ferida.
  • Rodrigo Weber Voltz, policial militar, baleado três vezes e em cirurgia.
  • João Paulo Farias Oliveira, policial militar, baleado uma vez e em cirurgia.
  • Outros policiais sofreram ferimentos menores e já foram liberados do hospital.

Repercussões e Investigações

A tragédia levantou questões sobre o acesso a armas de fogo e o aumento de casos de violência doméstica e intrafamiliar, muitas vezes ocultos e não denunciados até que ocorram tragédias como esta. O caso também reacendeu o debate sobre a saúde mental de pessoas que, como Edson Crippa, apresentam comportamentos de isolamento e agressividade antes de cometerem atos violentos.

As investigações sobre o caso seguem em andamento, e as autoridades continuam colhendo depoimentos de familiares e vizinhos para entender os detalhes que levaram ao trágico desfecho.

Expectativas Futuras

A cidade de Novo Hamburgo está em luto pelas vítimas do ataque, e homenagens aos mortos, especialmente ao policial Everton Kirsch Júnior, estão sendo organizadas. A Brigada Militar deve fazer uma revisão dos procedimentos de cerco e negociação em situações como essa para evitar mais perdas no futuro. Além disso, o governo do Rio Grande do Sul já anunciou que irá reforçar as ações de combate à violência doméstica e intrafamiliar, especialmente em casos que envolvem idosos.

A história de Edson Crippa se encerra de forma trágica, mas deixa lições importantes sobre a necessidade de atenção e intervenção em casos de abuso familiar, além de uma maior vigilância sobre o uso de armas de fogo.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

Notícias relacionadas