Ciclone traz rajadas de 100 km/h e põe estados em alerta para temporais
Um ciclone extratropical em formação entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul coloca os estados do Sul em alerta nesta terça-feira (29) para tempestades severas. O sistema atmosférico atua em conjunto com uma frente fria e gera potencial para rajadas de vento de até 100 km/h, queda localizada de granizo, microexplosões e desenvolvimento de tornados isolados em lavouras e cidades da região.
O Instituto Nacional de Meteorologia emitiu um aviso de perigo na cor laranja para uma extensa faixa do Centro-Sul brasileiro. A área sob vigilância contínua estende-se desde o sudoeste de Mato Grosso do Sul até o centro-sul gaúcho, alcançando praticamente todos os municípios de Santa Catarina e 340 cidades do Paraná. Os volumes diários de chuva previstos para a área sob alerta variam de 50 a 100 milímetros, com possibilidade de corte no fornecimento de energia elétrica, queda de árvores e alagamentos.
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Dados do alerta meteorológico para o Centro-Sul
- Área sob risco meteorológico: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e sudoeste de Mato Grosso do Sul
- Velocidade máxima prevista para as rajadas de vento: 100 km/h
- Volume acumulado diário de precipitação: entre 50 e 100 milímetros
- Temperatura mínima projetada após a passagem do sistema: abaixo de 5°C na fronteira gaúcha
- Órgão oficial responsável pelo aviso: Instituto Nacional de Meteorologia
A instabilidade provocou a formação de uma nuvem prateleira, conhecida tecnicamente como shelf cloud, no céu de municípios catarinenses do Meio-Oeste na manhã desta terça-feira. Moradores de Curitibanos, Caçador e São Cristóvão do Sul registraram a chegada da estrutura densa que antecedeu a intensificação da instabilidade. Esse tipo de formação acompanha bordas de tempestades severas e sinaliza a presença de fortes correntes de ar descendentes.
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Meteorologistas apontam que a presença de um cavado meteorológico, que consiste em uma área alongada de baixa pressão nos níveis médios da atmosfera, intensificou o transporte de umidade antes da consolidação do ciclone. O mês de setembro de 2026 encerra um ciclo marcado pela passagem recorrente de ciclones extratropicais pela costa meridional do país, mantendo o solo saturado em diversas bacias hidrográficas.
ciclone extratropical: previsão de chuva volumosa e impactos nas áreas agrícolas
O quadro meteorológico nos próximos cinco dias projeta volumes de precipitação superiores a 50 e 70 milímetros em grande parte dos três estados sulistas. O modelo da Meteored indica que, na sequência do período, a precipitação voltará a se intensificar nas lavouras do noroeste gaúcho, no oeste catarinense e no território paranaense, onde o volume pode ultrapassar 100 milímetros no intervalo de cinco dias.
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O excesso hídrico preocupa produtores rurais, principalmente nas áreas destinadas ao plantio de soja. A sequência ininterrupta de precipitações e a força das rajadas de vento podem dificultar a entrada de maquinários pesados no campo, retardar a semeadura da safra de verão e provocar tombamento precoce de lavouras em desenvolvimento.
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Tornados e microexplosões continuam associados ao avanço de supercélulas de tempestade. Meteorologistas ressaltam que esses fenômenos convectivos severos não podem ter o ponto exato de impacto no solo previsto com dias de antecedência, sendo identificados em radares meteorológicos apenas minutos antes de atingirem a superfície em razão de sua dinâmica rápida e localizada.
Onda de calor no Centro-Oeste e avanço de ar polar
Enquanto a porção meridional do continente lida com ventos fortes e tempestades, setores do Centro-Oeste e do Sudeste permanecem sob influência de uma forte massa de ar seco e quente até quarta-feira (30). Termômetros podem marcar até 40°C em pontos de Mato Grosso, Goiás e na região do Matopiba antes da chegada da instabilidade trazida pela borda da frente fria.
A partir do avanço do sistema frontal até 23h59 desta quarta-feira, a chuva deve começar a ingressar em pontos de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rondônia, acumulando marcas próximas a 30 milímetros. Posteriormente, o fluxo de umidade se deslocará para o sul paulista e Mato Grosso do Sul, gerando acumulados entre 100 e 150 milímetros em cinco dias, o que também acende alerta para a infraestrutura logística e agrícola regional.
Na retaguarda do ciclone extratropical, uma massa de ar frio ingressará pelo território gaúcho e alcançará Santa Catarina e o sul do Paraná ao longo dos próximos dias. As temperaturas mínimas poderão atingir valores inferiores a 5°C na faixa de fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai, com risco de formação de geada fraca sobre os campos antes de uma nova elevação térmica prevista para o fim de semana.
A tendência de médio prazo indica melhora gradual do tempo no território de Santa Catarina apenas a partir de 9 de outubro de 2026, data em que novas instabilidades volumosas devem retornar ao Rio Grande do Sul com volumes acumulados de até 150 milímetros.
