Trump assina decreto que impõe tarifa de 25% para aço e alumínio; Brasil pode ser impactado

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Trump diz que vai impor tarifa de 25% sobre importação de aço e alumínio Foto: Trump diz que vai impor tarifa de 25% sobre importação de aço e alumínio - Foto: Reprodução/ Globo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na última segunda-feira (10), um decreto que estabelece uma tarifa de 25% sobre as importações de aço e alumínio a partir de 4 de março de 2025. A medida tem como principal objetivo proteger a indústria siderúrgica americana, em uma tentativa de priorizar a produção interna e reduzir a dependência de aço e alumínio estrangeiros. Ao anunciar a nova tarifa, Trump afirmou que a taxa seria aplicada “sem exceções”, afetando todos os países, independentemente da origem dos produtos.

A decisão pode ter impacto direto em países exportadores para os Estados Unidos, como o Brasil, que ocupa um dos principais lugares entre os fornecedores de aço e alumínio. O Brasil, que em 2024 foi o segundo maior fornecedor de aço para os EUA, poderá sofrer com a medida, já que, segundo dados do Departamento de Comércio dos EUA, o país americano importa uma grande parte do aço e alumínio que utiliza, principalmente do Canadá e México, mas também do Brasil.

Em uma declaração enfática, Trump destacou a importância de manter essas indústrias dentro dos Estados Unidos para garantir a recuperação do setor manufatureiro americano. Ele reforçou que a tarifa de 25% será aplicada de maneira geral, sem discriminação, exceto em casos onde empresas possam transferir suas operações para dentro dos EUA, o que resultaria na isenção da tarifa. Trump também anunciou que, nos próximos dias, o governo americano avaliará a imposição de tarifas adicionais, com destaque para os setores de carros, chips semicondutores e produtos farmacêuticos.

Efeitos da nova tarifa podem ser sentidos no Brasil e outros países

A nova política tarifária de Trump vem no contexto de uma estratégia que ele já utilizou no passado. Durante seu primeiro mandato, de 2017 a 2021, o presidente impôs tarifas semelhantes sobre o aço e alumínio, mas essas taxas foram gradualmente removidas após negociações com países como o México, Canadá e Brasil. Contudo, o novo decreto parece ser mais abrangente e rígido, com Trump afirmando que a tarifa de 25% será permanente, ao contrário das medidas temporárias que ele havia adotado anteriormente.

Além do impacto direto sobre o comércio exterior, a taxação pode afetar a cadeia de produção nos EUA, que depende de aço e alumínio importados, principalmente para a fabricação de veículos, eletrodomésticos e outros produtos industriais. As indústrias americanas que dependem de insumos estrangeiros podem enfrentar custos mais elevados, o que pode resultar em aumento de preços e possíveis dificuldades econômicas a curto prazo. O economista e professor da FGV EESP, Bernardo Guimarães, explicou que, caso a tarifação se concretize, isso pode afetar a competitividade das empresas americanas, além de reorganizar as cadeias globais de fornecimento.

As siderúrgicas brasileiras, que tradicionalmente exportam grande parte de sua produção de aço para os Estados Unidos, observam com cautela as consequências dessa decisão. Em 2023, o Brasil foi responsável por 18% das exportações brasileiras de ferro fundido, ferro e aço para os EUA, um setor estratégico para a economia brasileira. A ameaça de tarifas pode prejudicar ainda mais o comércio bilateral, o que é especialmente preocupante dado o impacto que as tarifas de Trump tiveram em anos anteriores.

Histórico de Tarifas e a reação do Brasil

O histórico de tarifas impostas aos produtos brasileiros nos Estados Unidos remonta a 2018, quando Trump, já em seu primeiro mandato, criou uma série de restrições que afetaram diretamente as exportações de aço e alumínio. Naquele ano, os EUA impuseram uma tarifa de 25% sobre as importações de aço e 10% sobre o alumínio, mas excluíram alguns países, como Canadá e México, que eram seus principais fornecedores. O Brasil foi um dos países que conseguiu negociar um sistema de cotas, permitindo exportar aço e alumínio semiacabados para os Estados Unidos, mas com limites de volume.

A partir de 2019, o governo Trump reintroduziu tarifas mais altas, acusando o Brasil de desvalorizar o real para tornar seus produtos mais competitivos no mercado internacional. No entanto, após uma série de conversas entre os governos, a taxação sobre o aço e alumínio brasileiros foi suspensa. Esse cenário, no entanto, pode se repetir, e o Brasil pode se ver mais uma vez na mira das tarifas americanas, o que geraria novas tensões diplomáticas.

Possíveis consequências da nova tarifa sobre a economia global

O impacto de tarifas elevadas sobre as importações de aço e alumínio não se restringe apenas aos países exportadores, mas também afeta a dinâmica do comércio global. De acordo com dados do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, cerca de 25% do aço consumido no país é importado, com uma grande parcela proveniente de países como o México e o Brasil. O Brasil, que em 2024 foi o segundo maior fornecedor de aço para os EUA, pode ver suas exportações reduzidas devido à nova tarifa, resultando em perdas significativas para a economia nacional.

Além disso, a imposição de tarifas tende a afetar o mercado interno dos EUA. O aumento no preço do aço e alumínio pode impactar diversos setores industriais, como o automobilístico, de construção e de eletroeletrônicos, que dependem desses materiais para a fabricação de seus produtos. Com a pressão de custos mais altos, os fabricantes americanos podem repassar os aumentos para os consumidores, o que pode resultar em inflação.

Reações no Brasil e o que pode ocorrer a seguir

O governo brasileiro já reagiu ao anúncio de Trump e afirmou que, por enquanto, aguardará decisões concretas antes de tomar qualquer atitude. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que o governo brasileiro tomará uma posição formal apenas quando a medida for oficialmente implementada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se manifestou, afirmando que o Brasil adotaria a “reciprocidade” caso os EUA aumentassem as tarifas sobre produtos brasileiros, o que pode resultar em novas barreiras tarifárias contra produtos americanos importados pelo Brasil.

Representantes do setor siderúrgico brasileiro, como o Instituto Aço Brasil, ainda não comentaram oficialmente sobre a nova tarifa, mas, no passado, o impacto de medidas como essa foi significativo para a indústria. Durante o governo de Trump, as siderúrgicas brasileiras alertaram que a taxação poderia resultar no desligamento de fornos e em demissões no setor. Esse cenário ainda pode se repetir, especialmente se as tarifas afetarem diretamente a competitividade das exportações brasileiras de aço e alumínio para os EUA.

Possibilidade de flexibilização e cenário futuro

Embora o governo de Trump tenha demonstrado firmeza em relação à nova tarifa, alguns analistas acreditam que a medida poderá ser suavizada após discussões com os países afetados. O economista Bernardo Guimarães sugere que o impacto dessa nova tarifa pode ser limitado se as cadeias globais de fornecimento se ajustarem rapidamente. Ele também apontou que a China, principal produtora de aço no mundo, também sofre com a escassez de matéria-prima, o que pode levar a uma reorganização dos fluxos comerciais internacionais.

O impacto da tarifa também pode ser moderado pelo fato de que a indústria americana já passou por períodos de taxação de aço e alumínio, sem obter os resultados esperados. Em 2002, o presidente George W. Bush impôs tarifas semelhantes com o objetivo de proteger a indústria americana, mas o resultado foi uma perda de empregos em setores que dependiam das importações desses materiais.

Projeções para o Comércio Internacional

A imposição de tarifas elevadas sobre o aço e o alumínio importados pode gerar consequências significativas para a economia global. A medida pode não só afetar os países exportadores como o Brasil, mas também prejudicar os próprios consumidores americanos, que podem enfrentar um aumento nos preços de diversos produtos. Além disso, a alta dos custos pode afetar diretamente as empresas dos EUA que dependem desses insumos para suas produções.

Se as tarifas forem implementadas conforme anunciado, o Brasil e outros países exportadores terão que procurar alternativas comerciais para mitigar os efeitos econômicos dessa medida. Isso inclui a busca por novos mercados e a adaptação das cadeias produtivas para atender às novas exigências do mercado global.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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