CPI das Apostas Esportivas pressiona Lucas Paquetá e Luiz Henrique com novas provas financeirasPor Jeronimo Santos
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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas do Senado Federal continua aprofundando suas investigações sobre possíveis fraudes em apostas envolvendo os jogadores Lucas Paquetá, do West Ham, e Luiz Henrique, atualmente no Zenit. Ambos são suspeitos de participação em um esquema de manipulação de cartões amarelos em competições nacionais e internacionais, com apostas feitas em plataformas ilegais. O caso se tornou um dos principais focos da CPI após a análise de transações financeiras e registros que indicam possíveis ligações entre os jogadores e intermediários responsáveis por movimentações suspeitas. Relatórios bancários e testemunhos reforçam a tese de que atletas estariam forçando punições para favorecer apostadores previamente informados sobre o resultado das partidas.
A defesa de Lucas Paquetá tem buscado adiar o depoimento do jogador, alegando que ele já está sendo investigado pela Federação Inglesa de Futebol (FA). A entidade analisa a possibilidade de suspensão do atleta, o que pode impactar diretamente sua carreira no futebol internacional. Luiz Henrique, por outro lado, tornou-se alvo da CPI após a identificação de um depósito suspeito recebido logo após um jogo em que foi advertido com cartão amarelo, levantando novas suspeitas sobre sua possível participação no esquema de manipulação de partidas.
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A CPI prorrogou suas atividades por mais 45 dias para coletar novas provas e tentar obter os depoimentos dos jogadores. O objetivo da comissão é aprofundar as investigações e entender o funcionamento do esquema, identificando possíveis outros atletas envolvidos. Documentos bancários revelam um fluxo financeiro significativo entre intermediários e apostadores, o que reforça as suspeitas de que a manipulação já ocorre há anos, mas só agora começou a ser formalmente investigada.
Lucas Paquetá e os cartões amarelos sob suspeita na Premier League
A CPI tem analisado quatro partidas específicas da Premier League nas quais Lucas Paquetá recebeu cartões amarelos de maneira suspeita. Os jogos em questão foram contra Leicester City, Leeds United, Aston Villa e Bournemouth. Em todas essas partidas, foram registradas apostas volumosas relacionadas a penalidades disciplinares aplicadas ao meio-campista, com ganhos destinados a pessoas ligadas ao jogador. O que chama atenção é a coincidência entre os momentos das advertências e os padrões de apostas feitos em mercados alternativos.
Bruno Tolentino, tio de Lucas Paquetá, está no centro das investigações. Relatórios apontam que ele movimentou mais de R$ 839 mil em apostas suspeitas, sendo parte desse valor oriundo das advertências aplicadas ao jogador dentro de campo. Além disso, Tolentino realizou 258 transações bancárias com valores considerados incompatíveis com sua renda declarada. As autoridades agora buscam entender o grau de envolvimento do jogador e de seus familiares no esquema, já que o volume de apostas associadas a eventos específicos nas partidas levanta fortes indícios de manipulação.
A defesa de Paquetá alega que não há comprovação de que o atleta tenha manipulado cartões amarelos intencionalmente e reforça que a investigação conduzida pela Federação Inglesa será determinante para esclarecer os fatos. A CPI, no entanto, segue investigando e considera levar o caso para a esfera criminal no Brasil, o que pode resultar em punições ainda mais severas caso fique provada a fraude.
Luiz Henrique e a ligação com movimentações financeiras suspeitas
Luiz Henrique, atacante com passagem pelo Botafogo e atualmente no Zenit, da Rússia, também está na mira da CPI devido a transações bancárias consideradas atípicas. Um pagamento de R$ 30 mil foi identificado em sua conta logo após um jogo no qual recebeu um cartão amarelo. A origem do pagamento, que veio de Bruno Tolentino, reforça as suspeitas de que o atacante possa ter participado do mesmo esquema de manipulação investigado no caso de Paquetá.
Durante sua passagem pelo Real Betis, na Espanha, Luiz Henrique também recebeu cartões amarelos em momentos considerados suspeitos. Em fevereiro de 2023, por exemplo, ele foi advertido e, pouco tempo depois, registros financeiros indicaram movimentações bancárias relacionadas a intermediários do mercado de apostas esportivas. A CPI agora busca esclarecer se esses valores representam recompensas por participações em esquemas fraudulentos ou se há outra justificativa para as transações financeiras.
William Rogatto, o “Rei do Rebaixamento”, e sua prisão pela Interpol
Além dos jogadores, um dos principais investigados pela CPI é William Rogatto, conhecido no mundo das apostas como o “Rei do Rebaixamento”. Rogatto já confessou ter manipulado resultados de partidas e é acusado de fraudar o rebaixamento de pelo menos 42 clubes no Brasil, acumulando aproximadamente R$ 300 milhões em ganhos ilegais. Ele foi preso pela Interpol em Dubai e aguarda extradição para o Brasil. A CPI espera que seu depoimento traga informações detalhadas sobre como funciona o esquema de apostas ilegais e quem são os outros envolvidos.
A expectativa é que Rogatto forneça provas concretas sobre as operações ilícitas, incluindo registros de comunicação entre jogadores e apostadores. O senador Jorge Kajuru, presidente da CPI, afirmou que o investigado já se comprometeu a apresentar documentos e registros que podem levar a novas revelações sobre o esquema.
Punições propostas para casos de manipulação de apostas esportivas
Diante das evidências e da gravidade dos casos investigados, a CPI propôs uma série de medidas para endurecer a legislação sobre fraudes em apostas esportivas. Algumas das principais punições previstas incluem:
- Aumento da pena para crimes relacionados a manipulação de resultados, com possibilidade de reclusão de dois a seis anos;
- Criação de mecanismos avançados de monitoramento, incluindo parcerias com casas de apostas para rastrear padrões suspeitos;
- Reforço no controle de transações financeiras envolvendo jogadores e seus familiares, visando evitar disfarces de movimentações ilícitas;
- Proibição expressa de que jogadores profissionais participem de apostas esportivas, seja diretamente ou por meio de intermediários.
A CPI também estuda medidas para evitar novos escândalos, como a criação de uma agência independente de regulação do setor de apostas esportivas no Brasil.
O impacto do escândalo no futebol brasileiro e internacional
O caso trouxe um forte impacto para o futebol brasileiro e internacional. A possibilidade de Lucas Paquetá ser banido do futebol pela Federação Inglesa, além de investigações criminais no Brasil, pode comprometer sua carreira definitivamente. Luiz Henrique, que ainda está consolidando sua trajetória na Europa, também corre o risco de ver sua reputação abalada caso as acusações sejam confirmadas.
O episódio levanta um alerta global sobre a vulnerabilidade do futebol diante das apostas ilegais. Outros países já enfrentaram escândalos semelhantes. Na Itália, o caso “Calciopoli” resultou na rebaixamento da Juventus e na punição de diversos dirigentes. Na Espanha, investigações da La Liga revelaram manipulações em partidas de divisões inferiores.
Medidas para evitar novos casos de manipulação no futebol
Para evitar que novos escândalos como esse voltem a ocorrer, especialistas sugerem diversas medidas preventivas:
- Monitoramento constante dos padrões de apostas e identificação de movimentações atípicas;
- Implementação de tecnologia de rastreamento financeiro para detectar transferências suspeitas;
- Criação de uma entidade independente para regular as apostas esportivas no Brasil;
- Penalidades rigorosas para atletas e intermediários que forem flagrados participando de esquemas fraudulentos.
A CPI segue analisando provas e deve apresentar um relatório conclusivo nos próximos meses, podendo sugerir a criação de novas leis e recomendações para coibir fraudes no setor esportivo. O desdobramento do caso pode influenciar diretamente a regulamentação das apostas esportivas no Brasil.















