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Fortaleza e outras 71 cidades do Ceará enfrentam, desde a madrugada desta sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025, um cenário de chuvas intensas que transformaram ruas em rios e trouxeram transtornos à população. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta vermelho, classificado como de “grande perigo”, para essas localidades, destacando riscos como danos em edificações, quedas de árvores, cortes de energia, descargas elétricas, enxurradas e alagamentos. A capital cearense, em especial, registra vias inundadas em diversos bairros, casas alagadas e até um hospital público afetado, enquanto a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros permanecem em alerta para atender emergências. A intensidade das precipitações, que começaram na noite de quinta-feira, 27, é atribuída à aproximação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), sistema meteorológico que marca o início da quadra chuvosa no estado.

O alerta vermelho do Inmet abrange regiões como o Norte Cearense, Noroeste Cearense, Região Metropolitana de Fortaleza, Jaguaribe e Sertões Cearenses, impactando cidades como Sobral, Quixadá, Russas e Acaraú, além da capital. A previsão aponta para acumulados significativos de chuva ao longo do dia, com possibilidade de ventos fortes e raios, o que mantém a população em estado de vigilância. Em Fortaleza, imagens captadas por moradores revelam o caos em bairros como Barroso, Cidade dos Funcionários, Montese, Messejana, Benfica, Passaré e Praia de Iracema, onde o tráfego foi comprometido e a rotina alterada por alagamentos generalizados.

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A Defesa Civil de Fortaleza já emitiu comunicados orientando os moradores a evitar áreas de risco e a procurar abrigo seguro, enquanto equipes monitoram a situação em tempo real. O número 199 está disponível para emergências, assim como o 193 do Corpo de Bombeiros, que atua em conjunto para minimizar os impactos. A intensificação das chuvas, conforme a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), deve se manter ao menos até o fim da manhã, com possibilidade de pancadas isoladas ao longo do dia, agravadas pela umidade elevada e pela influência da ZCIT.

Transtornos e riscos em destaque

Alagamentos transformam ruas de Fortaleza em cenário de caos

Ruas alagadas, carros ilhados e pedestres enfrentando dificuldades para se locomover marcaram a manhã desta sexta-feira em Fortaleza. A chuva forte, acompanhada de raios, trovões e relâmpagos, começou na noite anterior e se intensificou durante a madrugada, resultando em inundações que afetaram desde vias principais até áreas residenciais. Bairros como Montese e Messejana registraram acúmulo de água em níveis que comprometeram o trânsito, enquanto na Praia de Iracema e no Benfica, moradores relataram a invasão de água em suas casas. Um hospital público da capital também foi atingido, com setores alagados, o que expôs a vulnerabilidade de infraestruturas essenciais diante de eventos climáticos extremos.

A situação reflete um padrão recorrente na capital cearense durante a quadra chuvosa, que vai de fevereiro a maio. Em 2024, por exemplo, Fortaleza acumulou 94,1% mais chuva do que o esperado para fevereiro, com 244 ocorrências atendidas pela Defesa Civil, incluindo alagamentos e desabamentos. Neste ano, a intensidade das precipitações já no início do período sugere um cenário desafiador, com a ZCIT atuando como principal catalisadora. A combinação de chuva intensa em curto intervalo de tempo e a impermeabilização do solo nas áreas urbanas agrava os problemas, dificultando a drenagem e aumentando o risco de enxurradas.

Alerta vermelho abrange 72 cidades cearenses

O alerta vermelho emitido pelo Inmet abrange 72 municípios do Ceará, indicando uma situação meteorológica de “intensidade excepcional”. Além de Fortaleza, cidades como Caucaia, Maracanaú, Sobral, Itapipoca, Quixadá e Russas estão na lista, enfrentando riscos semelhantes de alagamentos, quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia. A gravidade do aviso é reforçada pela possibilidade de grandes danos materiais e até ameaças à integridade física dos moradores, o que levou as autoridades a intensificarem as orientações para a população.

Entre as cidades afetadas, destacam-se aquelas da Região Metropolitana de Fortaleza, como Aquiraz, Eusébio e Horizonte, onde a proximidade com a capital amplia os impactos no tráfego e na economia local. No interior, localidades como Acaraú e Cruz, no Norte Cearense, e Morada Nova, no Jaguaribe, também enfrentam transtornos, com relatos de vias bloqueadas e dificuldades de acesso. A previsão de continuidade das chuvas ao longo do dia mantém os serviços de emergência em prontidão, com foco em áreas historicamente vulneráveis a inundações.

Contexto climático e medidas de segurança

Zona de Convergência Intertropical explica chuvas intensas

A intensificação das chuvas no Ceará neste 28 de fevereiro tem como principal causa a aproximação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), um sistema meteorológico que cruza o norte do Nordeste brasileiro e é responsável por grande parte das precipitações entre fevereiro e maio. A ZCIT, formada pela confluência de ventos alísios do Hemisfério Norte e Sul, provoca a formação de nuvens carregadas que descarregam volumes expressivos de água em curtos períodos. Neste ano, sua influência já se faz sentir desde o início da quadra chuvosa, com acumulados que superam as médias históricas em algumas regiões.

Em Fortaleza, a Funceme registrou, em eventos recentes, chuvas acima de 100 mm em menos de 24 horas, como ocorreu em maio de 2024, quando 40 ocorrências de alagamentos foram atendidas pela Defesa Civil. A previsão para hoje indica um cenário semelhante, com pancadas intensas concentradas na madrugada e manhã, seguidas de precipitações isoladas ao longo do dia. A umidade elevada, aliada ao calor típico da região, potencializa a formação de tempestades com raios e trovões, aumentando os riscos associados às descargas elétricas, que já causaram incidentes em anos anteriores.

Orientações para enfrentar os riscos das chuvas

Evitar áreas alagadas e buscar abrigo em locais seguros são algumas das principais recomendações das autoridades diante do alerta vermelho no Ceará. A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros divulgaram uma série de medidas para minimizar os impactos das chuvas intensas, especialmente em áreas urbanas densamente povoadas como Fortaleza. Os moradores são orientados a desligar aparelhos elétricos e o quadro geral de energia em caso de sinais de inundação, além de proteger documentos e objetos de valor em sacos plásticos para evitar perdas.

Confira algumas dicas práticas para enfrentar a situação:

  • Não transite por ruas inundadas, pois a água pode esconder buracos ou correntes fortes.
  • Evite áreas próximas a postes ou árvores altas durante tempestades com raios.
  • Em caso de enxurrada, procure pontos elevados e aguarde o nível da água baixar.
  • Mantenha-se informado sobre os alertas meteorológicos e siga as instruções das autoridades.

Essas orientações visam reduzir os riscos à população, que enfrenta não apenas os transtornos imediatos, mas também os desafios de longo prazo relacionados à adaptação urbana às mudanças climáticas.

Impactos e perspectivas para o dia

Cronograma das chuvas previstas para esta sexta-feira

As chuvas intensas que atingem o Ceará nesta sexta-feira, 28 de fevereiro, seguem um padrão típico da influência da ZCIT. Veja como o dia deve se desenrolar, segundo as previsões meteorológicas:

  • Manhã: Precipitações fortes a moderadas, com maior incidência em Fortaleza e Região Metropolitana.
  • Tarde: Pancadas isoladas, com possibilidade de ventos fortes em áreas do interior.
  • Noite: Redução gradual da intensidade, mas com chance de chuvas leves em todo o estado.

A tendência é que o volume de água diminua ao longo do dia, embora a instabilidade atmosférica permaneça até o fim de semana. Em Fortaleza, os maiores transtornos devem se concentrar nas primeiras horas, com alagamentos persistindo em áreas de drenagem deficiente.

Danos e respostas emergenciais em Fortaleza

Os relatos de alagamentos em Fortaleza já apontam para um dia de desafios logísticos e estruturais. Um hospital público na capital teve setores comprometidos pela água, evidenciando a fragilidade de equipamentos essenciais em situações extremas. Bairros como Passaré e Cidade dos Funcionários enfrentam dificuldades de acesso, com ruas transformadas em verdadeiros canais, enquanto o tráfego na BR-116 e outras vias importantes sofre lentidão devido à combinação de chuva e pontos de inundação.

A Defesa Civil mantém equipes mobilizadas desde a madrugada, atendendo chamados que vão desde alagamentos residenciais até riscos de desabamento. Em eventos anteriores, como o de 19 de fevereiro de 2024, quando uma chuva de 90,5 mm causou um desabamento fatal no Cais do Porto, a resposta rápida foi essencial para evitar tragédias maiores. Hoje, a prioridade é garantir a segurança dos moradores e restabelecer a normalidade nas áreas mais afetadas, enquanto o Corpo de Bombeiros atua em situações de emergência, como resgates em locais de difícil acesso.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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