São Paulo

Colorado do Brás abre desfiles do Grupo Especial em São Paulo com homenagem marcante

Escola de Samba
Foto: Escola de Samba - Reprodução TV Globo
Compartilhar

A noite de 28 de fevereiro no Sambódromo do Anhembi foi palco de um espetáculo vibrante que deu início aos desfiles do Grupo Especial do carnaval de São Paulo em 2025. Sob um calor intenso, milhares de foliões lotaram as arquibancadas para acompanhar as sete escolas que cruzaram a avenida, trazendo enredos ricos em cultura, fé e emoção. A Colorado do Brás, celebrando 50 anos de história, abriu a sequência com uma homenagem ao afoxé Filhos de Gandhy, bloco icônico de Salvador, enquanto Dragões da Real, Mancha Verde e Rosas de Ouro se destacaram como os grandes momentos da noite, impressionando com criatividade e energia. Barroca Zona Sul, Acadêmicos do Tatuapé e Camisa Verde e Branco completaram o primeiro dia, cada uma com sua identidade marcante, apesar de pequenos contratempos técnicos.

Comemorando seu retorno ao Grupo Especial após dois anos no Grupo de Acesso, a Colorado do Brás trouxe um desfile impecável, finalizado dentro do tempo máximo de 65 minutos. O enredo “Afoxé Filhos de Gandhy, no ritmo da fé” levou à avenida a história do bloco baiano fundado na década de 1940, com referências ao pacifismo de Mahatma Gandhi e à cultura afro-brasileira. A comissão de frente, representando os estivadores que deram origem ao afoxé, e o carro abre-alas, com esculturas de elefantes e figuras como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Clara Nunes, encantaram o público presente.

Já a Barroca Zona Sul enfrentou desafios, mas conseguiu atravessar o Anhembi com um enredo poderoso sobre Iansã, a orixá dos ventos e tempestades. Um problema em um dos carros alegóricos na concentração gerou um espaço entre as alas, o que pode impactar sua pontuação no quesito evolução. Apesar disso, a escola manteve a animação, com Juju Salimeni brilhando como rainha de bateria e uma comissão de frente que simbolizou a transformação espiritual, deixando um rastro perfumado na avenida.

Dragões da Real encanta com poesia em forma de samba

No coração da noite, a Dragões da Real, vice-campeã de 2024, consolidou-se como um dos pontos altos do primeiro dia de desfiles. Inspirada na música “Aquarela”, de Toquinho e Vinicius de Moraes, a escola apresentou o enredo “A vida é um sonho pintado em aquarela!”, transformando a avenida em um quadro vivo de cores e emoções. Completando 25 anos em março, a agremiação tricolor – vermelha, preta e branca – trouxe alegorias detalhadas e uma evolução impecável, arrancando aplausos do público.

A Mancha Verde, bicampeã recente, também brilhou ao levar para o Sambódromo uma celebração das festas carnavalescas da Bahia. Sob o enredo “Com Bahia, da fé ao profano”, a escola explorou a mistura de religiosidade e alegria que marca a cultura baiana, com alas que remetiam a ritmos como o axé e a figuras emblemáticas do carnaval nordestino. A bateria, com 250 ritmistas, foi um dos destaques, mantendo o ritmo acelerado que empolgou as arquibancadas durante todo o desfile.

Rosas de Ouro, por sua vez, apostou em um tema inusitado e cativante: os jogos de sorte. Com o enredo “A sorte é cega, mas a vitória não”, a escola da zona norte de São Paulo abordou a relação da sociedade com a busca pela fortuna, desde apostas tradicionais até a esperança em dias melhores. As fantasias, repletas de detalhes como dados e cartas, somadas às alegorias grandiosas, fizeram do desfile um dos mais comentados da noite, encerrando sua passagem às 4h25 com um público ainda vibrante.

Cronograma dos desfiles: a noite em detalhes

Os horários precisos marcaram o ritmo do primeiro dia de apresentações no Anhembi. Cada escola teve entre 55 e 65 minutos para cruzar os 530 metros da avenida, e todas cumpriram o tempo estipulado pela Liga das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP). A seguir, o calendário da primeira noite:

  • 23h: Colorado do Brás
  • 0h05: Barroca Zona Sul
  • 1h10: Dragões da Real
  • 2h15: Mancha Verde
  • 3h20: Acadêmicos do Tatuapé
  • 4h25: Rosas de Ouro
  • 5h30: Camisa Verde e Branco

A organização do evento garantiu que os intervalos entre os desfiles fossem mínimos, mantendo a energia do público em alta mesmo nas primeiras horas da manhã. A transmissão ao vivo no canal da Liga-SP no YouTube permitiu que foliões de todo o Brasil acompanhassem a festa, ampliando o alcance do carnaval paulistano.

Homenagens e emoção na avenida do samba

Acadêmicos do Tatuapé levou à avenida um desfile carregado de emoção ao abordar o luto e a resiliência. Com fantasias em tons sóbrios e alegorias que simbolizavam a superação, a escola homenageou aqueles que enfrentam perdas, conectando-se com o público de forma sensível. A passagem, iniciada às 3h20, foi marcada por uma evolução coesa e um samba-enredo que tocou os corações dos presentes, reforçando a tradição da agremiação em narrativas profundas.

Camisa Verde e Branco, última escola da noite, entrou no Sambódromo às 5h30 com um enredo que exaltava a cultura negra e suas contribuições ao carnaval. Apesar do horário avançado, os componentes mostraram disposição, com alas bem ensaiadas e uma bateria que levantou as arquibancadas. O desfile encerrou a primeira noite já com o sol nascendo, deixando uma impressão positiva para os jurados e os foliões que resistiram até o final.

Enquanto isso, a Barroca Zona Sul, mesmo com o imprevisto técnico, destacou-se pela força de seu enredo. A escolha por não realizar o recuo da bateria – uma estratégia comum para exibir os ritmistas – foi arriscada, mas a escola compensou com a energia de seus 210 integrantes e a presença marcante de Juju Salimeni, que desfilou representando Iansã com uma fantasia imponente.

Destaques visuais e técnicos do primeiro dia

Os carros alegóricos foram um show à parte na abertura do Grupo Especial. A Colorado do Brás impressionou com sua última alegoria, que trouxe o Pelourinho de Salvador e uma pomba branca simbolizando a paz, borrifando alfazema na plateia. Dragões da Real apostou em efeitos visuais que remetiam a pinceladas de aquarela, enquanto a Mancha Verde trouxe esculturas que celebravam a Bahia, como representações de orixás e elementos do carnaval de rua.

A Rosas de Ouro surpreendeu com alegorias que simulavam mesas de jogos e roletas, reforçando o tema da sorte. Já a Acadêmicos do Tatuapé optou por uma abordagem minimalista, mas impactante, com estruturas que representavam velas e memoriais. Camisa Verde e Branco fechou a noite com carros que exaltavam a ancestralidade africana, incluindo figuras históricas e símbolos de resistência.

Barroca Zona Sul, apesar do problema com o segundo carro, trouxe uma alegoria perfumada que simbolizava os ventos de Iansã, criando uma experiência sensorial única. O incidente na concentração não comprometeu a estética do desfile, mas o espaço entre as alas pode ser um fator decisivo na apuração das notas, prevista para 4 de março.

Curiosidades dos desfiles do Grupo Especial

Alguns detalhes chamaram a atenção no primeiro dia de apresentações no Anhembi. Confira os principais momentos:

  • A Colorado do Brás incluiu um muso, Luca Ferreira, que representou os mistérios marinhos em uma ala especial, destacando-se pela fantasia detalhada.
  • Juju Salimeni, rainha da Barroca Zona Sul, usou uma fantasia com mais de 5 metros de altura, simbolizando a grandiosidade de Iansã.
  • Dragões da Real celebrou seus 25 anos com uma ala de crianças vestidas como artistas, pintando a avenida com pincéis gigantes.
  • Mancha Verde trouxe 250 ritmistas na bateria, um dos maiores números da noite, mantendo o ritmo contagiante do começo ao fim.

Esses elementos reforçaram a diversidade e a criatividade das escolas, que buscaram conectar-se com o público por meio de histórias visuais e performances marcantes.

Segundo dia promete mais emoção no Anhembi

Com o sucesso da primeira noite, as expectativas estão altas para o segundo dia de desfiles, que acontece entre 1º e 2 de março. Sete escolas subirão à avenida, começando com a Águia de Ouro às 22h30, seguida por Império da Casa Verde, Mocidade Alegre, Gaviões da Fiel, Acadêmicos do Tucuruvi, Estrela do Terceiro Milênio e Vai-Vai. Cada agremiação trará enredos únicos, como homenagens a Cazuza e reflexões sobre a espiritualidade, prometendo manter o nível elevado da competição.

A apuração das notas, marcada para terça-feira, 4 de março, definirá a campeã do Grupo Especial de 2025. Os jurados avaliarão nove quesitos, incluindo bateria, harmonia, evolução e enredo, descartando a menor nota de cada escola. O desfile das campeãs, agendado para 8 de março, reunirá as cinco primeiras colocadas, além das vencedoras dos Grupos de Acesso, fechando o carnaval paulistano com chave de ouro.

Milhares de pessoas são esperadas novamente no Sambódromo, que se consolida como o epicentro da folia em São Paulo. A combinação de organização, talento e paixão exibida na primeira noite sinaliza que o carnaval de 2025 já está entre os mais memoráveis da história da cidade.

Compartilhar

Mais notícias em São Paulo

Veja mais