O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, oficializou em 3 de setembro de 2026 a demissão do deputado federal Carlos Alberto Da Cunha, membro do União Brasil, de seu cargo como delegado da Polícia Civil.
Decisão do governo de São Paulo após processo administrativo
A publicação da exoneração ocorreu no Diário Oficial de São Paulo. O governo estadual confirmou que as acusações levantadas contra o parlamentar, que foram investigadas em um processo administrativo, foram consideradas procedentes.
No entanto, o texto do despacho não detalha quais foram as ações específicas que resultaram nas infrações. O Mix Vale buscou contato com o deputado para obter um posicionamento, mas não recebeu resposta até o momento, mantendo o espaço aberto para sua manifestação.
Atualmente, Da Cunha está afastado de suas funções como delegado devido à sua eleição como deputado federal em 2022, quando obteve 181,5 mil votos. Em uma entrevista concedida ao podcast Flow, ele havia mencionado que, se não fosse reeleito, teria a possibilidade de retornar à Polícia Civil.
O deputado já enfrentou acusações de encenar e filmar prisões de reféns e sequestradores. Para registrar essas operações, ele teria contratado até mesmo um cineasta, levantando questionamentos sobre a conduta policial.
A Corregedoria da Polícia Civil chegou a indiciá-lo por suspeita de peculato, caracterizado pelo uso indevido de bens ou cargo público para benefício próprio. A investigação indicava que Da Cunha utilizava a estrutura da corporação para alimentar seu canal monetizado no YouTube. Contudo, a Justiça de São Paulo arquivou o processo posteriormente.
Em consequência dessas alegações, o delegado foi temporariamente afastado de suas funções pela Polícia Civil e teve sua arma institucional apreendida. Na ocasião, ele reconheceu ter “cometido” erros, sem especificar quais seriam.
Acusações de agressão feitas por ex-namorada
Em 14 de outubro de 2023, Betina Grusiéck, ex-namorada de Da Cunha, formalizou um boletim de ocorrência por agressão contra ele. Uma gravação, divulgada publicamente, revela o delegado proferindo ofensas à companheira. Na gravação, Da Cunha teria dito: “Pode parar, senão vou te matar aqui. Desmaia aí”.
Betina relatou que perdeu a consciência depois de ser alvo de diversos golpes. Ela descreveu que ele bateu a cabeça dela contra a parede e a enforcou. O registro policial indica que Da Cunha havia ingerido bebida alcoólica, iniciando uma discussão e desrespeitando a honra da parceira.
O relacionamento do casal, que durou três anos em união estável, foi marcado por tensões. Na ocasião, Da Cunha negou ter agredido Betina, alegando que ela praticava muay thai e que, na verdade, ele próprio estava ferido.
O advogado Eugênio Malavasi, responsável pela defesa de Da Cunha, afirmou que o cliente admite as agressões verbais, mas nega qualquer agressão física contra a ex-companheira. A defesa argumenta que os exames realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) não encontraram lesões ou marcas em regiões sensíveis como o rosto e o pescoço, o que, segundo o defensor em nota, “corrobora que a acusação de agressão física não se sustenta”.
