Papa Francisco completa 3 semanas internado com quadro estável, diz Vaticano

Papa Francisco

Papa Francisco - Foto: Alessia Pierdomenico / Shutterstock.com

Papa Francisco completa 3 semanas internado com quadro estável, diz Vaticano

O Papa Francisco, líder dos 1,4 bilhão de católicos no mundo, completou três semanas internado no Hospital Gemelli, em Roma, neste sábado, 8 de março de 2025, enfrentando uma pneumonia bilateral que mantém o Vaticano e os fiéis em alerta desde 14 de fevereiro. Aos 88 anos, o pontífice passou mais uma noite tranquila e segue descansando, conforme divulgado pela Santa Sé no início da madrugada, horário de Brasília, com sua condição clínica descrita como “estável dentro de um quadro complexo”. Internado inicialmente por uma bronquite que evoluiu para uma infecção respiratória grave, Francisco alterna entre oxigenoterapia de alto fluxo durante o dia e ventilação mecânica não invasiva à noite, além de realizar fisioterapia respiratória para fortalecer os pulmões. Na sexta-feira, dia 7, ele deixou o quarto por 20 minutos para orar na capela próxima e trabalhou brevemente, demonstrando resiliência apesar da fragilidade de seu estado. O Vaticano, que rompeu um tabu histórico ao divulgar boletins médicos diários detalhados, informou que um novo comunicado será emitido ainda hoje, enquanto o prognóstico segue reservado devido à complexidade do tratamento.

A internação, a mais longa desde o início de seu papado em 2013, começou após dificuldades respiratórias que se agravaram rapidamente, levando ao diagnóstico de pneumonia nos dois pulmões. Em 2024, Francisco já havia enfrentado problemas de saúde, como uma cirurgia no cólon em 2021 e dores ciáticas que o obrigaram a usar cadeira de rodas desde 2022, mas a atual crise respiratória é considerada a mais severa até o momento. Na quinta-feira, dia 6, o Vaticano divulgou um áudio inédito do pontífice, com a voz fraca e ofegante, agradecendo as orações dos fiéis que se reúnem diariamente na Praça São Pedro: “Agradeço do fundo do coração as orações que vocês fazem pela minha saúde. Eu as acompanho daqui.” A mensagem, gravada no Hospital Gemelli, reflete o esforço do Papa em manter sua conexão espiritual com a comunidade católica, mesmo sob cuidados intensivos.

A estabilidade recente, sem febre ou crises respiratórias desde segunda-feira, dia 3, trouxe alívio após um período crítico que incluiu dois episódios de insuficiência respiratória aguda e broncoespasmos. Apesar disso, os médicos mantêm cautela, ajustando terapias diariamente para um paciente com histórico de problemas pulmonares – aos 21 anos, Francisco teve parte do pulmão direito removido devido a uma infecção grave. Enquanto o mundo acompanha sua recuperação, vigílias noturnas na Praça São Pedro e missas especiais no hospital reforçam a solidariedade global com o primeiro papa latino-americano.

Tratamento intensivo no Hospital Gemelli

Francisco tem recebido um tratamento multidisciplinar no Hospital Gemelli, um dos maiores centros médicos católicos da Itália, com mais de 1,5 mil leitos. O protocolo inclui oxigenoterapia de alto fluxo, administrada por cânulas nasais durante o dia, e ventilação mecânica não invasiva à noite, utilizando uma máscara que auxilia a respiração sem a necessidade de intubação. A fisioterapia respiratória, intensificada nos últimos dias, visa melhorar a capacidade pulmonar e evitar complicações como acúmulo de muco, que já desencadeou crises como a de 28 de fevereiro, quando o Papa sofreu broncoespasmo e vômito com aspiração.

Na sexta-feira, dia 7, o Vaticano destacou que o pontífice permaneceu vigilante e orientado, colaborando ativamente com as terapias. Ele se alimentou sozinho e, além da breve visita à capela, dedicou parte do dia a orações e atividades leves de trabalho, como leitura e telefonemas. A estabilidade dos exames de sangue e a ausência de febre desde o início da semana indicam uma resposta positiva ao tratamento, mas a pneumonia bilateral, agravada por condições preexistentes como bronquiectasia e bronquite asmática, exige monitoramento contínuo.

Histórico de saúde do pontífice

O Papa Francisco carrega uma trajetória de desafios médicos que se intensificaram nos últimos anos. Aos 21 anos, na Argentina, ele passou por uma cirurgia para remover o lobo superior do pulmão direito devido a uma pneumonia grave com três cistos, o que reduziu permanentemente sua capacidade respiratória. Em 2021, enfrentou uma cirurgia no cólon para tratar diverticulite, ficando internado por dez dias, e desde 2022 usa cadeira de rodas por causa de dores ciáticas e problemas no joelho. Apesar dessas limitações, manteve uma agenda intensa, com viagens internacionais e eventos do Jubileu de 2025 em preparação.

A atual internação começou em 14 de fevereiro, quando sintomas de bronquite evoluíram para uma infecção polimicrobiana, diagnosticada como pneumonia bilateral em 18 de fevereiro. Desde então, o quadro passou por altos e baixos, com crises respiratórias em 22 e 28 de fevereiro exigindo transfusões de sangue e oxigenoterapia intensiva. A leve melhora registrada desde o fim de fevereiro, com retrocesso de uma insuficiência renal detectada na semana anterior, trouxe otimismo, mas a complexidade da situação mantém os médicos cautelosos.

Momentos críticos e recuperação

O tratamento de Francisco enfrentou desafios significativos nas últimas três semanas. Em 22 de fevereiro, uma crise asmática prolongada deixou seu estado crítico, exigindo terapia de alto fluxo de oxigênio e transfusões devido a anemia e plaquetopenia. Na sexta-feira, dia 28, outro episódio de broncoespasmo com vômito agravou o quadro, mas a rápida intervenção com broncoaspiração e ventilação mecânica estabilizou as trocas gasosas. Desde segunda-feira, dia 3, quando sofreu duas crises de insuficiência respiratória aguda, não houve novas intercorrências, permitindo uma pausa nos boletins diários até este sábado, dia 8.

A ausência de febre e a colaboração ativa do Papa com a fisioterapia motora e respiratória são sinais positivos. Na quinta-feira, dia 6, ele intensificou as sessões de fisioterapia, passou o dia em uma poltrona e realizou ligações, incluindo uma ao padre Gabriel Romanelli, da Sagrada Família de Gaza, mantendo sua rotina espiritual. A estabilidade atual sugere uma evolução favorável, mas o prognóstico reservado reflete a incerteza sobre a duração da recuperação.

Cronograma da internação do Papa

A internação de Francisco seguiu uma sequência de eventos desde 14 de fevereiro. Veja os principais marcos:

  • 14 de fevereiro: Internação no Hospital Gemelli por bronquite.
  • 18 de fevereiro: Diagnóstico de pneumonia bilateral confirmado.
  • 22 de fevereiro: Crise asmática exige transfusões e oxigenoterapia intensiva.
  • 28 de fevereiro: Broncoespasmo com vômito agrava o quadro, tratado com ventilação.
  • 3 de março: Duas crises de insuficiência respiratória aguda, sem febre posterior.
  • 6 de março: Áudio divulgado com mensagem de agradecimento aos fiéis.
  • 8 de março: Boletim médico confirma estabilidade e ausência de crises.

O próximo boletim, previsto para hoje, dia 8, atualizará o estado do pontífice após três semanas de cuidados intensivos.

Reação dos fiéis e do Vaticano

A saúde de Francisco mobilizou a comunidade católica global. Na Praça São Pedro, vigílias noturnas reúnem centenas de fiéis diariamente desde o início da internação, com orações lideradas por cardeais como Pietro Parolin e Claudio Gugerotti. No Hospital Gemelli, a capela João Paulo II tornou-se um ponto de peregrinação, com flores, velas e desenhos acumulados na entrada, mesmo sob chuva. Em 2024, cerca de 1,2 milhão de peregrinos visitaram o Vaticano, e a ausência prolongada do Papa intensificou a solidariedade.

No Vaticano, a rotina foi ajustada. A suspensão de eventos como a missa dominical na Praça São Pedro e a audiência geral de quarta-feira reflete a gravidade da situação, enquanto departamentos ligados às atividades papais operam em modo reduzido. A transparência inédita nos boletins médicos, ordenada pelo próprio Francisco, contrasta com o silêncio histórico sobre a saúde de papas como João Paulo II, cujo Parkinson só foi confirmado em 2003, e busca conter rumores em tempos de desinformação nas redes sociais.

Curiosidades sobre o quadro de saúde

A internação de Francisco revela aspectos únicos de seu tratamento e história:

  • Ele é o primeiro papa a divulgar um áudio durante uma internação, em 6 de março.
  • A pneumonia bilateral atual é a mais grave desde a cirurgia pulmonar aos 21 anos.
  • Apesar da fragilidade, Francisco manteve atividades como oração e trabalho no hospital.

Esses detalhes destacam sua determinação e o esforço do Vaticano em manter a transparência.

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