Evite esses 5 hábitos que sabotam seu sono e descubra como dormir melhor

Sono Ruim

Sono Ruim - Foto: IKmpzzz/shutterstock.com

Uma boa noite de sono é essencial para manter o corpo e a mente em equilíbrio, mas a correria da vida moderna muitas vezes transforma esse momento em um desafio diário. Dormir bem não é apenas uma questão de fechar os olhos; envolve hábitos que, quando mal ajustados, podem prejudicar a qualidade do descanso. Ansiedade, estresse e até escolhas aparentemente inofensivas, como tomar uma taça de vinho ou ficar no celular, acabam atrapalhando o objetivo de uma noite reparadora. Monica Andersen, diretora de Ensino e Pesquisa do Instituto do Sono, alerta que algumas práticas comuns, feitas com a intenção de relaxar, têm efeito contrário e comprometem o bem-estar.

A especialista explica que o sono é um pilar da saúde, tão importante quanto alimentação e exercícios físicos. No entanto, muitas pessoas, sem perceber, adotam rotinas que dificultam o descanso profundo, essencial para a recuperação do organismo. Dados recentes mostram que mais de 70% dos brasileiros enfrentam problemas de sono, o que reflete a necessidade de rever comportamentos do dia a dia.

Com base em estudos e na experiência clínica, é possível identificar atitudes que, embora pareçam ajudar, na verdade sabotam a qualidade do sono. A seguir, exploramos os cinco erros mais comuns e como evitá-los para garantir noites mais tranquilas e restauradoras.

Por que o sono é tão importante para a saúde

O sono desempenha um papel crucial na regulação do corpo humano, influenciando desde o humor até o sistema imunológico. Durante a noite, o organismo realiza funções como reparo de tecidos, consolidação de memórias e equilíbrio hormonal. Quando esse processo é interrompido, os efeitos aparecem rapidamente: irritabilidade, dificuldade de concentração e até maior propensão a doenças crônicas, como diabetes e problemas cardíacos. Monica Andersen destaca que a privação de sono, seja por poucas horas ou pela má qualidade, quebra a homeostase, o equilíbrio interno que mantém o corpo funcionando adequadamente.

Estudos apontam que adultos precisam, em média, de sete a oito horas de sono por noite, mas a realidade está longe disso. Uma pesquisa do Instituto do Sono revelou que os paulistanos dormem cerca de seis horas e meia, evidenciando uma epidemia de sono insuficiente nas grandes cidades. Esse déficit acumulado gera consequências que vão além do cansaço, afetando a produtividade e a qualidade de vida.

A vida moderna, com suas telas brilhantes, agendas lotadas e estímulos constantes, dificulta a criação de uma rotina favorável ao descanso. Por isso, entender o que prejudica o sono é o primeiro passo para ajustar hábitos e priorizar a saúde a longo prazo.

Hábitos que você deve abandonar antes de dormir

Muitas pessoas recorrem a estratégias que acreditam facilitar o sono, mas que, na prática, têm o efeito oposto. Monica Andersen lista cinco atitudes comuns que atrapalham o descanso e explica por que elas devem ser evitadas.

Consumir bebidas alcoólicas antes de dormir é um dos erros mais frequentes. Embora o álcool cause sonolência inicial, ele reduz o sono REM, a fase mais profunda e restauradora. Isso significa que, mesmo dormindo, o corpo não descansa como deveria, resultando em fadiga no dia seguinte. A especialista enfatiza que a qualidade do sono fica comprometida, o que pode ser “extremamente prejudicial” à saúde.

Outro hábito comum é ficar no celular ou em outros dispositivos eletrônicos até tarde. A luz azul das telas inibe a produção de melatonina, o hormônio que regula o sono, enquanto o conteúdo consumido ativa o cérebro. A busca por informações ou a rolagem nas redes sociais cria um ciclo de expectativa e gratificação que mantém a mente alerta, dificultando o relaxamento. Parar de usar esses aparelhos pelo menos duas horas antes de dormir é uma recomendação essencial.

Conversas e refeições: armadilhas noturnas

Ir para a cama e ficar conversando, seja com um parceiro ou por chamada, pode parecer relaxante, mas nem sempre é uma boa ideia. Discussões ou temas que geram estresse, como resolver problemas pessoais à noite, elevam os níveis de ansiedade e nervosismo. Monica Andersen é categórica: “DR à noite não se faz”. O ideal é reservar a cama apenas para o sono e atividades relaxantes, evitando conflitos que possam manter o cérebro em estado de alerta.

Comer muito antes de dormir também é um equívoco comum. Para alguns, uma refeição pesada induz sonolência, mas o processo digestivo pode interferir no descanso. Alimentos gordurosos ou ricos em carboidratos, como pizzas e churrascos, exigem mais esforço do corpo, o que atrapalha o relaxamento necessário para uma boa noite de sono. A dica é optar por refeições leves, com saladas e proteínas magras, pelo menos duas a três horas antes de deitar.

Esses hábitos, embora enraizados na rotina de muitas pessoas, criam barreiras para o sono de qualidade. Ajustá-los pode fazer uma diferença significativa na forma como o corpo e a mente se recuperam durante a noite.

O mito de recuperar o sono no fim de semana

Depois de uma semana exaustiva, é tentador usar o sábado e o domingo para dormir até tarde e “compensar” as noites mal dormidas. No entanto, essa prática não resolve o problema. Monica Andersen explica que, embora ajude a aliviar o cansaço momentaneamente, o mais importante é manter a regularidade durante a semana. Dormir poucas horas de segunda a sexta cria uma dívida de sono que não pode ser totalmente quitada em dois dias.

A irregularidade nos horários de dormir e acordar desregula o relógio biológico, conhecido como ritmo circadiano. Isso afeta a liberação de hormônios e a temperatura corporal, tornando o descanso menos eficiente. Para quem dorme seis horas por noite durante a semana, quando o ideal seria oito, o déficit ao final de cinco dias chega a dez horas – equivalente a mais de uma noite inteira perdida.

Manter um horário fixo para deitar e levantar, mesmo nos fins de semana, é a melhor forma de garantir que o corpo entre em sintonia com suas necessidades naturais. Pequenos ajustes na rotina diária valem mais do que maratonas de sono esporádicas.

Impactos de um sono ruim no dia a dia

Dormir mal não é apenas uma questão de acordar cansado; os efeitos se espalham por diversas áreas da vida. A privação de sono, seja aguda ou crônica, altera o equilíbrio do organismo e traz consequências imediatas e a longo prazo. Entre os principais impactos estão a oscilação de humor, com mais irritabilidade e impulsividade, e a redução da capacidade de foco e memória, o que compromete o desempenho no trabalho ou nos estudos.

A saúde física também sofre. Noites mal dormidas aumentam a sensibilidade à dor, elevam o risco de problemas cardiovasculares e sexuais e tornam o corpo mais suscetível a doenças. Um estudo da Universidade Federal de São Paulo mostrou que dormir menos de seis horas reduz a atividade de células do sistema imunológico, deixando o organismo vulnerável a infecções. Além disso, a falta de sono está associada a maior propensão a diabetes e obesidade, já que interfere na regulação hormonal do apetite.

Problemas emocionais, como ansiedade e depressão, podem tanto causar quanto ser agravados por um sono de baixa qualidade. Para Monica Andersen, identificar e tratar essas questões é fundamental, pois existem soluções específicas, como medicamentos e medidas complementares, dependendo do tipo de distúrbio, seja insônia de início, manutenção ou despertar precoce.

Dicas práticas para melhorar o sono

Adotar uma rotina que favoreça o descanso requer mudanças simples, mas consistentes. Aqui estão algumas estratégias eficazes para transformar suas noites:

  • Evite cafeína após o meio da tarde, pois ela pode permanecer no organismo por até seis horas, afetando o sono.
  • Crie um ambiente tranquilo, com pouca luz e silêncio, para sinalizar ao cérebro que é hora de relaxar.
  • Estabeleça horários regulares para dormir e acordar, mesmo nos fins de semana.
  • Prefira atividades relaxantes antes de deitar, como leitura ou música calma, evitando telas e discussões.
  • Faça refeições leves à noite, deixando um intervalo de pelo menos duas horas antes de ir para a cama.

Essas ações ajudam a preparar o corpo e a mente para o descanso, promovendo um sono mais profundo e reparador.

Como encontrar o que funciona para você

Nem todo mundo relaxa da mesma forma, e isso também vale para o sono. Monica Andersen reforça que as estratégias devem ser personalizadas. Enquanto alguns se beneficiam de ler um livro, outros podem preferir ouvir música – do clássico ao rock pesado – desde que induza bem-estar. O importante é identificar o que funciona individualmente e incorporá-lo à rotina.

Testar diferentes abordagens pode levar tempo, mas vale o esforço. Para quem enfrenta dificuldades persistentes, como insônia ou apneia, buscar ajuda especializada é uma opção. Exames como a polissonografia ajudam a diagnosticar distúrbios e orientar tratamentos adequados, garantindo noites mais proveitosas.

A chave está em ouvir o próprio corpo e ajustar os hábitos gradualmente, priorizando consistência e relaxamento. Dormir bem é um investimento na saúde que reflete em todos os aspectos da vida.

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