Caso Igor Peretto: audiência de suspeitos por assassinato em Praia Grande é adiada para 7 de maioPor Beatriz
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A investigação sobre o assassinato de Igor Peretto, comerciante de 27 anos esfaqueado em agosto de 2024, ganhou novo capítulo nesta semana. Na última quinta-feira, dia 20 de março, os principais suspeitos do crime — Rafaela Costa, viúva da vítima, Marcelly Peretto, irmã de Igor, e Mario Vitorino, cunhado e suposto executor — participaram de uma audiência de instrução no Fórum de Praia Grande, no litoral paulista. O encontro, que reuniu testemunhas e autoridades, buscava avançar no processo que apura o homicídio motivado por um suposto triângulo amoroso. Contudo, devido à quantidade de testemunhas a serem ouvidas e à ausência de algumas delas, o juiz responsável determinou a continuidade do julgamento para o dia 7 de maio, prolongando a espera por respostas definitivas sobre o caso que chocou a região da Baixada Santista.
O crime, ocorrido no apartamento de Marcelly, no bairro Canto do Forte, teve como pano de fundo a descoberta de uma traição por parte de Rafaela, esposa de Igor, que mantinha relações extraconjugais com Mario Vitorino. A denúncia do Ministério Público aponta que os três suspeitos planejaram a morte do comerciante, considerando-o um obstáculo em suas relações pessoais. Durante a audiência, quatro testemunhas e o delegado responsável pelo inquérito prestaram depoimento, mas o volume de informações e a complexidade do caso exigiram mais tempo para análise, adiando decisões cruciais.
A família de Igor, representada pelo irmão e vereador de São Vicente, Tiago Peretto, acompanha o processo de perto e clama por justiça. A sessão foi marcada por tensão, com relatos de provocações de Mario Vitorino ao chegar ao fórum, o que intensificou a revolta dos presentes. Enquanto isso, as defesas dos acusados trabalham para apresentar suas versões e influenciar o rumo do julgamento, que pode levar o trio a júri popular.
- Principais suspeitos: Rafaela Costa, Marcelly Peretto e Mario Vitorino.
- Data do crime: 31 de agosto de 2024.
- Local: Apartamento de Marcelly, em Praia Grande.
- Motivação apontada: Triângulo amoroso e traição.
Suspeitos enfrentam audiência sob forte expectativa
A chegada dos três acusados ao Fórum de Praia Grande na manhã de quinta-feira foi registrada em vídeos que circularam amplamente nas redes sociais. Mario Vitorino, escoltado por policiais, foi flagrado fazendo gestos com as mãos que o irmão de Igor, Tiago Peretto, associou a uma facção criminosa, além de exibir um sorriso que foi interpretado como deboche. O comportamento gerou indignação entre familiares e populares que acompanhavam o caso do lado de fora do prédio, elevando a tensão em torno do processo.
Rafaela Costa e Marcelly Peretto, por sua vez, mantiveram-se em silêncio durante o trajeto até o fórum. A audiência, que começou pela manhã e se estendeu até o fim da tarde, ouviu quatro testemunhas de acusação e o delegado responsável pela investigação inicial. Mario Badures, advogado de Vitorino, descreveu o dia como produtivo para a defesa, destacando que os depoimentos foram analisados e que pedidos específicos serão avaliados pelo juiz nos próximos dias. Ele evitou detalhar as estratégias, mas reforçou que ainda não há decisão final.
Leandro Weissmann, defensor de Marcelly, mostrou otimismo em relação ao futuro da cliente. Segundo ele, as testemunhas ouvidas até o momento não apresentaram provas diretas que incriminem a irmã de Igor, o que pode fortalecer a tese de que ela não participou ativamente do crime. A defesa de Rafaela, representada por Marcelo Cruz, não se pronunciou até o fechamento da sessão, deixando em aberto como a viúva pretende rebater as acusações de participação no planejamento do homicídio.
Ao vivo no #BalançoGeral: CASO IGOR PERETTO – irmã, esposa e cunhado passam pela primeira audiência e família da vítima pede justiça
— Balanço Geral (@balancogeral) March 21, 2025
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Cronologia detalhada dos eventos no dia do crime
O assassinato de Igor Peretto foi minuciosamente reconstruído por câmeras de segurança e depoimentos colhidos durante a investigação. Os registros mostram os movimentos dos suspeitos e da vítima nas horas que antecederam o crime, oferecendo uma linha do tempo que embasa a denúncia do Ministério Público. Confira os principais momentos:
- 04:32:38: Marcelly e Rafaela chegam ao prédio de Marcelly em um carro.
- 05:40:17: Rafaela deixa o apartamento sozinha.
- 05:42:40: Mario e Igor chegam juntos ao prédio.
- 06:04:31: Mario e Marcelly saem do apartamento pelas escadas após o homicídio.
- 06:05:25: Os dois fogem em direção ao apartamento de Mario.
- 08:48:00: Encontro com Rafaela em um posto na Rodovia Governador Carvalho Pinto.
- 09:47:42: Trio chega a Campos do Jordão, onde Marcelly retorna a Praia Grande.
Essa sequência de eventos sugere que o crime foi premeditado, com Rafaela aguardando o desfecho para auxiliar na fuga. A faca usada no ataque, encontrada coberta de sangue no banheiro do apartamento, tinha 36 centímetros de comprimento e apresentava a ponta ligeiramente entortada, indicando a força empregada contra Igor.
Depoimentos e estratégias das defesas
A audiência de instrução trouxe à tona as versões conflitantes apresentadas pelos suspeitos e suas defesas. Mario Badures, que representa Mario Vitorino, insiste na tese de legítima defesa. Ele apresentou imagens mostrando hematomas no corpo de seu cliente 16 dias após o crime, alegando que Igor o atacou com um espelho quebrado, o que teria levado Vitorino a reagir com a faca. O advogado argumenta que a luta corporal explica as lesões e que não houve intenção prévia de matar.
Leandro Weissmann, defensor de Marcelly, reforça que sua cliente estava embriagada e sob efeito de ecstasy no momento do crime, o que a teria deixado desnorteada. Segundo ele, Marcelly saiu do quarto onde Igor e Mario discutiam para se vestir e só retornou quando o irmão já estava esfaqueado. A defesa destaca que ela não presenciou as facadas e que sua prisão seria injustificada, já que não há evidências concretas de participação direta no homicídio.
Marcelo Cruz, advogado de Rafaela, mantém que não existem provas sólidas contra a viúva. Ele aponta que ela deixou o apartamento antes da chegada de Igor e Mario, sugerindo que sua ausência no momento do ataque a isenta de responsabilidade direta. A promotoria, no entanto, alega que Rafaela participou do planejamento, citando pesquisas no celular dela sobre rotas de fuga e o tempo que um corpo demora para exalar odor como indícios de premeditação.
Momentos de tensão fora do fórum
Enquanto a audiência transcorria, o clima do lado de fora do Fórum de Praia Grande era de revolta. Tiago Peretto, irmão de Igor e vereador em São Vicente, gravou a chegada dos suspeitos e expressou indignação com o comportamento de Mario Vitorino. O gesto interpretado como um sinal de facção e o suposto deboche do acusado foram vistos como uma afronta à família, que há meses busca justiça pela morte do comerciante. Populares que acompanhavam o caso gritaram insultos e exigiram punição ao trio.
A presença de Tiago no processo tem sido marcante desde o início. Ele foi o responsável por receber uma denúncia anônima que levou à prisão de Mario em Torrinha, no interior de São Paulo, semanas após o crime. Como testemunha arrolada pela defesa de Vitorino, o vereador lamentou ter sido convocado por um dos acusados, afirmando que preferiria ter sido chamado pela Justiça ou pelo Ministério Público.
O que esperar da próxima audiência
Marcada para 7 de maio, a próxima sessão promete ser decisiva para o rumo do caso. O adiamento foi motivado pela necessidade de ouvir mais testemunhas, incluindo o próprio Tiago Peretto, cuja participação é obrigatória por ter sido arrolado como parte do processo. Cada lado — acusação e defesa — pode convocar até oito testemunhas, e a ausência de algumas delas na audiência de março inviabilizou a conclusão da instrução.
O juiz Felipe Esmanhoto Mateo, da Vara do Júri de Praia Grande, analisará os pedidos feitos pelas defesas e pela promotoria antes de decidir se o caso seguirá para júri popular. As promotoras Ana Maria Frigerio Molinari e Roberta Bená Perez Fernandez, que lideram a acusação, sustentam que o crime foi cruel e planejado, destacando a traição como fator central. Elas apontam que Igor foi atacado desarmado por pessoas de sua confiança, o que dificultou qualquer chance de defesa.
Detalhes do crime que chocaram a investigação
O assassinato de Igor Peretto revelou uma trama complexa envolvendo relações familiares e pessoais. O laudo necroscópico apontou que ele sofreu 11 facadas, com golpes na cabeça, peito e costas. Caso tivesse sobrevivido, o comerciante ficaria tetraplégico devido à gravidade das lesões. A brutalidade do ataque, somada à proximidade dos suspeitos com a vítima, tornou o caso um dos mais comentados na Baixada Santista.
- Lesões: Sete facadas no peito, uma na testa, uma no rosto, uma perto da orelha e uma nas costas.
- Arma do crime: Faca de 36 cm, encontrada no banheiro.
- Cenário: Manchas de sangue espalhadas por vários cômodos do apartamento.
A promotoria destaca que os acusados não tentaram socorrer Igor ou amenizar seu sofrimento, focando apenas em fugir e ocultar evidências. Após o crime, Mario e Marcelly deixaram o apartamento juntos, enquanto Rafaela os encontrou horas depois em um posto rodoviário, evidenciando a coordenação entre os três.
Impacto do caso na família e na comunidade
A morte de Igor Peretto deixou marcas profundas em sua família e na comunidade de Praia Grande. Dono de uma loja de carros no bairro Aviação, ele era conhecido por seu trabalho e dedicação. Pai de um menino de 5 anos, fruto do relacionamento de seis anos com Rafaela, Igor teve sua vida interrompida em um contexto de traição e violência que ainda gera comoção. Tiago Peretto, seu irmão, transformou a busca por justiça em uma missão pessoal, usando sua posição como vereador para dar visibilidade ao caso.
A comunidade local acompanha o desenrolar do processo com interesse, dividida entre a perplexidade com a trama amorosa e a exigência de punição aos responsáveis. O adiamento da audiência para maio mantém a expectativa em alta, enquanto os advogados de defesa e a promotoria preparam seus próximos passos para a sessão que pode definir o destino dos acusados.







