Gabriel Milito rejeita Fluminense e abre caminho para novos nomes no comando tricolor

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Gabriel Milito Foto: Gabriel Milito - Foto: Delmiro Junior / Shutterstock.com

O Fluminense deu início à busca por um novo treinador após a saída de Mano Menezes, mas o primeiro nome na lista da diretoria tricolor, Gabriel Milito, recusou a proposta apresentada. O argentino, de 44 anos, era visto como uma opção promissora para liderar o time em 2025, trazendo um estilo de jogo baseado em posse de bola e equilíbrio tático. No entanto, ele optou por não aceitar o convite, justificando a decisão por “questões familiares”. A recusa, confirmada em 2 de abril de 2025, pegou a cúpula do clube de surpresa e agora força uma reavaliação nos planos para a temporada. Com o calendário apertado, a pressão aumenta para encontrar um substituto rapidamente, já que o Tricolor tem compromissos importantes nas próximas semanas, incluindo jogos pelo Campeonato Brasileiro e pela Copa Sul-Americana.

A escolha por Milito não foi aleatória. O treinador ganhou destaque no cenário sul-americano por seu trabalho no Argentinos Juniors, onde implantou um modelo ofensivo e competitivo entre 2021 e 2023. Em sua passagem mais recente, pelo Atlético-MG, conduziu o time às finais da Copa Libertadores e da Copa do Brasil em 2024, embora tenha saído sem os títulos e sido demitido em dezembro do mesmo ano. O Fluminense via no argentino uma chance de modernizar o futebol apresentado pela equipe, que vinha enfrentando críticas por falta de consistência sob o comando de Mano Menezes. A proposta rejeitada incluía um contrato até o fim de 2025, com salário estimado em cerca de R$ 600 mil mensais, valor inferior ao pago ao antecessor.

Com a negativa, o clube carioca agora volta suas atenções para outros nomes que se encaixem no perfil traçado pela diretoria. A busca é por um técnico que priorize a posse de bola, tenha capacidade de organizar a defesa e seja habilidoso na gestão de elenco. A ideia de trazer um estrangeiro, algo raro nas Laranjeiras, segue em pauta, mas a lista de candidatos ainda não foi oficialmente divulgada. O último treinador não brasileiro a comandar o Fluminense foi o uruguaio Hugo De León, em 1997, cuja passagem durou apenas 14 dias, um marco que o clube espera não repetir caso opte novamente por alguém de fora do país.

Por que Milito era o alvo principal

Gabriel Milito surgiu como prioridade do Fluminense por seu histórico como treinador e jogador. Nascido em Bernal, na Argentina, ele teve uma carreira sólida como zagueiro, com passagens marcantes por Independiente, Zaragoza e Barcelona, onde conquistou a Liga dos Campeões em 2009 e 2011 sob o comando de Pep Guardiola. Aposentado em 2012 devido a lesões, Milito começou a treinar em 2015, no Estudiantes, e desde então passou por clubes como Independiente, O’Higgins, do Chile, e Argentinos Juniors, antes de chegar ao Atlético-MG. Sua experiência no futebol brasileiro, ainda que breve, era vista como um diferencial para se adaptar ao Tricolor.

No Atlético-MG, Milito comandou a equipe em 62 jogos, com 23 vitórias, 20 empates e 19 derrotas. O ponto alto foi levar o time às decisões da Libertadores e da Copa do Brasil, eliminando o próprio Fluminense nas quartas de final da competição continental em 2024. Apesar dos vices para Botafogo e Flamengo, respectivamente, o argentino deixou uma impressão positiva por sua proposta de jogo ofensivo e vertical. No Fluminense, a expectativa era que ele trouxesse essa mesma mentalidade, aproveitando jogadores como Germán Cano e Keno para construir um ataque mais dinâmico.

A recusa de Milito, no entanto, não foi detalhada além das “questões familiares” mencionadas. Especula-se que o treinador esteja buscando um período de descanso após a intensa temporada de 2024 ou aguardando propostas de mercados mais lucrativos, como o europeu ou o árabe. Para o Fluminense, o “não” representa um obstáculo, mas também uma oportunidade de explorar outras opções que possam atender às expectativas da torcida e da diretoria.

Nomes descartados e o perfil desejado

Enquanto Milito era o foco inicial, outros treinadores já foram analisados e descartados pelo Fluminense. Luís Castro, português que passou pelo Botafogo, perdeu força devido a uma exigência de compensação financeira ao Al-Nassr, da Arábia Saudita, onde trabalhou até recentemente. Odair Hellmann, ex-técnico do clube em 2020, também foi considerado, mas sua situação contratual com o Al Raed, também da Arábia, ainda não está resolvida, o que inviabilizou avanços. Fernando Diniz, campeão da Libertadores com o Tricolor em 2023, é outro nome fora da lista, já que a diretoria busca um perfil diferente do apresentado em sua passagem.

O perfil traçado pelo Fluminense é claro: um treinador que goste de trabalhar com posse de bola, mas sem abrir mão de uma marcação sólida. Além disso, a capacidade de gerir um elenco repleto de veteranos e jovens é essencial, dado o atual momento do clube, que mescla experiência com promessas das categorias de base. A diretoria, liderada por Mário Bittencourt, quer alguém que traga estabilidade após a saída de Mano Menezes, demitido por falta de evolução tática e insatisfação do grupo.

Cronograma apertado para a decisão

O Fluminense não tem tempo a perder na busca por um novo comandante. O calendário de abril de 2025 é intenso, com compromissos que exigem um técnico definido o quanto antes. Veja os próximos desafios do Tricolor:

  • 1º de abril: Once Caldas 0 x 1 Fluminense, pela 1ª rodada da Copa Sul-Americana, em Manizales, na Colômbia.
  • 6 de abril: Fluminense x Bragantino, às 16h, no Maracanã, pela 2ª rodada do Campeonato Brasileiro.
  • 10 de abril: Fluminense x San José, no Maracanã, pela 2ª rodada da Copa Sul-Americana.

A vitória sobre o Once Caldas, com gol de John Kennedy, foi comandada pelo interino Marcão, mas a ideia é que o novo treinador esteja à beira do campo já contra o Bragantino. Caso isso não seja possível, o prazo limite é o duelo com o San José, quando o clube espera ter o elenco alinhado com a filosofia do escolhido.

A experiência de Milito no Brasil

A passagem de Gabriel Milito pelo Atlético-MG foi um dos fatores que o colocaram na mira do Fluminense. Contratado em março de 2024 para substituir Luiz Felipe Scolari, ele estreou com um empate em 2 a 2 contra o Cruzeiro, na final do Campeonato Mineiro, e depois venceu o jogo de volta por 3 a 1, garantindo o título estadual. Na Libertadores, o argentino levou o Galo à segunda melhor campanha da fase de grupos, eliminando San Lorenzo nas oitavas e o Fluminense nas quartas, com uma virada em Belo Horizonte após derrota no Maracanã.

Na semifinal, o Atlético superou o River Plate com uma vitória por 3 a 0 em casa e um empate sem gols na Argentina. Porém, na final contra o Botafogo, disputada no Monumental de Núñez, o time mineiro perdeu por 3 a 1, mesmo com um jogador a mais desde o primeiro minuto. Na Copa do Brasil, o Galo chegou à decisão contra o Flamengo, mas foi derrotado nos dois jogos. A demissão veio em dezembro de 2024, após uma sequência de 12 jogos sem vitórias, incluindo uma derrota por 2 a 0 para o Vasco pelo Brasileirão.

Apesar dos tropeços, o trabalho de Milito foi elogiado por sua intensidade e pela capacidade de competir em alto nível. No Fluminense, ele teria a chance de enfrentar novamente o Atlético-MG, mas a recusa adiou esse reencontro.

O que o Fluminense perde com a recusa

Perder Gabriel Milito não é apenas uma questão de ajustar a busca por um treinador. O argentino traria uma bagagem tática que poderia transformar o desempenho do Fluminense em competições continentais e nacionais. Sua filosofia de jogo, marcada por triangulações ofensivas e pressão alta sem a bola, foi testada com sucesso no Argentinos Juniors, onde alcançou as oitavas da Libertadores em 2023, e no Atlético-MG, onde chegou perto de títulos expressivos.

Outro ponto forte de Milito é sua experiência como jogador de elite. Com 42 jogos pela seleção argentina, incluindo a Copa do Mundo de 2006, e títulos pelo Barcelona, ele tem o perfil de líder que o Fluminense busca para inspirar um elenco em reconstrução. A diretoria esperava que essa combinação de passado vitorioso e ideias modernas pudesse resgatar o protagonismo do clube após um 2024 irregular.

A recusa também expõe a dificuldade do Tricolor em atrair nomes de peso no mercado. Apesar de oferecer um projeto ambicioso, com participação na Copa Sul-Americana e no Brasileirão, o clube enfrenta limitações financeiras e a concorrência de mercados mais ricos, o que pode ter influenciado a decisão de Milito.

Possíveis candidatos em pauta

Com Milito fora do radar, o Fluminense agora avalia outras opções. Renato Gaúcho, que chegou a ser especulado antes da investida no argentino, volta ao cenário. O ex-técnico do Grêmio pediu um salário de R$ 1,3 milhão mensais em negociações iniciais, valor que o clube considerou alto, mas a recusa de Milito pode forçar uma reavaliação. Renato é conhecido por seu estilo ofensivo e por conquistas como a Libertadores de 2017, mas sua passagem recente pelo Flamengo, em 2021, terminou sem títulos.

Tite, ex-seleção brasileira e Corinthians, e Dorival Júnior, atual técnico do São Paulo, também foram ventilados, mas os altos custos e a situação contratual de ambos dificultam um acordo. A diretoria, no entanto, não descarta surpresas, incluindo outros estrangeiros ou nomes menos badalados do mercado sul-americano. A pressão por resultados rápidos deve guiar a escolha nas próximas horas.

Impacto imediato no elenco

A ausência de um treinador definido já afeta o Fluminense em campo. Contra o Once Caldas, na estreia da Copa Sul-Americana, o interino Marcão escalou o time com uma formação cautelosa, apostando em contra-ataques para segurar o 1 a 0 fora de casa. O gol de John Kennedy deu alívio, mas o desempenho não empolgou, evidenciando a necessidade de um comando técnico mais estruturado.

O elenco tricolor, que conta com veteranos como Marcelo e Thiago Silva, além de jovens como André e John Kennedy, precisa de um líder que una experiência e renovação. A demissão de Mano Menezes, motivada por insatisfação interna e resultados abaixo do esperado, deixou o grupo sem rumo claro, e a chegada de um novo treinador é vista como essencial para evitar um início de temporada instável.

Curiosidades sobre treinadores estrangeiros no Fluminense

A tentativa de contratar Gabriel Milito reacende a discussão sobre técnicos estrangeiros no Fluminense. Confira alguns dados históricos:

  • Hugo De León, uruguaio, foi o último estrangeiro no comando, em 1997, com apenas duas semanas no cargo.
  • Ondino Viera, também uruguaio, treinou o clube entre 1942 e 1946, sendo o mais longevo da lista.
  • Desde então, o Tricolor optou quase exclusivamente por brasileiros, com raras exceções.

A abertura para um nome de fora reflete a tendência do futebol brasileiro, que nos últimos anos viu clubes como Flamengo, Palmeiras e Atlético-MG apostarem em estrangeiros com sucesso.

Pressão por resultados em abril

O Fluminense entra em abril sob pressão para definir seu futuro. O jogo contra o Bragantino, no dia 6, marca o início de uma sequência que pode definir o tom da temporada. No Brasileirão, o clube busca evitar o desempenho irregular de 2024, quando terminou fora da zona de classificação para a Libertadores. Na Copa Sul-Americana, a vitória na estreia é um bom sinal, mas o confronto com o San José, no dia 10, será um teste para a consistência do time.

A diretoria sabe que a escolha do treinador será crucial para os objetivos do ano. Com a torcida cobrando resultados e o elenco precisando de direção, o próximo nome a assumir o comando terá a missão de resgatar a competitividade do Tricolor em um cenário de expectativas altas e margem de erro reduzida.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

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