Caso Théo: pai confesso de crime em São Gabriel é transferido após risco de morte na prisãoPor Beatriz
13 min de leitura
![]() |
Um crime que chocou a população de São Gabriel, no Rio Grande do Sul, ganhou novos desdobramentos com a transferência de Tiago Ricardo Felber, de 40 anos, para a Penitenciária Modulada Estadual de Uruguaiana. Acusado de jogar seu filho, Théo Ricardo Ferreira Felber, de apenas 5 anos, da ponte sobre o Rio Vacacaí, ele foi movido do Presídio Estadual de São Gabriel por questões de segurança. O caso, ocorrido em 25 de março, revelou a frieza do pai, que confessou o ato como vingança contra a ex-esposa, Abigail Luisa Ferreira Felber, e agora enfrenta um processo que segue em investigação. A transferência, realizada em 1º de abril, foi confirmada por seu advogado, Roberto Leite, que apontou riscos à integridade de Tiago no local anterior. Enquanto isso, a polícia aguarda laudos periciais para determinar a causa exata da morte do menino, encontrado sem vida entre as pedras do rio.
Tiago se entregou às autoridades logo após o crime, admitindo ter arremessado Théo da ponte. Antes disso, ele enviou um áudio à ex-esposa com tom debochado, dizendo: “Viu guria, seje forte, fiz uma loucurinha agora tá? Aguenta coração agora para o resto da vida. Atirei o Théo de baixo da ponte agora”. O depoimento dele à polícia expôs detalhes perturbadores, como a tentativa de estrangular o filho na véspera e a decisão de jogá-lo da ponte para ocultar hematomas. A mãe de Théo, Abigail, que vivia com o menino em Nova Hartz após a separação em novembro do ano passado, descreveu Tiago como ciumento e possessivo, mas sem histórico de violência física contra ela ou a criança.
A investigação segue em andamento, com o Instituto-Geral de Perícias analisando se Théo morreu pela queda, afogamento ou antes de ser lançado ao rio. Câmeras de segurança flagraram Tiago pedalando uma bicicleta com o menino em uma caixa na frente, horas antes do crime, em um trajeto que incluiu paradas casuais, como a compra de um refrigerante. A Justiça decretou a prisão temporária de Tiago em 26 de março, após audiência de custódia, e a defesa agora busca o relaxamento da detenção, alegando irregularidades no processo.
- O crime aconteceu em 25 de março, no dia do aniversário de 40 anos de Tiago.
- Théo morava com a mãe em Nova Hartz e estava com o pai desde 22 de março.
- A transferência para Uruguaiana foi motivada por ameaças de outros presos.
Detalhes do crime que abalou São Gabriel
O caso de Théo Ricardo Ferreira Felber começou a ganhar contornos ainda mais sombrios com a revelação do depoimento de Tiago Felber à polícia. Ele relatou que, na noite de 24 de março, tentou matar o filho por estrangulamento, mas desistiu quando o menino reagiu. No dia seguinte, ao perceber hematomas visíveis e olhos vermelhos no corpo da criança, decidiu levá-lo até a ponte do Rio Vacacaí. Segundo ele, a ideia era esconder as marcas e completar o plano de vingança contra Abigail, com quem teve um relacionamento conturbado até o fim do ano passado. Após banhar Théo e dar comida ao menino, Tiago saiu de bicicleta com ele por volta das 9h, percorrendo a cidade até chegar ao local do crime.
Imagens de câmeras de segurança mostram o trajeto do pai e do filho. Tiago pedalava calmamente, com Théo sentado em uma caixa acoplada à bicicleta, em direção à ponte no bairro Mato Grosso. Ele descreveu o momento do arremesso com frieza: “Quando chegou na ponte, pegou o Théo, e ele ainda se agarrou dizendo ‘não papai’, e mesmo assim o atirou”. O menino caiu sobre pedras no leito raso do rio, devido à estiagem na região, e morreu no local. Após o ato, Tiago subiu a encosta, almoçou e, cerca de uma hora depois, se entregou à Brigada Militar, confessando o homicídio.
A motivação, conforme o depoimento, foi clara. “Foi extremamente vingança isso aqui, pois criei meu filho e cuidava, meu pensamento era pegar primeiro ela e os namorados dela, eu fiz errado, mas foi vingança mesmo”, declarou Tiago. Perguntado sobre arrependimento, ele respondeu sem hesitar: “No momento não, a mãe dele tem que pagar um pouquinho para depois eu me arrepender”. A declaração chocou os investigadores, que notaram uma determinação fria em suas palavras, apesar de momentos em que sua voz embargou durante o relato.
Repercussão e depoimento da mãe
Abigail Luisa Ferreira Felber, mãe de Théo, prestou depoimento à polícia em 26 de março, um dia após o crime. Ela descreveu o ex-companheiro como um homem ciumento e possessivo, incapaz de aceitar o fim do relacionamento. O casal se mudou para São Gabriel em 2020, mas Abigail decidiu voltar para Nova Hartz com o filho após a separação, buscando se reaproximar da família e fugir de problemas financeiros e do isolamento que sentia na cidade do ex-marido. Apesar do temperamento instável de Tiago, ela afirmou que ele nunca havia agredido fisicamente ela ou Théo, embora tenha registrado um boletim de ocorrência por destruição de bens durante a mudança, sem dar continuidade ao caso.
O delegado Daniel Severo, responsável pela investigação, destacou que Abigail estava cansada do convívio com Tiago. “Ela relatou que ele era bastante possessivo, bastante ciumento, e isso a desgastou ao longo do tempo”, explicou. A mãe também disse que permitiu que Théo passasse alguns dias com o pai para celebrar o aniversário dele, sem imaginar o desfecho trágico. Após o crime, Abigail recebeu o áudio de Tiago, que a deixou em estado de choque. O velório do menino aconteceu na noite de 26 de março, na Capela Municipal de Nova Hartz, seguido pelo sepultamento no dia seguinte, no Cemitério Municipal da cidade.
"FIZ UMA LOUCURINHA" • Depois de atirar o filho de uma ponte em São Gabriel na última terça-feira (25), o pai do menino Théo Ricardo Ferreira Felber, cinco anos, enviou um áudio para a ex-companheira. Tiago Felber disse que "fez uma loucurinha" e pede para que a ela seja forte. pic.twitter.com/N4UCU2y3CR
— Band RS (@bandrs) March 27, 2025
Transferência de Tiago Felber para Uruguaiana
A transferência de Tiago Ricardo Felber do Presídio Estadual de São Gabriel para a Penitenciária Modulada Estadual de Uruguaiana foi confirmada em 1º de abril. A medida, segundo o advogado Roberto Leite, foi tomada por questões de segurança, já que Tiago corria risco de morte devido à revolta de outros detentos. A mudança ocorreu após a defesa formalizar o pedido, alegando que o presídio original não tinha condições de garantir a integridade do preso. A nova unidade fica a cerca de 200 quilômetros de São Gabriel, na mesma região da Fronteira Oeste.
Roberto Leite também questionou a legalidade da prisão de Tiago. Ele afirmou que o cliente foi agredido por policiais militares e penais após a detenção e que prestou depoimento sem a presença de um advogado, o que violaria seus direitos constitucionais. “Estivemos na audiência de custódia, onde foi relatado que ele foi espancado tanto por PMs quanto por policiais penais”, disse o advogado. A defesa pediu o relaxamento da prisão temporária, argumentando que o processo apresenta irregularidades, e aguarda uma decisão judicial sobre a transferência para Santa Maria ou o Complexo de Charqueadas.
A Justiça, por sua vez, mantém Tiago detido enquanto a investigação avança. A prisão temporária, decretada em 26 de março pela juíza Liz Grachten, da Vara Criminal de São Gabriel, visa assegurar a continuidade das apurações. A polícia realiza buscas na casa de Tiago para coletar vestígios que possam esclarecer os eventos anteriores ao crime, como a tentativa de estrangulamento relatada por ele.
- Tiago foi transferido em 1º de abril para Uruguaiana.
- A defesa alega agressões policiais e depoimento sem advogado.
- O pedido de relaxamento da prisão ainda está sob análise.
Cronologia dos eventos em São Gabriel
Os acontecimentos que culminaram na morte de Théo Ricardo Ferreira Felber seguem uma sequência que reflete a premeditação de Tiago Felber. Abaixo, um resumo dos principais momentos do caso:
- 22 de março: Tiago busca Théo em Nova Hartz para passar alguns dias com ele em São Gabriel, aproveitando seu aniversário de 40 anos.
- 24 de março: À tarde, durante uma chuva, Tiago tenta estrangular o filho em casa, mas desiste ao ver que o menino reagiu.
- 25 de março: Pela manhã, às 9h, Tiago sai de bicicleta com Théo, percorre a cidade e, por volta do meio-dia, joga o menino da ponte do Rio Vacacaí. Após o crime, almoça e se entrega à polícia.
- 26 de março: A Justiça decreta a prisão temporária de Tiago após audiência de custódia. Abigail presta depoimento, e o velório de Théo começa em Nova Hartz.
- 27 de março: Théo é sepultado no Cemitério Municipal de Nova Hartz.
- 1º de abril: Tiago é transferido para a Penitenciária de Uruguaiana por segurança.
A investigação agora depende do laudo do Instituto-Geral de Perícias, que deve apontar se Théo morreu pela queda, afogamento ou outro fator. O delegado Daniel Severo afirmou que Tiago nega ter jogado o corpo já sem vida, mas as imagens de câmeras e o estado do menino serão decisivos para confirmar a causa da morte.
O que dizem as autoridades e a defesa
O delegado Daniel Severo acompanha o caso desde o início e descreveu Tiago como alguém determinado a se vingar, mas não totalmente desprovido de emoção. “Ele chegou a embargar a voz em alguns momentos do depoimento, mas não demonstrou arrependimento”, relatou. A polícia apura se o menino estava vivo ao ser jogado da ponte, com base em imagens e na análise pericial. Severo também destacou que a casa de Tiago será periciada para buscar vestígios da tentativa de estrangulamento na véspera do crime.
Enquanto isso, a defesa de Tiago, representada por Roberto Leite, insiste em irregularidades processuais. Além das alegações de agressão policial, o advogado argumenta que o depoimento de Tiago não deveria ser válido, pois foi colhido sem a presença de um defensor. “Ele está injustamente preso até que os laudos sejam concluídos e o devido processo legal seja respeitado”, afirmou Leite. A estratégia da defesa inclui o pedido de relaxamento da prisão, que pode resultar na liberdade de Tiago caso a Justiça acate os argumentos.
A população de São Gabriel, cidade de pouco mais de 60 mil habitantes, segue acompanhando o caso com indignação. A prefeitura de Nova Hartz, onde Théo era aluno da EMEF Imigrante, emitiu uma nota de pesar, desejando força à família. O crime, cometido no dia do aniversário de Tiago, deixou marcas profundas nas duas comunidades.
Impacto na família e na comunidade
Abigail Luisa Ferreira Felber enfrenta um luto que ganhou repercussão nacional. Após receber o áudio de Tiago, ela se viu diante de uma tragédia que não podia prever. Em seu depoimento, Abigail reforçou que nunca suspeitou que o ex-companheiro fosse capaz de tamanha crueldade, apesar de seu comportamento possessivo. A mãe relatou que Théo era uma criança alegre e que a visita ao pai parecia uma oportunidade de manter o vínculo entre eles, algo que acabou em um desfecho devastador.
Em Nova Hartz, o sepultamento de Théo reuniu familiares e amigos em uma cerimônia marcada pela comoção. A escola onde o menino estudava suspendeu as aulas em sinal de luto, e a comunidade local se mobilizou para apoiar Abigail. Já em São Gabriel, o crime gerou revolta entre os moradores, o que contribuiu para as ameaças contra Tiago no presídio. A transferência para Uruguaiana foi vista como uma medida necessária para evitar confrontos, mas não diminuiu a indignação popular.
A investigação policial segue com foco em esclarecer todos os detalhes do caso. Além do laudo pericial, a polícia analisa o celular de Tiago, apreendido após sua prisão, para verificar mensagens e áudios enviados a familiares. O conteúdo, como o áudio enviado a Abigail, deve servir como prova no inquérito, que pode levar à denúncia por homicídio qualificado.
Próximos passos da investigação
Enquanto Tiago Felber permanece detido em Uruguaiana, a polícia trabalha para concluir o inquérito. O laudo do Instituto-Geral de Perícias é aguardado com expectativa, pois definirá se Théo morreu na queda, por afogamento ou em outro momento. O delegado Daniel Severo enfatizou que as imagens de câmeras de segurança mostram o menino vivo antes de ser jogado, o que contradiz especulações iniciais de que ele já estaria morto. A perícia na casa de Tiago também busca vestígios que confirmem a tentativa de estrangulamento relatada por ele.
A Justiça acompanha o caso de perto, e a prisão temporária de Tiago pode ser convertida em preventiva, dependendo dos resultados da investigação. A defesa, por outro lado, prepara-se para contestar a legalidade da detenção, o que pode prolongar o processo. Independentemente do desfecho judicial, o caso de Théo Ricardo Ferreira Felber já entrou para a história como um dos crimes mais chocantes registrados no Rio Grande do Sul, expondo a violência motivada por vingança e os impactos devastadores em uma família.
A transferência de Tiago para Uruguaiana marca um novo capítulo na trajetória do caso, mas não apaga a dor deixada pela morte de Théo. A bicicleta usada por ele para levar o filho até a ponte, as pedras onde o menino caiu e o áudio debochado enviado à mãe permanecem como símbolos de uma tragédia que abalou duas cidades e continua a gerar debates sobre justiça e segurança.







