A noite de terça-feira, 8 de abril, marcou uma tragédia que abalou a República Dominicana e o mundo da música latina. O cantor Rubby Pérez, uma das vozes mais icônicas do merengue, morreu aos 69 anos após o teto da casa noturna Jet Set, em Santo Domingo, desabar durante uma de suas apresentações. O acidente deixou um saldo devastador de pelo menos 124 mortos, segundo as autoridades locais, e levou o governo a decretar três dias de luto nacional. Pérez, conhecido por sucessos como “Volveré” e “Enamorado de Ella”, estava no auge de sua conexão com o público quando o desastre aconteceu, encerrando uma carreira que atravessou décadas e conquistou o Caribe.
Nascido Roberto Antonio Pérez Herrera, em 8 de março de 1956, em Bajos del Hana, Rubby Pérez não começou sua vida sonhando com os palcos. Filho de um torcedor fervoroso dos Leones del Escogido, time de beisebol dominicano, ele queria seguir os passos de ídolos como Juan Marichal, lendário jogador das grandes ligas. A música só entrou em sua trajetória após um acidente de trânsito aos 15 anos, que o deixou com sequelas permanentes na perna direita e o afastou dos campos. Foi durante a recuperação, no hospital, que ele começou a cantar e tocar violão, encantando outros pacientes e plantando a semente de uma carreira que o tornaria “La Voz Más Alta del Merengue”.
O impacto da tragédia vai além da perda de um ícone cultural. A casa noturna Jet Set, localizada na capital dominicana, era um ponto tradicional de entretenimento, e o desabamento expôs fragilidades estruturais que agora estão sob investigação. Equipes de resgate trabalharam por horas nos escombros, enquanto o país acompanhava, consternado, as notícias sobre o número crescente de vítimas. A filha mais velha de Rubby Pérez, Zulinka, relatou que os socorristas o encontraram ainda vivo, cantando entre os destroços, mas ele não resistiu aos ferimentos. A imagem de sua voz ecoando em meio ao caos tornou-se um símbolo de sua resiliência e legado.
O início de uma lenda no merengue
Rubby Pérez ingressou no mundo da música no final dos anos 1970, após estudar no Conservatório Nacional de Música da República Dominicana. Sua estreia nos palcos ganhou força em 1982, quando se juntou à banda de Wilfrido Vargas, outra figura lendária do merengue. Foi nesse período que ele começou a construir sua fama, com uma energia contagiante e uma voz potente que o diferenciava no gênero. Em 1987, decidiu seguir carreira solo, e os sucessos não demoraram a chegar. Músicas como “Buscando tus besos” e “Sobreviviré” alcançaram as paradas da Billboard, consolidando seu nome entre os maiores artistas latinos de sua geração.
A trajetória de Pérez reflete a paixão do povo dominicano pela música e pela dança. O merengue, com seus ritmos acelerados e letras vibrantes, é mais do que um gênero musical no país — é parte da identidade nacional. Durante os anos 1980 e 1990, ele levou esse som para além das fronteiras do Caribe, conquistando fãs em mercados como os Estados Unidos e Porto Rico. Sua habilidade de combinar letras românticas com batidas dançantes fez dele um favorito em festas e celebrações, enquanto sua presença de palco reforçava a fama de “voz mais alta” do gênero.
Enquanto isso, a tragédia na Jet Set levanta questões sobre a segurança em espaços de entretenimento no país. O desabamento ocorreu por volta das 22h, horário local, quando o local estava lotado. Testemunhas relatam que o colapso foi repentino, sem sinais prévios de problemas estruturais. As autoridades abriram uma investigação para determinar as causas, que podem incluir falhas na construção ou falta de manutenção adequada. O incidente já é considerado um dos mais graves da história recente da República Dominicana, superando outros desastres em número de vítimas.
Uma vida marcada por reviravoltas
Antes de se tornar um ícone do merengue, Rubby Pérez viveu uma infância humilde em Bajos del Hana, uma comunidade rural no interior do país. Seu pai sonhava vê-lo como segunda base dos Leones del Escogido, enquanto sua avó, torcedora das Águilas Cibaeñas, também alimentava esperanças de um futuro no beisebol. O esporte é uma paixão nacional na República Dominicana, que já enviou centenas de jogadores para as grandes ligas americanas. Pérez compartilhava desse entusiasmo e passava horas jogando bola, até que o acidente de trânsito mudou tudo.
A colisão com uma caminhonete deixou marcas permanentes. Com a perna direita comprometida, ele precisou abandonar o sonho dos campos e passou meses em recuperação. Foi nesse período que a música surgiu como uma válvula de escape. No hospital, ele cantava para si mesmo e para outros pacientes, que o apelidaram de “Cama 13” por causa do número de seu leito. A experiência o levou a explorar seu talento, e logo ele estava se apresentando em pequenos grupos locais, antes de ser descoberto por Wilfrido Vargas e dar o salto para o estrelato.
A família de Pérez também reflete sua conexão com o beisebol. Seu irmão mais novo, Neifi Pérez, conseguiu realizar o sonho que ele deixou para trás, jogando por 12 temporadas nas grandes ligas dos Estados Unidos, incluindo passagens por times como o Colorado Rockies e o Chicago Cubs. Rubby, por sua vez, construiu sua própria história, mas nunca perdeu o amor pelo esporte. Em entrevistas, ele frequentemente mencionava sua admiração por jogadores dominicanos e a influência do beisebol em sua vida.
Detalhes da tragédia na Jet Set
O desabamento da casa noturna Jet Set aconteceu em uma noite que prometia ser de celebração. Rubby Pérez estava no palco, animando o público com sua energia característica, quando a estrutura cedeu. Relatos indicam que o teto desmoronou em questão de segundos, soterrando dezenas de pessoas. Equipes de emergência chegaram rapidamente, mas a magnitude do desastre dificultou os esforços iniciais de resgate. Bombeiros, policiais e voluntários trabalharam sem parar, enquanto familiares aguardavam notícias do lado de fora.
Entre os escombros, a voz de Pérez foi um dos últimos sinais de vida detectados. Sua filha Zulinka contou que os socorristas o ouviram cantando, mesmo gravemente ferido. A cena comoveu o país e reforçou o impacto que ele tinha como artista. Apesar dos esforços, ele foi declarado morto no local, junto com outras 123 vítimas confirmadas até o momento. O número de feridos ainda está sendo contabilizado, mas estima-se que dezenas de pessoas tenham sido levadas a hospitais da capital.
A Jet Set era conhecida como um dos principais pontos de vida noturna em Santo Domingo, frequentada tanto por moradores quanto por turistas. Construída há mais de duas décadas, a casa já havia passado por reformas, mas não há informações claras sobre a última vistoria estrutural. Especialistas apontam que a combinação de uma construção antiga com a falta de fiscalização pode ter contribuído para o colapso. O governo prometeu uma investigação rigorosa, e os proprietários do imóvel devem ser convocados para prestar esclarecimentos.
- Fatos sobre o acidente:
- Ocorreu às 22h de 8 de abril, em Santo Domingo.
- 124 mortos confirmados até agora.
- Três dias de luto nacional decretados.
- Causa sob investigação, com foco em falhas estruturais.
O legado de Rubby Pérez
A morte de Rubby Pérez deixa um vazio no merengue e na cultura dominicana. Sua carreira, que começou de forma improvável após um acidente, transformou-o em um símbolo de superação. Ao longo de mais de 40 anos, ele lançou dezenas de músicas que se tornaram hinos em pistas de dança do Caribe e além. “Volveré”, um de seus maiores sucessos, fala de amor e retorno, enquanto “Sobreviviré” reflete a força que ele demonstrou em vida — e, ironicamente, nos últimos momentos sob os escombros.
Wilfrido Vargas, que o lançou ao estrelato, foi um dos primeiros a lamentar a perda. Em uma declaração emocionada, ele descreveu Pérez como “o amigo e o ídolo” do merengue, destacando sua contribuição para o gênero. Outros artistas, como Juan Luis Guerra e Sergio Vargas, também prestaram homenagens, lembrando a influência de Pérez em suas próprias carreiras. Fãs inundaram as redes sociais com mensagens de carinho, compartilhando vídeos de suas apresentações e letras que marcaram gerações.
A família de Pérez, que inclui sete filhos — cinco mulheres e dois homens —, divulgou um comunicado agradecendo o apoio recebido. “Ele viveu para a música e para o público”, dizia a nota, publicada no Instagram oficial do cantor. A perda é sentida não apenas por eles, mas por milhões de admiradores que viam em Pérez um reflexo da alegria e da resistência do povo dominicano.
Repercussão e medidas após o desastre
A tragédia na Jet Set gerou comoção internacional. Líderes de países vizinhos, como Haiti e Porto Rico, enviaram condolências à República Dominicana, enquanto organizações culturais lamentaram a morte de Rubby Pérez. Na capital, moradores se reuniram em vigílias improvisadas, cantando suas músicas em homenagem. A prefeitura de Santo Domingo anunciou que vai revisar a segurança de outros estabelecimentos similares, prometendo ações para evitar novos incidentes.
O governo dominicano mobilizou recursos para apoiar as famílias das vítimas. Hospitais da região operam em capacidade máxima, atendendo os feridos, enquanto psicólogos foram destacados para oferecer suporte emocional. A identificação das vítimas segue em andamento, com algumas famílias ainda sem notícias de seus entes queridos. A escala do desastre exige uma resposta coordenada, que deve se estender pelas próximas semanas.
A investigação sobre as causas do desabamento é uma prioridade. Engenheiros e peritos já estão analisando os destroços, buscando evidências de negligência ou falhas estruturais. Relatos preliminares sugerem que o teto da Jet Set pode ter sido comprometido por infiltrações ou sobrecarga, mas os resultados oficiais só devem ser divulgados após semanas de trabalho. Até lá, o país tenta se recuperar de uma perda que une luto cultural e tragédia humana.
- Medidas anunciadas:
- Revisão de segurança em casas noturnas.
- Apoio psicológico às famílias.
- Investigação detalhada sobre o colapso.
- Mobilização de recursos emergenciais.
A voz que não se cala
Rubby Pérez deixa um legado que transcende a música. Sua história, de um jovem sonhador interrompido por um acidente a um ícone que fez o mundo dançar, é um testemunho de resiliência. Pai de sete filhos, ele também foi um exemplo dentro de casa, equilibrando a vida nos palcos com a dedicação à família. Sua filha Zulinka, que acompanhou de perto seus últimos momentos, tornou-se a voz da família na mídia, compartilhando a força que herdou do pai.
O merengue, gênero que ele ajudou a elevar, continua vivo em suas gravações e nas memórias de quem o viu ao vivo. Seus sucessos ainda ecoam em festas, rádios e plataformas digitais, garantindo que sua presença permaneça. A tragédia na Jet Set pode ter silenciado seu canto em vida, mas, como ele prometeu em “Sobreviviré”, sua essência sobrevive na cultura que ele ajudou a moldar.
A República Dominicana agora enfrenta o desafio de reconstruir após o desastre. Enquanto as autoridades buscam respostas, o povo dominicano encontra na música de Pérez um refúgio para processar a dor. Sua voz, que uma vez encheu estádios e casas de show, seguirá como um símbolo de união e celebração em um país marcado por essa perda irreparável.
