Papa Francisco reza em Santa Maria Maior antes do Domingo de Ramos: devoção marca Semana Santa

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Na tarde de 12 de abril, o Papa Francisco dirigiu-se à Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, para um momento de oração diante do ícone da Virgem Maria, conhecido como Salus Populi Romani. A visita, realizada na véspera do Domingo de Ramos, que inicia a Semana Santa em 13 de abril, reflete a profunda ligação do pontífice com a imagem mariana, uma tradição que ele mantém desde o início de seu papado, em 2013. Aos 88 anos, Francisco enfrenta desafios de saúde, incluindo uma recente internação por pneumonia bilateral, mas sua presença na basílica demonstra a continuidade de sua devoção, mesmo em meio à recuperação. A Sala de Imprensa da Santa Sé anunciou o evento, destacando que o papa se deteve em silêncio diante do ícone, reforçando seu papel como guia espiritual para milhões de católicos às vésperas de um dos períodos mais significativos do calendário litúrgico. A basílica, uma das quatro papais de Roma, é um ponto central de peregrinação, e a escolha de Francisco por esse local sublinha sua importância histórica e espiritual.

A devoção de Francisco à Salus Populi Romani é conhecida mundialmente. Desde sua eleição, ele já visitou a basílica mais de 120 vezes, incluindo momentos antes e após viagens apostólicas. A imagem, que retrata Maria com o menino Jesus, é venerada como protetora do povo romano, e o papa a considera um símbolo de orientação e conforto. Sua visita mais recente antes desta, em 14 de dezembro de 2024, ocorreu antes de uma viagem à Córsega, reforçando o hábito de confiar suas jornadas à Virgem.

O contexto da visita ganha relevância por ocorrer após um período de convalescença. Três semanas atrás, Francisco deixou o Hospital Gemelli, onde foi tratado por uma infecção respiratória. Mesmo com limitações, ele optou por marcar o início da Semana Santa com esse gesto de fé. A presença na basílica, sem vestes papais tradicionais em ocasiões recentes, revela um líder que prioriza a simplicidade e a proximidade com os fiéis, mesmo sob cuidados médicos constantes.

  • Local da visita: Basílica de Santa Maria Maior, Roma.
  • Data: 12 de abril de 2025, véspera do Domingo de Ramos.
  • Ícone venerado: Salus Populi Romani, protetora do povo romano.

Uma tradição de fé

A ligação de Francisco com a Basílica de Santa Maria Maior transcende o protocolo. Desde o dia seguinte à sua eleição, em 14 de março de 2013, ele estabeleceu o costume de rezar diante da Salus Populi Romani antes de cada viagem internacional. Esse hábito reflete sua espiritualidade mariana, que o acompanha desde os tempos de arcebispo em Buenos Aires. A basílica, construída no século V, é a maior igreja mariana de Roma e abriga relíquias como fragmentos atribuídos ao presépio de Jesus, o que a torna um destino de peregrinação durante o Jubileu de 2025.

Cada visita de Francisco à basílica carrega um simbolismo único. Quando saiu do Hospital Gemelli, em 23 de março, ele fez questão de parar na praça em frente ao templo para oferecer flores ao ícone, entregues por meio do cardeal Rolandas Makrickas, arcipreste coadjutor. As flores amarelas, presente de uma fiel chamada Carmela Mancuso, foram um gesto de gratidão pela recuperação. Esse momento, embora breve, destacou a humanidade do papa, que, mesmo fragilizado, mantém a fé no centro de suas ações.

A escolha da basílica como local de oração antes da Semana Santa reforça sua relevância no pontificado de Francisco. O Jubileu de 2025, que começou em 24 de dezembro de 2024 com a abertura da Porta Santa em São Pedro, terá a Basílica de Santa Maria Maior como um dos principais pontos de peregrinação, com sua Porta Santa aberta em 1º de janeiro. A expectativa é que 35 milhões de peregrinos visitem Roma, muitos buscando a bênção da Virgem nesse santuário histórico.

Saúde e resiliência do pontífice

Aos 88 anos, Francisco enfrenta um dos momentos mais delicados de seu papado. Sua internação de 38 dias no Hospital Gemelli, entre fevereiro e março, trouxe preocupações sobre sua capacidade de liderar as celebrações da Semana Santa. A pneumonia bilateral exigiu tratamento intensivo, com dois episódios críticos que colocaram sua vida em risco. Desde sua alta, ele segue em recuperação na Casa Santa Marta, sob supervisão médica constante, com fisioterapia respiratória e motora para melhorar voz e mobilidade.

Apesar das limitações, Francisco tem dado sinais de melhora. Ele reduziu a necessidade de oxigênio suplementar e retomou atividades limitadas, como concelebrar missas privadas e receber colaboradores próximos. Sua visita à Basílica de Santa Maria Maior, embora não planejada publicamente, foi um gesto espontâneo que reflete sua determinação em manter compromissos espirituais. A ausência de vestes papais em aparições recentes, como em São Pedro em 10 de abril, indica uma abordagem prática, priorizando a saúde sem abrir mão da missão.

A incerteza sobre sua participação nas cerimônias da Semana Santa permanece. O Vaticano anunciou que o cardeal Leonardo Sandri, vice-decano do Colégio dos Cardeais, presidirá a Missa do Domingo de Ramos em São Pedro, mas decisões sobre o envolvimento de Francisco no Tríduo Pascal serão tomadas na última hora. Essa cautela reflete o cuidado com sua condição, enquanto o papa busca equilibrar repouso e liderança espiritual.

O significado da Salus Populi Romani

Venerar a Salus Populi Romani é mais do que um ritual para Francisco. A imagem, datada dos séculos VII ou VIII, é considerada milagrosa por muitos fiéis, que a associam à proteção de Roma contra pestes e guerras. Localizada na Capela Paulina da basílica, ela atrai peregrinos que buscam intercessão em momentos de dificuldade. Para o papa, que escolheu o local como seu futuro lugar de sepultamento, a Virgem representa uma mãe espiritual, guia de suas decisões e reflexões.

A basílica abriga os túmulos de seis papas, incluindo São Pio V e Clemente IX, mas Francisco será o primeiro em mais de 350 anos a ser sepultado lá, rompendo a tradição de enterros nas grutas de São Pedro. Sua decisão, anunciada em 2023, reflete a ligação pessoal com o santuário, onde ele já rezou antes de eventos marcantes, como a pandemia de 2020, quando caminhou pelas ruas de Roma para orar pela humanidade. A escolha também simboliza sua visão de uma Igreja mais descentralizada, menos focada no Vaticano.

A Salus Populi Romani ganhou destaque no Jubileu de 2025. Durante a abertura da Porta Santa da basílica, em 1º de janeiro, Francisco enfatizou o papel de Maria como “mediadora de graça”, incentivando os peregrinos a buscar sua bênção. A imagem, que já foi coroada canonicamente em 1838, é um ícone de esperança, tema central do Jubileu, que convida os fiéis a renovar a fé em tempos desafiadores.

  • Origem do ícone: Séculos VII-VIII, considerado milagroso.
  • Localização: Capela Paulina, Basílica de Santa Maria Maior.
  • Significado: Protetora do povo romano, símbolo de esperança.

O Jubileu e a Semana Santa

A Semana Santa de 2025 ocorre no contexto do Jubileu da Esperança, iniciado em dezembro de 2024. Com o lema “Peregrinos da Esperança”, o evento espera atrair milhões de fiéis a Roma, que visitarão as quatro basílicas papais: São Pedro, São Paulo Foras dos Muros, São João de Latrão e Santa Maria Maior. A abertura das Portas Santas, um ritual jubilar, simboliza a passagem para a graça, e a basílica mariana desempenha um papel central, com sua Porta Santa atraindo peregrinos desde janeiro.

O Domingo de Ramos, que marca a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, será celebrado em 13 de abril com uma missa em São Pedro, liderada pelo cardeal Sandri. A cerimônia, que inclui a bênção dos ramos e a leitura da Paixão, reúne milhares de fiéis na Praça de São Pedro, mesmo com a possível ausência de Francisco. A Semana Santa prossegue com eventos como a Missa do Crisma, na quinta-feira, e a Via-Sacra no Coliseu, na sexta-feira, momentos que o papa tradicionalmente preside, mas que este ano permanecem incertos.

A visita de Francisco à basílica antes do Domingo de Ramos reforça a conexão entre o Jubileu e a Semana Santa. Ambos celebram a redenção, e a figura de Maria, como mãe de Cristo, une esses eventos. A expectativa de 35 milhões de peregrinos até novembro de 2025 destaca a relevância global do Jubileu, com Roma se preparando para receber visitantes de todos os continentes, muitos atraídos pela espiritualidade mariana de Santa Maria Maior.

A história da basílica

Construída no século V, a Basílica de Santa Maria Maior é a mais antiga igreja mariana do Ocidente. Sua origem está ligada a uma lenda: em 352, uma nevasca milagrosa no Monte Esquilino indicou o local onde a Virgem desejava um templo. Financiada por um casal romano, a basílica foi erguida sob o papa Libério e desde então tornou-se um marco da fé católica. Suas colunas de mármore ateniense, mosaicos do século XIII e teto dourado, atribuído ao ouro de Cristóvão Colombo, encantam visitantes.

A basílica abriga relíquias significativas, como fragmentos do presépio de Belém, guardados na Capela do Presépio. Seu campanário, o mais alto de Roma com 75 metros, e os mosaicos da fachada, restaurados no século XVIII, atraem turistas e peregrinos. Durante o Jubileu, o local espera receber milhares de visitantes diários, que cruzarão a Porta Santa e rezarão diante da Salus Populi Romani, seguindo o exemplo de Francisco.

Seis papas estão sepultados no templo, incluindo Sisto V, responsável por grandes obras em Roma, e Pio V, que instituiu a festa de Nossa Senhora do Rosário. A decisão de Francisco de ser enterrado ali reforça a importância do santuário, que também abriga túmulos de figuras como Gian Lorenzo Bernini, o mestre barroco. A basílica, propriedade do Vaticano, goza de status extraterritorial, sendo um enclave de espiritualidade no coração de Roma.

Devoção mariana de Francisco

Rezar diante da Salus Populi Romani é um ato profundamente pessoal para Francisco. Antes de ser papa, como cardeal Jorge Bergoglio, ele visitava a basílica aos domingos quando estava em Roma, hábito que manteve após a eleição. Sua espiritualidade mariana, influenciada pela cultura argentina, vê Maria como uma mãe acessível, que acolhe os fiéis em suas dores e esperanças. Essa visão está presente em gestos como a oferta de uma Rosa de Ouro ao ícone, em dezembro de 2024.

A escolha de Santa Maria Maior como futuro local de sepultamento reflete essa devoção. Francisco será o primeiro papa em mais de um século a não ser enterrado em São Pedro, seguindo o exemplo de Leão XIII, sepultado em São João de Latrão em 1903. A decisão, anunciada em uma entrevista em 2023, surpreendeu por romper com a tradição, mas alinha-se com a simplicidade que marca seu pontificado. O túmulo, já preparado, ficará próximo ao ícone mariano, simbolizando sua entrega à Virgem.

A devoção de Francisco também inspira os fiéis. Durante o Jubileu, a basílica espera um aumento no número de peregrinos, muitos motivados pelo exemplo do papa. Eventos como a reencenação da “neve de agosto”, que celebra a lenda da fundação do templo, atraem multidões, e a presença da Salus Populi Romani reforça a mensagem de esperança do Jubileu, convidando os católicos a confiar na intercessão de Maria.

  • Primeira visita de Francisco: 14 de março de 2013, um dia após a eleição.
  • Visitas totais: Mais de 120, incluindo antes e após viagens apostólicas.
  • Túmulo preparado: Próximo à Capela Paulina, junto à Salus Populi Romani.

O impacto da visita

A oração de Francisco na basílica reverbera entre os católicos. Em um momento de recuperação física, sua presença em Santa Maria Maior transmite força espiritual, especialmente às vésperas da Semana Santa. A escolha de um gesto simples, como rezar diante de um ícone, contrasta com a grandiosidade das celebrações jubilares, destacando a humildade que define seu papado. Para os fiéis, o ato reforça a importância da oração em tempos de dificuldade.

A visita também coincide com a preparação de Roma para o Jubileu. A cidade espera receber milhões de peregrinos, e a Basílica de Santa Maria Maior, com sua Porta Santa, será um dos destinos mais procurados. A infraestrutura local, incluindo hotéis e transporte, está sendo ampliada, e o Vaticano coordena eventos para garantir uma experiência espiritual significativa. A presença de Francisco, mesmo limitada, inspira esses esforços, mostrando que a fé pode superar barreiras físicas.

Nas redes sociais, a notícia da visita gerou milhares de interações. Fiéis compartilharam mensagens de apoio ao papa, destacando sua resiliência e devoção. A imagem da Salus Populi Romani, frequentemente associada a milagres, tornou-se um símbolo de esperança para muitos, que veem na oração de Francisco um pedido por paz e renovação em um mundo marcado por conflitos e incertezas.

A Semana Santa em Roma

A Semana Santa de 2025 será um marco no Jubileu da Esperança. Além do Domingo de Ramos, eventos como a Missa do Crisma, na quinta-feira, reunirão clérigos para a bênção dos óleos sagrados. A Via-Sacra no Coliseu, na sexta-feira, atrairá peregrinos de todo o mundo, que meditarão sobre a Paixão de Cristo. No Sábado Santo, a Vigília Pascal em São Pedro celebrará a ressurreição, com batismos de novos católicos, enquanto a Missa de Páscoa, no domingo, culminará com a bênção Urbi et Orbi.

A incerteza sobre a participação de Francisco não diminui a expectativa. O Vaticano planejou as cerimônias com cuidado, delegando funções a cardeais como Sandri para garantir a continuidade. A Praça de São Pedro, decorada com flores da Holanda, receberá milhares de fiéis, e transmissões ao vivo permitirão que católicos de todo o mundo acompanhem os eventos. A visita do papa à basílica, na véspera desses dias, reforça a centralidade da fé mariana na liturgia pascal.

A Basílica de Santa Maria Maior terá um papel especial. Durante a Semana Santa, ela receberá peregrinos que buscarão a indulgência plenária ao cruzar sua Porta Santa. A presença do ícone Salus Populi Romani, tão querido por Francisco, será um ponto de união para os fiéis, que encontrarão no santuário um espaço de reflexão e renovação espiritual.

O legado de Francisco

Liderar a Igreja aos 88 anos é um desafio que Francisco enfrenta com coragem. Sua saúde frágil não o impediu de manter gestos significativos, como a visita à basílica. Desde o início de seu pontificado, ele priorizou a proximidade com os fiéis, visitando prisões, hospitais e periferias. A escolha de Santa Maria Maior como local de oração e futuro sepultamento reflete essa visão, que valoriza a simplicidade e a espiritualidade mariana.

O Jubileu de 2025 é uma oportunidade para consolidar esse legado. Com eventos como o Jubileu dos Pobres, em novembro, e o Jubileu dos Presos, em dezembro, Francisco reforça sua mensagem de inclusão e misericórdia. A Basílica de Santa Maria Maior, como centro de peregrinação, será um palco para essas iniciativas, atraindo fiéis que buscam viver a esperança proposta pelo papa.

A devoção à Salus Populi Romani também deixa uma marca duradoura. Ao escolher o ícone como símbolo de seu pontificado, Francisco inspira católicos a confiar em Maria como guia. Sua oração na basílica, às vésperas da Semana Santa, é um convite para que os fiéis se unam em oração, especialmente em um mundo que enfrenta desafios como guerras, desigualdades e crises ambientais.

  • Início do Jubileu: 24 de dezembro de 2024, com a Porta Santa de São Pedro.
  • Porta Santa de Santa Maria Maior: Aberta em 1º de janeiro de 2025.
  • Eventos do Jubileu: Jubileu dos Pobres (16 de novembro) e dos Presos (14 de dezembro).

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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