Justiça Eleitoral seleciona urnas para auditoria no 2º turno

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Todo o dinheiro usado nas campanhas passa por prestação de contas à Justiça Eleitoral - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil Foto: Todo o dinheiro usado nas campanhas passa por prestação de contas à Justiça Eleitoral - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Representantes de partidos políticos e de entidades fiscalizadoras acompanharam nos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) de todo o Brasil, neste sábado (24), o sorteio e a escolha das urnas eletrônicas que passarão por auditorias no segundo turno das eleições gerais. Nos quatro maiores colégios eleitorais do país — São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia —, cada estado terá o total de 43 equipamentos submetidos aos procedimentos de fiscalização neste domingo (25).

Em Brasília, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também realizou neste sábado a cerimônia de verificação dos sistemas de processamento dos resultados e emitiu, em conjunto com os tribunais regionais, as zerésimas que atestam a ausência de votos registrados nos sistemas de totalização antes da abertura do pleito. “Em um Estado Democrático de Direito, a legitimidade do poder político repousa exclusivamente na vontade soberana do povo e é dever sagrado desta Corte assegurar que cada sufrágio depositado na urna eletrônica seja registrado e apurado com exatidão e fidelidade”, disse o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques.

Divisão das urnas eletrônicas nos estados e funcionamento dos testes

A quantidade de equipamentos selecionados varia conforme o tamanho do eleitorado de cada unidade da federação. Em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia, das 43 urnas definidas por estado, 33 serão submetidas ao teste de integridade e 10 passarão pelo teste de autenticidade. Já no Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Ceará, outros estados com grande número de eleitores, cada tribunal auditará o total de 35 urnas, divididas entre 27 no teste de integridade e 8 no de autenticidade. Em Roraima, que concentra o menor colégio eleitoral do país, o procedimento abrangerá 23 equipamentos no total, sendo 20 destinados à verificação de integridade e 3 à conferência de autenticidade.

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No teste de integridade, as seções eleitorais sorteadas têm suas urnas eletrônicas originais substituídas por equipamentos reservas antes da votação, enquanto as máquinas sorteadas são transferidas para um espaço específico, onde permanecem guardadas em uma sala lacrada até o dia do pleito. Representantes dos partidos políticos e das instituições fiscalizadoras preenchem cédulas de papel com votos para os candidatos em disputa e depositam esse material em urnas de lona, que também recebem lacres de segurança para posterior conferência. Neste domingo, servidores do Poder Judiciário e do Ministério Público retiram essas cédulas da urna de lona e digitam cada voto diretamente nos equipamentos eletrônicos sorteados, permitindo que, no encerramento da votação, às 17h (horário de Brasília), os registros em papel sejam comparados um a um com os resultados eletrônicos.

Uma parcela das máquinas escolhidas para a fiscalização passa pelo teste de integridade com biometria, modalidade regulamentada pelas Resoluções nº 23.758/2026 e nº 23.759/2026 do TSE. Nessa etapa, em vez de usar cédulas preenchidas previamente por partidos e entidades, o procedimento conta com a participação de eleitores voluntários no dia da votação. Após votarem normalmente em suas seções, esses cidadãos são convidados a comparecer a um local próximo para habilitar a urna auditada por meio da própria impressão digital, mediante a assinatura de um Termo de Consentimento, podendo acompanhar a escolha da cédula e a digitação dos dados no equipamento.

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O teste de autenticidade, por sua vez, é executado dentro das próprias seções eleitorais sorteadas, antes do início da recepção dos votos neste domingo. Nessa verificação, as equipes realizam o rompimento do lacre do compartimento da mídia de resultado, retiram o componente e conferem se as assinaturas e os resumos digitais gravados na máquina coincidem exatamente com os sistemas abertos, compilados, assinados e lacrados pelo TSE.

Diversas instituições públicas e organizações da sociedade civil foram convidadas pela Justiça Eleitoral para acompanhar e fiscalizar as etapas de auditoria nos estados. O grupo de entidades participantes inclui a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Ministério Público, a Defensoria Pública, o Congresso Nacional, a Controladoria-Geral da União (CGU), a Polícia Federal, a Sociedade Brasileira de Computação, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Emissão da zerésima no TSE e votação de 158 milhões de eleitores

Durante a cerimônia realizada pelo TSE em 24 de outubro de 2026 para examinar os programas responsáveis pelo processamento dos resultados, a equipe técnica verificou a compatibilidade das assinaturas e dos resumos digitais com as versões originais lacradas pela Corte, concluindo que não houve alteração no sistema. “As cidadãs e cidadãos do nosso país podem ter a mais absoluta certeza de que, ao comparecer às seções eleitorais e pressionar a tecla ‘confirma’, seu voto será registrado, preservado e totalizado com absoluta integridade e transparência”, declarou Nunes Marques.

Além da zerésima emitida neste sábado para o sistema de totalização do TSE e dos TREs, cada seção eleitoral do país imprimirá sua própria zerésima neste domingo, antes da abertura da votação. O documento é um relatório emitido diretamente por cada urna eletrônica para comprovar que não existe nenhum voto prévio registrado na memória do equipamento.

Após o primeiro turno realizado em 4 de outubro de 2026, o segundo turno ocorre em 25 de outubro de 2026 com um total de 158 milhões de eleitores aptos a retornar às seções eleitorais. A disputa define a escolha para presidente da República e para os cargos de governador no Acre, no Amazonas, no Espírito Santo, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Norte, no Tocantins e no Distrito Federal.

De acordo com as normas estabelecidas pela Resolução nº 23.758/2026 do TSE, os relatórios individuais de auditoria elaborados por cada TRE deverão ser publicados no portal da Justiça Eleitoral no prazo máximo de 30 dias após o segundo turno, enquanto o relatório consolidado do TSE terá prazo de até 90 dias após o pleito para divulgação.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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