O Ministério de Minas e Energia (MME) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) decidiram manter o horário de verão suspenso para o ciclo de 2026 e 2027, após a conclusão de novos estudos técnicos realizados em setembro de 2026. Com a medida definida em Brasília, a prática de adiantar os relógios em uma hora durante os meses mais quentes permanece descartada em todas as regiões do território nacional. Os levantamentos indicam que a alteração sazonal tem baixa eficácia para gerar economia de eletricidade, já que o maior volume de demanda migrou para o período das tardes quentes em razão do acionamento intenso de aparelhos de refrigeração.
A manutenção do fuso padrão evita alterações na rotina de trabalhadores, estudantes e empresas, ao mesmo tempo em que exige adaptações operacionais de segmentos como o comércio e o turismo. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, informou que a decisão prioriza a estabilidade do sistema elétrico nacional. Os dados avaliados pelo ONS apontam condições favoráveis de armazenamento nos reservatórios das usinas hidrelétricas, patamar superior ao verificado em períodos críticos anteriores, o que afasta a necessidade de medidas emergenciais mesmo diante do histórico recente de altas temperaturas registradas desde 1961.
- Horário de pico de consumo: deslocado para as 14h, com marca histórica de 103.785 MW registrada em fevereiro de 2025.
- Efeito de redução da medida: economia anterior do horário de verão restrita a menos de 0,5% do consumo total do país.
- Operação produtiva: manutenção dos relógios preserva a logística de transportes, indústrias e serviços públicos.
- Base legal da suspensão: Decreto nº 9.772, de 25 de abril de 2019, revogou as normas antigas que determinavam o adiantamento de 60 minutos.
Uso de ar-condicionado à tarde reduz efeito sobre o consumo
O perfil de utilização de eletricidade mudou nos últimos anos e tirou a finalidade prática do adiantamento dos relógios. Nas décadas passadas, o pico de carga ocorria no começo da noite, impulsionado pelo acionamento simultâneo da iluminação artificial nas residências e nas vias públicas. Com a disseminação de sistemas de climatização e ar-condicionado no comércio e nos domicílios, a exigência máxima da rede elétrica passou a ocorrer no meio da tarde, justamente quando já há incidência de luz solar.
Relatórios técnicos do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) confirmaram essa transformação estrutural no comportamento dos consumidores. Suspensa desde a edição do decreto presidencial de 2019, a política energética não entrega mais os ganhos que eram projetados na década de 1980, época em que a mudança de fuso passou a ser aplicada de maneira contínua.
Além do novo hábito de consumo, a modernização das redes de distribuição e o uso disseminado de equipamentos mais econômicos, como as lâmpadas de tecnologia LED, diminuíram a necessidade de intervenções no fuso horário. A estratégia do governo federal concentra recursos na ampliação de usinas de fontes renováveis para suprir o crescimento da carga sem alterar os relógios da população.
Projeto na Câmara dos Deputados prevê proibição por lei
Na esfera legislativa, a Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados aprovou, em 5 de outubro de 2025, um projeto de lei que veda a instituição do horário de verão em todo o território nacional. Relator da matéria no colegiado, o deputado federal Otto Alencar Filho defendeu a manutenção de um horário uniforme ao longo do ano para impedir transtornos operacionais e biológicos à população.
O texto aprovado na comissão revoga dispositivos de decretos anteriores e estabelece que o adiantamento dos relógios só poderá ocorrer em situações excepcionais de crise energética severa, a exemplo de secas prolongadas que afetem a geração hídrica. Após o aval da comissão temática, a proposta seguiu para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
A proposta parlamentar busca transformar em lei a suspensão administrativa que vigora desde 2019, amparada em pareceres que apontam retorno econômico reduzido. Representantes da aviação civil e do setor industrial apoiam o travamento definitivo das mudanças sazonais, argumentando que a estabilidade de horário facilita o planejamento de voos e de escalas anuais.
O debate no Congresso Nacional acompanha o monitoramento permanente das condições hídricas e climáticas feito pelo Executivo, que já havia descartado a retomada da medida em 2024 e 2025 devido à segurança operacional do Sistema Interligado Nacional (SIN). Na área médica, levantamentos que embasam a discussão legislativa indicam maior ocorrência de eventos cardiovasculares nos dias imediatamente posteriores às trocas de horário.
Varejo adapta promoções e indústria reduz custos em até 5%
No setor produtivo, redes varejistas que costumavam contabilizar acréscimo de 10% nas vendas do período noturno durante a vigência do horário de verão mantêm cronogramas ajustados para a temporada de 2026 e 2027. Entidades representativas do comércio nas regiões Sul e Sudeste operam com horários de atendimento fixos e direcionam campanhas promocionais para o período diurno, compensando a ausência de claridade extra no fim do expediente.
Para o parque industrial, a manutenção do fuso padrão garante previsibilidade no gerenciamento de turnos e elimina a necessidade de recalibrar linhas de produção duas vezes ao ano. Segmentos de manufatura e de distribuição logística apontam redução de até 5% nos custos operacionais com o fim das adaptações sazonais de jornada.
Já as empresas de turismo em municípios do litoral, onde a programação noturna se apoiava no entardecer mais tardio, reformularam seus roteiros para o ciclo de 2026 e 2027. As operadoras de viagens concentram pacotes e passeios em horários matutinos e vespertinos, adequando a oferta de lazer à luminosidade natural do horário padrão.
Comércio e setor de bares divergem sobre horário fixo
A decisão técnica do MME e do ONS provoca avaliações distintas entre as entidades que representam o empresariado. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) manifesta apoio à continuidade da suspensão, apontando que a padronização simplifica operações financeiras e transações comerciais entre diferentes estados. Por outro lado, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) registra preocupação com a retração no movimento de clientes após as 18h sem a hora adicional de sol.
Produtores de eventos culturais e esportivos também organizam seus calendários de verão priorizando atividades pela manhã e no início da tarde. Com a manutenção do fuso inalterado, o país segue a mesma diretriz adotada por vizinhos sul-americanos, como a Argentina, que deixaram de aplicar trocas sazonais nos relógios.
A posição governamental também se apoia em levantamentos de opinião conduzidos pelo Ministério de Minas e Energia. Em consulta pública realizada em setembro de 2025 com mais de 5 mil participantes, 70% dos respondentes declararam preferência pela manutenção do horário normal durante todo o ano.
Estabilidade no relógio evita alta de 6% em problemas cardíacos
Sob o ponto de vista sanitário, a ausência de alteração nos relógios preserva o ciclo circadiano da população, mecanismo biológico que regula o sono e o metabolismo. Médicos e pesquisadores da área do sono apontam que o adiantamento repentino de uma hora causa insônia nos primeiros dias e sonolência diurna, reduzindo o rendimento no trabalho e nos estudos por várias semanas.
Pesquisas médicas internacionais utilizadas como referência pelo setor mostram uma elevação de 6% nos atendimentos hospitalares por fibrilação atrial — um tipo de arritmia cardíaca — logo após a mudança dos ponteiros. Entre os trabalhadores submetidos a escalas noturnas, a manutenção do horário fixo evita o desgaste adicional de readaptação biológica.
No ambiente escolar, instituições de ensino fundamental, médio e superior mantêm seus cronogramas anuais sem interrupções de fuso, o que reduz o estresse relatado por famílias com crianças em idade escolar. Além disso, estatísticas históricas de tráfego viário de 2018 apontavam crescimento de 9% no número de colisões de trânsito associadas à fadiga nos dias seguintes ao início do horário de verão.
Governo mantém revisões trimestrais e aportes de R$ 20 bilhões
Para garantir a segurança do fornecimento elétrico sem recorrer a mudanças no relógio, o Ministério de Minas e Energia e o ONS realizam revisões técnicas trimestrais sobre as condições de atendimento da carga no país. Os modelos de previsão do operador indicam suprimento regular de eletricidade para atravessar os meses de calor intenso na temporada 2026/2027.
Essa margem de segurança é sustentada pela expansão do parque gerador, que recebeu R$ 20 bilhões em investimentos em 2025 voltados para eficiência energética e novas usinas eólicas e solares. Os aportes ampliam a capacidade de resposta do sistema durante as tardes de alta temperatura, e os boletins de monitoramento seguem disponíveis nos canais oficiais do governo federal com orientações para o uso racional de energia nos horários de ponta.

