Bolsonaro evolui bem após cirurgia de 12 horas, mas segue na UTI sem previsão de alta em BrasíliaPor Carolina Costa
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Jair Messias Bolsonaro, ex-presidente do Brasil, apresentou melhora em exames laboratoriais, conforme boletim médico divulgado na sexta-feira, 18 de abril. Internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília, ele segue sem previsão de alta e sem receber visitas. A cirurgia de 12 horas, realizada no domingo, 13 de abril, foi necessária para tratar uma obstrução intestinal decorrente de complicações de um atentado sofrido em 2018. Apesar da evolução clínica positiva, o pós-operatório é considerado delicado, exigindo cuidados intensivos.
A operação, classificada como uma das mais complexas realizadas no ex-presidente, envolveu a remoção de aderências intestinais e a reconstrução da parede abdominal. O procedimento, que durou cerca de 12 horas, foi concluído sem intercorrências, mas os médicos alertam que as primeiras 48 horas pós-cirurgia foram cruciais. Agora, com a fase mais crítica superada, Bolsonaro mantém-se estável, sem dor, sangramentos ou outras complicações, recebendo nutrição parenteral exclusiva, ou seja, por via intravenosa, enquanto o intestino não retoma seu funcionamento normal.
A equipe médica destacou que o quadro de Bolsonaro é monitorado de perto, com tomografias de controle que não indicaram complicações. Ele também realiza sessões de fisioterapia motora, com caminhadas assistidas fora do leito, e respiratória, para prevenir problemas como pneumonia, comum em pacientes submetidos a longas cirurgias. A recomendação é que ele evite atividades intensas e restrinja visitas, mesmo de familiares, para garantir a recuperação.
- Cirurgia complexa: Procedimento de 12 horas para tratar suboclusão intestinal.
- Evolução clínica: Melhora nos marcadores inflamatórios e ausência de dor.
- Cuidados intensivos: Nutrição parenteral e fisioterapia para recuperação gradual.
Histórico de complicações abdominais
O atual internamento de Bolsonaro é mais um capítulo de uma série de complicações de saúde iniciada em 6 de setembro de 2018, quando ele sofreu um atentado a faca durante um ato de campanha em Juiz de Fora, Minas Gerais. O ataque, perpetrado por Adélio Bispo de Oliveira, causou lesões graves no intestino, exigindo múltiplas intervenções cirúrgicas desde então. A cirurgia realizada no último domingo foi a sétima relacionada ao atentado, sendo considerada a mais longa e complexa devido ao estado do abdômen do ex-presidente, descrito como “hostil” pelos médicos.
As aderências intestinais, que são faixas de tecido cicatricial formadas após cirurgias abdominais, foram a principal causa da obstrução intestinal que levou Bolsonaro ao hospital. Essas aderências, comuns em pacientes com histórico de múltiplos procedimentos, podem causar dobras no intestino, dificultando o trânsito de alimentos e gases. No caso de Bolsonaro, a condição foi agravada por uma distensão abdominal persistente, que não cedeu com tratamentos iniciais, levando à decisão pela cirurgia.
A parede abdominal de Bolsonaro também foi severamente afetada pelas intervenções anteriores. Durante a cirurgia, os médicos levaram cerca de duas horas apenas para acessar o abdômen, devido ao tecido danificado. A reconstrução da parede abdominal foi um dos objetivos do procedimento, visando melhorar a funcionalidade do órgão e prevenir complicações futuras. Apesar do sucesso da operação, os médicos alertam que novas aderências podem se formar, o que é esperado em casos como esse.
Trajetória até a cirurgia
Bolsonaro sentiu fortes dores abdominais na sexta-feira, 11 de abril, enquanto participava de um evento do Partido Liberal (PL) em Santa Cruz, no interior do Rio Grande do Norte. Inicialmente, ele foi atendido no Hospital Municipal Aluízio Bezerra, onde exames indicaram uma suboclusão intestinal. Transferido de helicóptero para Natal, capital do estado, ele passou por avaliações adicionais antes de ser levado, no sábado, 12 de abril, para Brasília em uma UTI aérea, acompanhado por uma equipe médica da Unimed.
A decisão de realizar a cirurgia foi tomada após exames confirmarem a persistência da obstrução, com elevação nos marcadores inflamatórios, como o PCR, que indicava um processo infeccioso ou inflamatório em curso. A equipe médica, liderada pelo cirurgião Cláudio Birolini e pelo cardiologista Leandro Echenique, optou por uma laparotomia exploradora, um procedimento que envolve a abertura completa do abdômen para identificar e corrigir problemas não detectados por exames de imagem.
A transferência para Brasília foi uma escolha da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, embora aliados do ex-presidente tenham sugerido que ele fosse levado para São Paulo, onde já havia sido tratado anteriormente. Em Brasília, Bolsonaro chegou ao Hospital DF Star acenando para apoiadores, mas visivelmente debilitado, com um tubo nasal e auxílio para caminhar. A cirurgia começou às 10h de domingo e terminou por volta das 21h20, sem necessidade de transfusão de sangue.
- Cronologia dos eventos:
- 11 de abril: Bolsonaro passa mal em Santa Cruz, RN, e é internado.
- 12 de abril: Transferência para Brasília em UTI aérea.
- 13 de abril: Cirurgia de 12 horas no Hospital DF Star.
- 18 de abril: Boletim confirma melhora, mas sem previsão de alta.
Desafios do pós-operatório
O pós-operatório de Bolsonaro é considerado prolongado e delicado, com uma previsão inicial de pelo menos duas semanas de internação. A equipe médica enfatiza que a recuperação será gradual, exigindo paciência e adesão rigorosa às recomendações. Um dos principais desafios é controlar a resposta inflamatória do organismo, que pode ser intensa após um procedimento tão extenso. Essa inflamação aumenta o risco de complicações, como infecções ou trombose, que estão sendo monitoradas de perto.
A alimentação de Bolsonaro permanece restrita à nutrição parenteral, já que o intestino ainda não retomou seu funcionamento normal. A reintrodução de alimentos por via oral só será feita quando os médicos confirmarem que o órgão está apto, o que pode levar dias ou semanas. Durante esse período, ele realiza exercícios de fisioterapia para estimular a musculatura e prevenir complicações respiratórias, como pneumonia, que são uma preocupação em pacientes submetidos a longas cirurgias.
Outro aspecto destacado pelos médicos é a necessidade de restringir a agenda intensa de Bolsonaro, conhecida por incluir viagens e compromissos políticos pelo país. O ex-presidente, que costuma manter um ritmo acelerado, foi orientado a reduzir atividades para garantir uma recuperação adequada. A equipe médica reconhece, no entanto, que controlar esse ritmo pode ser desafiador, dado o perfil ativo de Bolsonaro.
Impacto do atentado de 2018
O atentado sofrido por Bolsonaro em 2018 deixou sequelas significativas, que continuam a impactar sua saúde. A facada perfurou o intestino em vários pontos, exigindo uma colostomia temporária e uma série de cirurgias corretivas ao longo dos anos. Desde então, ele foi internado 13 vezes e submetido a sete procedimentos abdominais, incluindo a retirada da bolsa de colostomia em 2019 e a correção de uma hérnia de hiato em 2023.
Cada cirurgia aumenta o risco de novas aderências, criando um ciclo de complicações que torna o abdômen de Bolsonaro um “ambiente hostil”, conforme descrito pelos médicos. Esse cenário exige intervenções cada vez mais complexas, como a realizada no último domingo, que demandou um trabalho minucioso para liberar o intestino centímetro a centímetro. A gravidade do quadro atual reforça a importância de cuidados contínuos para evitar novos episódios de obstrução.
A saúde de Bolsonaro também ganhou destaque nas redes sociais, com mensagens de apoio de aliados e postagens do próprio ex-presidente, que agradeceu as orações e destacou sua fé durante a recuperação. Uma foto publicada por ele na quinta-feira, 17 de abril, ao lado do filho Carlos Bolsonaro, mostrou-o na UTI, conectado a aparelhos, mas fazendo um sinal de positivo, o que foi interpretado como um gesto de otimismo.
- Complicações do atentado:
- Lesões intestinais graves em 2018.
- Sete cirurgias abdominais desde então.
- Risco contínuo de aderências e obstruções.
Monitoramento e perspectivas
A equipe médica do Hospital DF Star mantém Bolsonaro sob vigilância constante, com exames regulares para avaliar a evolução do quadro. As tomografias realizadas nos últimos dias não indicaram complicações, e os marcadores inflamatórios mostram uma tendência de melhora. Esses resultados são vistos como positivos, mas os médicos reforçam que a alta da UTI depende de uma série de fatores, como a retomada da função intestinal e a ausência de intercorrências.
A fisioterapia, tanto motora quanto respiratória, desempenha um papel central na recuperação. As caminhadas assistidas, iniciadas logo após a cirurgia, ajudam a estimular a circulação e prevenir trombose, enquanto os exercícios respiratórios reduzem o risco de infecções pulmonares. A restrição de visitas, embora desafiadora para a família, é considerada essencial para minimizar o risco de infecções e garantir um ambiente tranquilo.
Embora a expectativa seja de que Bolsonaro possa retomar uma vida sem restrições após o pós-operatório, que pode durar de dois a três meses, os médicos alertam que o histórico de cirurgias aumenta a probabilidade de novos problemas. A formação de aderências, mesmo após a cirurgia atual, é um risco inerente, e futuras intervenções não estão descartadas, dependendo da evolução do quadro.
Contexto político e apoio
Apesar da internação, Bolsonaro mantém presença ativa nas redes sociais, com postagens que reforçam sua conexão com apoiadores. Durante a internação, ele mencionou um projeto de lei que anistia os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, mostrando que continua atento à agenda política. A presença de familiares, como Michelle e Carlos Bolsonaro, também tem sido destacada nas redes, com fotos e mensagens que buscam transmitir otimismo.
No Rio Grande do Norte, onde Bolsonaro passou mal, ele participava de um evento do PL voltado para fortalecer a presença do partido no Nordeste, com o projeto Rota 22, que inclui visitas e seminários pelo país. A interrupção da agenda, que incluía paradas em outras cidades, foi um revés para os planos do partido, mas aliados afirmam que a saúde do ex-presidente é a prioridade.
A internação de Bolsonaro também gerou reações variadas, com mensagens de apoio de parlamentares e críticas de adversários políticos. O ministro da Saúde, Nísia Trindade, ironizou o uso do Samu pelo ex-presidente, destacando a importância do Sistema Único de Saúde (SUS), que Bolsonaro criticou durante seu mandato. Essas tensões refletem o cenário polarizado em que a saúde do ex-presidente é discutida.
- Eventos recentes:
- Participação em evento do PL no RN antes de passar mal.
- Postagens sobre anistia aos envolvidos no 8 de janeiro.
- Reações políticas, incluindo crítica do ministro da Saúde.
Cuidados futuros e recomendações
A equipe médica reforça que a recuperação de Bolsonaro exige disciplina, especialmente em relação à alimentação e à atividade física. Embora o estilo de vida do ex-presidente, que inclui hábitos como comer pastel com caldo de cana, não tenha sido apontado como causa direta da obstrução, os médicos recomendam uma dieta equilibrada para minimizar o estresse no sistema digestivo. A nutrição parenteral será mantida até que o intestino esteja pronto para processar alimentos, um marco importante na recuperação.
A restrição de atividades políticas é outro ponto crítico. Bolsonaro, conhecido por sua agenda intensa, foi orientado a evitar viagens e compromissos que possam comprometer a cicatrização. A equipe médica reconhece que essa recomendação pode ser difícil de seguir, mas é essencial para evitar complicações. A família, especialmente Michelle Bolsonaro, tem papel central em garantir que essas orientações sejam cumpridas.
O acompanhamento médico de longo prazo será necessário para monitorar o estado do abdômen de Bolsonaro e prevenir novas obstruções. Exames regulares e consultas com especialistas em cirurgia digestiva farão parte da rotina do ex-presidente, que já convive com as sequelas do atentado há quase sete anos. A resiliência de Bolsonaro, destacada por ele mesmo em postagens, será testada nesse período de recuperação.







