Brasileira relata caos na Basílica de São Pedro após morte do papa Francisco: “Sinos tocaram e tudo fechou”

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Papa Francisco Foto: Papa Francisco - Foto: Fabrizio Maffei / Shutterstock.com

Morgana Oliveira, uma esteticista de Belo Horizonte, planejava uma manhã tranquila de turismo em Roma, mas acabou vivenciando um momento histórico. Durante sua visita à Basílica de São Pedro, no Vaticano, na manhã de 21 de abril, a notícia da morte do papa Francisco, aos 88 anos, transformou a serenidade do local em um cenário de comoção e pressa. Por volta das 7h30 no horário local, os sinos da basílica começaram a soar, marcando o anúncio oficial do falecimento do pontífice, que faleceu às 2h35 no horário de Brasília, após complicações de uma pneumonia bilateral que o deixou internado por 38 dias. A turista mineira, que estava acompanhada de seu noivo, relatou que o ambiente, até então repleto de visitantes, mudou rapidamente: as áreas de visitação foram fechadas, e todos foram orientados a deixar o local sem explicações imediatas.

A Basílica de São Pedro, um dos maiores símbolos do catolicismo, é visitada anualmente por milhões de turistas e peregrinos. Morgana escolheu o horário matutino para evitar grandes multidões, mas não imaginava que estaria no epicentro de um evento que marcaria a história da Igreja Católica. Ela descreveu o momento como “caótico”, com visitantes confusos e funcionários do Vaticano agindo rapidamente para esvaziar o espaço. A mineira só descobriu o motivo do tumulto ao verificar notícias em seu celular, cerca de 30 minutos após o toque dos sinos, quando a morte do papa já era manchete global.

O impacto da morte de Francisco, o primeiro papa latino-americano, foi sentido imediatamente em Roma e no mundo. O Vaticano, que estava em meio às celebrações do Jubileu de 2025, precisou adaptar sua agenda, suspendendo eventos como a canonização do beato Carlo Acutis, prevista para 27 de abril. A notícia também gerou reações de líderes mundiais e fiéis, que destacaram o legado de Francisco, marcado pela defesa dos pobres, reformas na Igreja e um apelo à misericórdia.

Um momento histórico na Basílica de São Pedro

A Basílica de São Pedro, localizada no coração do Vaticano, é mais do que um ponto turístico: é o centro espiritual de 1,4 bilhão de católicos. Construída no século XVI, ela abriga tesouros artísticos, como a Pietà de Michelangelo, e é palco das principais celebrações do calendário católico. Morgana Oliveira, que visitava o local pela primeira vez, estava na área da cúpula quando os sinos começaram a tocar. “Foi algo inesperado. Primeiro, pensei que era parte da visita, mas logo percebi que algo sério estava acontecendo”, relatou a esteticista.

O toque dos sinos, um símbolo tradicional para anunciar eventos significativos no Vaticano, ecoou pela Praça de São Pedro, onde turistas e peregrinos expressavam surpresa e tristeza. A mineira, que não conseguiu gravar o momento devido à rapidez dos eventos, descreveu a saída como “uma mistura de silêncio e confusão”. Funcionários do Vaticano, sem dar detalhes, orientaram os visitantes a deixar o local, enquanto seguranças reforçavam a entrada da praça.

A morte de Francisco, confirmada às 7h35 no horário local pelo cardeal Kevin Farrell, camerlengo do Vaticano, marcou o fim de um pontificado de quase 12 anos. O papa, nascido Jorge Mario Bergoglio em Buenos Aires, Argentina, em 17 de dezembro de 1936, faleceu em seu apartamento na Casa Santa Marta, onde residia desde sua eleição em 2013. A causa oficial, divulgada horas depois, apontou insuficiência cardíaca e um acidente vascular cerebral (AVC), agravados por sua condição respiratória debilitada.

O impacto imediato no Vaticano

O falecimento de Francisco desencadeou uma série de rituais e mudanças no Vaticano. A Basílica de São Pedro foi fechada para visitação, e a Praça de São Pedro, normalmente cheia de fiéis, tornou-se um espaço de luto. O cardeal Farrell anunciou a morte em uma breve cerimônia na Casa Santa Marta, declarando: “Com profunda dor, devo anunciar a morte do nosso Santo Padre Francisco. O Bispo de Roma voltou à casa do Pai”. A declaração, transmitida ao vivo, emocionou milhões de pessoas ao redor do mundo.

No mesmo dia, o Vaticano iniciou os preparativos para os ritos fúnebres. Às 14h, no horário de Brasília, uma missa de sufrágio foi realizada na Basílica de São João de Latrão, em Roma, presidida pelo cardeal Baldo Reina. Às 15h, o rito de constatação da morte e a deposição do corpo de Francisco no caixão ocorreram na capela privada da Casa Santa Marta. O corpo do pontífice será exposto na Basílica de São Pedro a partir de 23 de abril, permitindo que fiéis e autoridades prestem suas homenagens.

  • Missa de sufrágio: Realizada às 14h (horário de Brasília) na Basílica de São João de Latrão.
  • Rito de constatação da morte: Conduzido às 15h na Casa Santa Marta, com a presença de cardeais e familiares.
  • Exposição do corpo: Início na manhã de 23 de abril, na Basílica de São Pedro, para visitação pública.
  • Sepultamento: Francisco será enterrado na Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma, uma escolha incomum, já que a última vez que um papa foi sepultado fora de São Pedro foi em 1903, com Leão XIII.

A trajetória de Francisco: um papa revolucionário

Jorge Mario Bergoglio, o 266º papa, assumiu o papado em 13 de março de 2013, após a renúncia de Bento XVI, um evento raro na história da Igreja. Primeiro jesuíta e latino-americano a ocupar o cargo, Francisco trouxe um estilo simples e próximo do povo. Ele dispensou as vestimentas luxuosas, optou por morar na Casa Santa Marta em vez do Palácio Apostólico e priorizou temas como justiça social, meio ambiente e diálogo inter-religioso.

Durante seu pontificado, Francisco enfrentou desafios complexos, como os escândalos de abusos sexuais na Igreja, que levaram à abolição do sigilo pontifício para esses casos. Suas encíclicas, como Laudato si’ (2015), sobre a preservação ambiental, e Fratelli tutti (2020), sobre fraternidade universal, tornaram-se referências globais. Ele também promoveu a sinodalidade, incentivando a participação de leigos e mulheres na governança da Igreja.

Francisco realizou 47 viagens internacionais, incluindo uma visita histórica ao Brasil em 2013, durante a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro. Sua passagem pelo país, onde foi recebido por multidões, marcou a primeira viagem apostólica de seu pontificado. O papa também mediou a reaproximação entre Estados Unidos e Cuba em 2014, um marco geopolítico.

Reações globais à morte de Francisco

A notícia da morte de Francisco reverberou rapidamente pelo mundo. Em Roma, fiéis se reuniram na Praça de São Pedro, mesmo com o acesso restrito, para rezar e prestar homenagens. Líderes mundiais expressaram condolências, destacando o impacto do pontífice. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi uma das primeiras a se manifestar, elogiando Francisco como um “mensageiro de esperança”. O secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu o papa como um “homem de fé para todas as religiões”.

No Brasil, o cardeal Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, anunciou que participará do conclave para eleger o próximo papa, previsto para começar em até 20 dias. Ele destacou a importância do legado de Francisco, especialmente sua proximidade com os pobres e sua devoção a Nossa Senhora Aparecida, cujo santuário o papa visitou duas vezes.

A mineira Morgana Oliveira, ainda em Roma, planeja acompanhar as cerimônias fúnebres. “Nunca imaginei que estaria aqui em um momento tão importante. É triste, mas também sinto que vivi algo único”, disse. Sua experiência reflete o impacto pessoal e coletivo da morte de Francisco, que deixa um vazio no catolicismo e no cenário global.

O que vem depois: o conclave e o futuro da Igreja

A morte de Francisco marca o início de um período de transição no Vaticano, conhecido como sede vacante. Durante esse tempo, o cardeal camerlengo, Kevin Farrell, assume a administração temporária da Igreja, enquanto os cardeais se preparam para o conclave. O processo, que ocorrerá na Capela Sistina, reunirá 132 cardeais eleitores, dos quais 70% foram nomeados por Francisco, o que aumenta a probabilidade de um sucessor alinhado com seu perfil reformista.

O conclave deve começar entre 15 e 20 dias após a morte do papa, conforme as regras da Igreja. Os cardeais, vindos de diferentes continentes, discutirão os desafios da Igreja, como a secularização, a crise de vocações e as tensões internas entre conservadores e progressistas. A escolha do próximo papa será um momento decisivo para o futuro do catolicismo, especialmente em um mundo marcado por conflitos, desigualdades e mudanças climáticas.

  • Período de sede vacante: Administração do Vaticano pelo cardeal camerlengo até a eleição do novo papa.
  • Conclave: Início previsto entre 6 e 11 de maio, na Capela Sistina, com 132 cardeais eleitores.
  • Perfil do próximo papa: Especialistas apontam para um líder pastoral, com foco em continuidade das reformas de Francisco.
  • Desafios da Igreja: Secularização, diálogo inter-religioso e resposta às crises sociais e ambientais.

Um legado que transcende fronteiras

Francisco foi um papa de gestos marcantes. Sua imagem caminhando sozinho na Praça de São Pedro, durante a pandemia de 2020, tornou-se um símbolo de resiliência e esperança. Ele enfrentou críticas de setores conservadores por suas posições progressistas, como a defesa da acolhida a migrantes e a ênfase na misericórdia em vez da doutrina rígida. No entanto, sua autenticidade conquistou milhões, mesmo entre não católicos.

O pontífice também deixou marcas na estrutura da Igreja. Ele criou 163 novos cardeais em dez consistórios, diversificando o Colégio Cardinalício com representantes de regiões periféricas, como Mongólia e Haiti. Sua decisão de abrir o Jubileu de 2025, em 24 de dezembro de 2024, com o tema “Peregrinos da Esperança”, reforçou sua visão de uma Igreja em saída, próxima dos marginalizados.

A escolha de ser sepultado na Basílica de Santa Maria Maggiore, onde visitava frequentemente a imagem de Salus Populi Romani, reflete sua espiritualidade simples e mariana. A decisão rompe com a tradição de sepultamentos na Basílica de São Pedro, mas está alinhada com sua identidade como um papa que valorizava a humildade.

A experiência de Morgana: um relato pessoal em meio à história

Morgana Oliveira, de 32 anos, nunca imaginou que suas férias em Roma a colocariam no centro de um evento global. A esteticista, que trabalha em um salão no bairro Lourdes, em Belo Horizonte, economizou por dois anos para realizar a viagem. “Queria conhecer a história, a arte, mas acabei vivendo algo muito maior”, afirmou. Ela e o noivo, que a acompanhava, estavam na Basílica de São Pedro desde as 7h, aproveitando o horário menos movimentado.

O momento em que os sinos tocaram ficou gravado em sua memória. “Foi um som forte, diferente. As pessoas pararam, e logo os funcionários começaram a nos guiar para a saída. Não sabíamos o que estava acontecendo”, contou. Morgana lamentou não ter registrado o momento, mas disse que a emoção de estar ali superou qualquer vídeo. Após deixar a basílica, ela acessou o celular e viu a notícia, que já circulava em portais como G1 e CNN Brasil.

A mineira planeja permanecer em Roma até o início das homenagens fúnebres, na esperança de ver o corpo de Francisco exposto na Basílica de São Pedro. “É uma oportunidade de me despedir e de entender melhor a importância dele para tanta gente”, disse. Sua história, embora pessoal, conecta-se à narrativa de milhões de fiéis que, em diferentes partes do mundo, lamentam a perda de um líder carismático.

Rituais fúnebres e o Jubileu de 2025

Os rituais fúnebres de Francisco seguem uma tradição milenar, mas com adaptações feitas pelo próprio papa. Em 2024, ele simplificou os procedimentos, determinando que seu corpo não será exposto fora do caixão, uma mudança em relação a práticas anteriores. O funeral, que culminará com uma missa na Praça de São Pedro, contará com a presença de autoridades como o presidente argentino Javier Milei e líderes religiosos de outras denominações.

O Jubileu de 2025, iniciado por Francisco em 24 de dezembro de 2024, continuará apesar de sua morte. O evento, que atrai milhões de peregrinos a Roma, tem como tema “A esperança não decepciona” e inclui a abertura de Portas Santas em basílicas como São João de Latrão e Santa Maria Maggiore. Algumas celebrações, no entanto, foram adiadas, como a canonização de Carlo Acutis, conhecido como “padroeiro da internet”.

  • Cronograma dos ritos fúnebres:
  • 21 de abril, 14h (Brasília): Missa de sufrágio na Basílica de São João de Latrão.
  • 21 de abril, 15h (Brasília): Rito de constatação da morte na Casa Santa Marta.
  • 23 de abril: Início da exposição do corpo na Basílica de São Pedro.
  • Data a confirmar: Missa fúnebre na Praça de São Pedro e sepultamento em Santa Maria Maggiore.

O impacto de Francisco no Brasil

No Brasil, Francisco era admirado por sua proximidade com os pobres e sua devoção a Nossa Senhora Aparecida. Sua visita ao Santuário Nacional, em 2013, durante a Jornada Mundial da Juventude, foi um dos momentos mais marcantes de seu pontificado. Ele celebrou uma missa para 15 mil pessoas na basílica e cumprimentou fiéis do lado de fora, onde telões transmitiam a cerimônia.

O papa também deixou um legado de apoio às comunidades periféricas. Durante sua passagem pelo Rio de Janeiro, visitou a favela de Varginha, onde destacou a importância de uma Igreja que “vai às margens”. Sua mensagem ressoou entre brasileiros, especialmente em um país marcado por desigualdades sociais.

A morte de Francisco gerou comoção em dioceses brasileiras. Em São Paulo, o arcebispo Odilo Scherer anunciou missas em memória do papa, enquanto em Aparecida o Santuário Nacional organizou uma vigília. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu uma nota destacando a “herança de fraternidade” deixada por Francisco.

Um papa que mudou a Igreja e o mundo

Francisco foi um líder que transcendeu os muros do Vaticano. Sua defesa da justiça social, expressa em gestos como lavar os pés de presos e acolher refugiados, inspirou mudanças dentro e fora da Igreja. Ele enfrentou resistências internas, especialmente de setores conservadores que criticavam suas reformas, mas manteve-se fiel à sua visão de uma Igreja “em saída”.

Sua saúde, fragilizada por problemas respiratórios desde a juventude, foi um desafio constante. A pneumonia bilateral que o levou à morte foi agravada por uma crise respiratória asmática, que exigiu internação prolongada. Apesar disso, Francisco manteve sua agenda até os últimos dias, aparecendo na sacada da Basílica de São Pedro no Domingo de Páscoa, 20 de abril, para abençoar os fiéis.

O legado de Francisco permanecerá vivo nas gerações futuras. Suas palavras, como “a esperança não decepciona”, ecoam como um convite à solidariedade em um mundo dividido. Enquanto o Vaticano se prepara para escolher seu sucessor, a memória de Jorge Mario Bergoglio continua a inspirar fiéis e não fiéis em todo o planeta.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

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