Sete cardeais brasileiros decidirão novo papa em conclave histórico no VaticanoPor Bruna
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A morte do papa Francisco, em abril de 2025, marcou o início de um período de luto e rituais que culminarão na eleição do próximo líder da Igreja Católica. O processo, conhecido como conclave, reúne cardeais de todo o mundo em um evento secreto e milenar, realizado na Capela Sistina, no Vaticano. Neste ano, 135 cardeais com menos de 80 anos têm o direito de votar, e entre eles estão sete brasileiros, figuras de destaque na hierarquia católica. Esses religiosos, oriundos de diferentes regiões do Brasil, carregam a responsabilidade de ajudar a definir o futuro da Igreja em um momento de transformações globais.
O conclave é um dos eventos mais emblemáticos da Igreja Católica, com raízes que remontam à Idade Média. Nele, os cardeais se reúnem em total isolamento, sem contato com o mundo exterior, para deliberar e votar até que um candidato alcance dois terços dos votos. A fumaça branca, que sinaliza a escolha de um novo papa, é aguardada com ansiedade por milhões de fiéis. Para os brasileiros, a participação de sete cardeais no processo reforça a relevância do país na Igreja global, especialmente após décadas de crescimento da influência católica na América Latina.
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Cada um dos cardeais brasileiros traz uma trajetória única, marcada por anos de serviço religioso e liderança em arquidioceses estratégicas. Desde São Paulo até Manaus, esses líderes têm desempenhado papéis centrais na condução da fé católica no Brasil, enfrentando desafios como a secularização, a concorrência com outras denominações religiosas e as demandas por reformas internas na Igreja. A presença deles no conclave não apenas destaca a força do catolicismo brasileiro, mas também coloca o Brasil no centro das discussões sobre o próximo pontificado.
- Quem são os cardeais brasileiros?
- Dom Odilo Scherer, 75 anos, arcebispo de São Paulo.
- Dom João Braz de Aviz, 77 anos, ex-prefeito de dicastério no Vaticano.
- Dom Orani João Tempesta, 74 anos, arcebispo do Rio de Janeiro.
- Dom Sergio da Rocha, 65 anos, arcebispo de Salvador.
- Dom Leonardo Steiner, 74 anos, arcebispo de Manaus.
- Dom Paulo Cezar Costa, 57 anos, arcebispo de Brasília.
- Dom Jaime Spengler, 64 anos, arcebispo de Porto Alegre.
O papel dos cardeais no conclave
O conclave é um processo rigorosamente estruturado, projetado para garantir a independência e a santidade da escolha do novo papa. Após a morte de um pontífice, os cardeais-eleitores têm entre 15 e 20 dias para se reunir no Vaticano. Durante esse período, eles ficam hospedados na Casa Santa Marta, uma residência dentro do território vaticano, e realizam as votações na Capela Sistina. O sigilo é absoluto: os cardeais juram manter segredo sobre as discussões, e qualquer vazamento pode resultar em excomunhão.
Embora o conclave seja guiado por princípios espirituais, ele também é um processo político. Cardeais formam alianças, discutem prioridades para a Igreja e avaliam os méritos de possíveis candidatos. A necessidade de dois terços dos votos exige consenso, o que pode prolongar as deliberações. Em 2013, por exemplo, o conclave que elegeu o papa Francisco durou dois dias, com cinco escrutínios. Para 2025, analistas preveem que o processo pode ser mais longo, dado o contexto global de divisões políticas e sociais que influenciam as decisões da Igreja.
Os cardeais brasileiros, com sua diversidade de experiências, trazem perspectivas únicas ao conclave. Dom Odilo Scherer, por exemplo, é conhecido por sua abordagem pastoral conservadora, enquanto Dom Leonardo Steiner tem se destacado por seu compromisso com questões sociais, como a defesa dos povos indígenas na Amazônia. Essa pluralidade reflete os desafios enfrentados pela Igreja no Brasil, que vão desde a urbanização acelerada até a preservação da fé em comunidades remotas.
Quem são os cardeais brasileiros no conclave
Cada cardeal brasileiro apto a votar no conclave de 2025 possui uma trajetória distinta, marcada por contribuições significativas à Igreja Católica. A seguir, apresentamos um panorama detalhado de suas atuações e papéis.
Dom Odilo Scherer: o líder de São Paulo
Nascido em Cerro Largo, no Rio Grande do Sul, Dom Odilo Scherer, de 75 anos, é uma das figuras mais conhecidas entre os cardeais brasileiros. Arcebispo de São Paulo desde 2007, ele participou do conclave de 2013, quando seu nome foi citado como um possível candidato ao papado. Apesar de não ter sido eleito, sua influência no cenário católico global é inegável. Scherer é reconhecido por sua habilidade administrativa e por liderar uma das maiores arquidioceses do mundo, com milhões de fiéis. Em 2024, ele apresentou seu pedido de renúncia ao atingir os 75 anos, conforme exigem as normas da Igreja, mas o papa Francisco pediu que ele permanecesse no cargo até 2026.

Dom João Braz de Aviz: experiência no Vaticano
Com 77 anos, Dom João Braz de Aviz traz ao conclave a experiência de quem ocupou um cargo de alto escalão no Vaticano. Natural de Mafra, Santa Catarina, ele foi prefeito do Dicastério para os Institutos da Vida Consagrada e Sociedade de Vida Apostólica por 14 anos, até janeiro de 2025. Nomeado cardeal por Bento XVI em 2012, Aviz participou do conclave que elegeu Francisco e é conhecido por sua abordagem dialogante. Sua longa atuação no Vaticano o coloca como uma ponte entre as perspectivas latino-americanas e europeias na Igreja.
Dom Orani João Tempesta: o pastor do Rio
Arcebispo do Rio de Janeiro desde 2009, Dom Orani João Tempesta, de 74 anos, é uma figura carismática no episcopado brasileiro. Nascido em São José do Rio Pardo, São Paulo, ele pertence à Ordem dos Monges Cistercienses e foi elevado a cardeal pelo papa Francisco em 2014. Tempesta ganhou projeção internacional ao coordenar a Jornada Mundial da Juventude no Rio, em 2013, que contou com a presença de Francisco. Sua atuação pastoral enfatiza a proximidade com os fiéis, especialmente em comunidades periféricas.
- Outros cardeais brasileiros em destaque
- Dom Sergio da Rocha: Arcebispo de Salvador, 65 anos, é membro do Conselho de Cardeais (G-9), instituído por Francisco para reformar a Cúria Romana.
- Dom Leonardo Steiner: Arcebispo de Manaus, 74 anos, é franciscano e ex-secretário-geral da CNBB, com forte atuação na Amazônia.
- Dom Paulo Cezar Costa: Arcebispo de Brasília, 57 anos, é o mais jovem dos cardeais brasileiros, nomeado em 2022.
- Dom Jaime Spengler: Arcebispo de Porto Alegre, 64 anos, preside a CNBB e o Celam, sendo nomeado cardeal em 2024.
A influência do Brasil na Igreja Católica
O Brasil, com cerca de 130 milhões de católicos, é o maior país católico do mundo em termos de população. Essa relevância se reflete na presença de sete cardeais brasileiros no conclave, um número significativo em comparação com outras nações. A América Latina, como um todo, tem ganhado peso nas decisões da Igreja, especialmente após a eleição do papa Francisco, o primeiro pontífice latino-americano. Os cardeais brasileiros, portanto, não apenas representam o país, mas também carregam as expectativas de uma região que busca maior protagonismo no catolicismo global.
A atuação dos cardeais brasileiros no conclave será influenciada por questões locais e globais. No Brasil, a Igreja enfrenta desafios como o avanço das igrejas evangélicas, que atraem milhões de fiéis, e a necessidade de dialogar com uma sociedade cada vez mais diversa. Globalmente, a Igreja Católica lida com debates sobre a ordenação de mulheres, o celibato clerical e a inclusão de minorias, temas que dividem os cardeais entre alas progressistas e conservadoras.
A diversidade dos cardeais brasileiros, que representam desde grandes centros urbanos até regiões como a Amazônia, permite que eles tragam uma visão ampla ao conclave. Dom Paulo Cezar Costa, por exemplo, tem se destacado por sua abordagem pastoral voltada para o diálogo inter-religioso, enquanto Dom Jaime Spengler enfatiza a formação de lideranças leigas para fortalecer a Igreja na América Latina.
Como funciona o conclave: um processo milenar
O conclave é um dos rituais mais antigos da Igreja Católica, com regras codificadas ao longo dos séculos. Ele ocorre na Capela Sistina, onde os cardeais votam em até quatro escrutínios por dia. Cada votação é seguida pela queima dos boletins: fumaça preta indica que não houve escolha, enquanto a fumaça branca sinaliza a eleição do novo papa. O processo pode durar dias ou até semanas, dependendo do grau de consenso entre os eleitores.
Além das votações, os cardeais participam de momentos de oração e reflexão. Antes do conclave, eles se reúnem nas chamadas congregações gerais, encontros nos quais discutem os desafios da Igreja e os perfis dos possíveis candidatos. Essas reuniões são cruciais para que os cardeais formem alianças e definam prioridades, como a necessidade de um papa mais pastoral ou mais focado em reformas administrativas.
- Etapas do conclave
- Reunião dos cardeais nas congregações gerais, entre o 5º e o 10º dia após a morte do papa.
- Início do conclave, entre o 15º e o 20º dia, com os cardeais isolados na Casa Santa Marta.
- Votações na Capela Sistina, com até quatro escrutínios diários.
- Anúncio do novo papa, após a fumaça branca e a proclamação do “Habemus Papam”.
Desafios e expectativas para o próximo papa
A eleição do próximo papa ocorre em um momento de profundas transformações na Igreja e no mundo. A globalização, as crises climáticas e as tensões geopolíticas são apenas alguns dos desafios que o novo pontífice enfrentará. Para os cardeais brasileiros, questões como a preservação da Amazônia, a desigualdade social e a evangelização em áreas urbanas serão prioridades nas discussões do conclave.
Dom Sergio da Rocha, por exemplo, tem defendido a implementação do Sínodo da Amazônia, que propõe maior inclusão de lideranças locais na Igreja. Já Dom Orani Tempesta enfatiza a importância de uma Igreja missionária, capaz de atrair jovens em um contexto de crescente secularização. Essas perspectivas refletem as tensões entre tradição e inovação que marcarão o conclave de 2025.
A escolha do próximo papa também será influenciada pelo legado de Francisco, que promoveu uma Igreja mais inclusiva e próxima dos pobres. Seus esforços para reformar a Cúria Romana e combater abusos sexuais na Igreja deixaram marcas profundas, mas também geraram resistências em setores conservadores. Os cardeais brasileiros, com sua experiência em contextos diversos, terão um papel crucial em equilibrar essas tensões.
O impacto do conclave no Brasil
A participação de sete cardeais brasileiros no conclave reforça a posição do Brasil como um dos pilares do catolicismo global. A escolha do próximo papa terá reflexos diretos no país, especialmente em temas como a formação de novos bispos, a nomeação de cardeais e as diretrizes pastorais para as dioceses. Um papa mais alinhado com as questões sociais, por exemplo, pode fortalecer iniciativas como a Pastoral da Criança e a Pastoral Carcerária, que têm forte atuação no Brasil.
Além disso, a presença de cardeais brasileiros no conclave é um símbolo de orgulho para os fiéis do país. Em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, as arquidioceses lideradas por esses cardeais são centros de referência para milhões de católicos. A atuação desses líderes, tanto no Brasil quanto no Vaticano, demonstra a capacidade da Igreja brasileira de influenciar o futuro do catolicismo.
O conclave de 2025 será acompanhado de perto por comunidades católicas em todo o mundo, mas no Brasil a expectativa é ainda maior. A possibilidade de um cardeal brasileiro ser eleito papa, embora remota, reacende o sonho de ver um líder do país à frente da Igreja Católica. Independentemente do resultado, os sete cardeais brasileiros deixarão sua marca em um dos eventos mais significativos da história recente da Igreja.
- Curiosidades sobre o conclave
- O termo “conclave” vem do latim “cum clave”, que significa “com chave”, referindo-se ao isolamento dos cardeais.
- A Capela Sistina, onde ocorre a votação, é decorada com afrescos de Michelangelo, incluindo o “Juízo Final”.
- Desde 1379, todos os papas foram escolhidos entre os cardeais, embora qualquer homem católico possa, em teoria, ser eleito.
- O conclave mais longo da história durou mais de dois anos, entre 1268 e 1271.















