Milhares de fiéis e autoridades acompanharam, neste sábado (26 de abril de 2025), o cortejo fúnebre que levou o corpo do papa Francisco, falecido aos 88 anos, da Basílica de São Pedro até a Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma, onde foi sepultado. O pontífice, que marcou a história da Igreja Católica com seu carisma e mensagens de simplicidade, morreu na segunda-feira (21) devido a um acidente vascular cerebral (AVC) seguido de insuficiência cardíaca. A cerimônia de sepultamento, realizada sem transmissão pública, foi um momento de forte emoção para os presentes, que incluíam sacerdotes, familiares e membros do clero. O caixão, levado no papamóvel por pontos icônicos da capital italiana, como o Coliseu e o Fórum Romano, simbolizou a última viagem de Francisco pelas ruas que tanto amou. A escolha da Basílica de Santa Maria Maggiore como local de descanso final reflete a profunda conexão espiritual do papa com o espaço, onde ele orava antes e depois de suas viagens internacionais.
A missa das Exéquias, celebrada na Basílica de São Pedro, foi conduzida pelo cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio dos Cardeais, e contou com a presença de cerca de 50 chefes de Estado, incluindo o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Argentina, Javier Milei. A cerimônia marcou o início do Novendiali, período de nove dias de luto e orações em memória do pontífice. O cortejo, que atravessou Roma sob forte esquema de segurança, com drones, atiradores de elite e fechamento temporário do espaço aéreo, foi seguido por milhares de pessoas que se reuniram para prestar suas últimas homenagens. Na chegada à Santa Maria Maggiore, o caixão permaneceu por alguns minutos diante do ícone de Maria Salus Populi Romani, uma imagem venerada por Francisco, enquanto crianças depositaram flores brancas no altar.
O sepultamento, iniciado às 13h no horário local (9h em Brasília) e concluído em cerca de 30 minutos, foi presidido pelo cardeal camerlengo Kevin Farrell. A decisão de Francisco de ser sepultado fora da cripta da Basílica de São Pedro, onde a maioria dos papas dos últimos três séculos foi enterrada, quebrou uma tradição secular. A Basílica de Santa Maria Maggiore, uma das quatro basílicas papais de Roma, já abriga os túmulos de sete outros pontífices, sendo o último Clemente IX, em 1669. A escolha reflete o desejo de Francisco por simplicidade, alinhado com sua trajetória como líder da Igreja.
Significado da escolha de Santa Maria Maggiore
A Basílica de Santa Maria Maggiore, construída no século V, é uma das igrejas mais antigas e significativas de Roma, conhecida por sua rica história e arquitetura. Francisco tinha uma relação especial com o local, onde visitava o ícone de Maria Salus Populi Romani antes e depois de cada viagem internacional, além de após suas internações médicas. Essa conexão pessoal tornou a basílica um local natural para seu descanso final. A decisão de ser sepultado ali, anunciada pelo próprio papa em 2023, foi vista como um gesto de humildade, rompendo com a tradição de sepultamentos na cripta da Basílica de São Pedro. A basílica, localizada no bairro Esquilino, também abriga os túmulos de figuras históricas como o escultor Gian Lorenzo Bernini, responsável pela colunata da Praça de São Pedro.
Além de sua relevância espiritual, a basílica é um marco cultural e religioso. Suas mosaicos do século V e a capela Sistina, que não deve ser confundida com a do Vaticano, atraem milhares de visitantes anualmente. O sepultamento de Francisco no local reforça sua importância como um centro de devoção mariana, especialmente para os jesuítas, ordem à qual o papa pertencia. A pausa do cortejo diante do ícone de Maria foi um momento de grande simbolismo, destacando a espiritualidade mariana que marcou o pontificado de Francisco. O gesto das crianças levando flores brancas ao altar acrescentou uma nota de ternura à cerimônia, refletindo o carinho que o papa inspirava entre os fiéis.
Detalhes do cortejo e da cerimônia
O cortejo fúnebre, que partiu da Basílica de São Pedro após a missa das Exéquias, percorreu um trajeto cuidadosamente planejado pelas ruas de Roma. No papamóvel, o caixão de Francisco passou por locais históricos como o Coliseu, o Fórum Romano e a Igreja Il Gesù, sede da Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio de Loyola. A escolha desses pontos reforçou a ligação do papa com a história de Roma e com sua identidade jesuíta. Milhares de pessoas se reuniram ao longo do percurso, muitas segurando bandeiras do Vaticano, da Argentina e de outros países, em um tributo silencioso ao líder que pregava a inclusão e a misericórdia.
A segurança foi um aspecto central do evento. Roma implementou um esquema reforçado, com drones sobrevoando a cidade, atiradores de elite posicionados em pontos estratégicos e especialistas em desarmamento de bombas. O espaço aéreo da capital italiana foi temporariamente fechado para garantir a proteção dos participantes e dos líderes mundiais presentes. A ausência de transmissão ao vivo do sepultamento, realizado dentro da basílica, reforçou o caráter íntimo da cerimônia, reservada a um grupo seleto de sacerdotes e familiares. A missa na Basílica de São Pedro, por outro lado, foi acompanhada por uma multidão de fiéis na Praça de São Pedro, que assistiram ao evento em telões.
- Principais momentos do cortejo:
- Passagem pelo Coliseu, símbolo da história romana.
- Homenagem na Igreja Il Gesù, ligada à ordem jesuíta.
- Pausa diante do ícone de Maria Salus Populi Romani.
- Deposição de flores brancas por crianças no altar.
O impacto global da morte de Francisco
A morte do papa Francisco, anunciada na segunda-feira (21), gerou comoção em todo o mundo. Líderes religiosos, políticos e fiéis de diferentes tradições expressaram condolências, destacando o legado de Francisco como um defensor da justiça social, da proteção ambiental e do diálogo inter-religioso. Durante seu pontificado, iniciado em 2013, ele publicou encíclicas como Laudato Si’, que abordou a crise climática, e Fratelli Tutti, que defendeu a fraternidade universal. Sua postura progressista em questões como a acolhida a migrantes e a luta contra a desigualdade social marcou sua liderança, embora também tenha gerado críticas de setores conservadores dentro da Igreja.
A presença de 50 chefes de Estado na missa fúnebre reflete a relevância global do papa. O presidente Lula, que participou da cerimônia, destacou em pronunciamento a importância de Francisco como uma voz em defesa dos pobres e da Amazônia. Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, também estiveram presentes, representando nações com fortes laços históricos com o Vaticano. A diversidade de líderes presentes sublinha o alcance do pontificado de Francisco, que buscou construir pontes entre culturas e religiões.
A Igreja Católica agora entra em um período de transição. O Novendiali, iniciado com a missa fúnebre, será seguido pela preparação para o conclave, que elegerá o próximo papa. Cardeais de todo o mundo começarão a se reunir em Roma nos próximos dias para discutir o futuro da Igreja. A escolha do próximo pontífice será influenciada pelo legado de Francisco, que nomeou a maioria dos cardeais eleitores durante seu pontificado.
Cronologia dos eventos fúnebres
Os eventos relacionados à morte e ao sepultamento do papa Francisco seguiram um protocolo tradicional, adaptado às preferências do pontífice por simplicidade. A cronologia dos principais momentos inclui:
- 21 de abril: Falecimento do papa Francisco devido a um AVC e insuficiência cardíaca.
- 22 a 25 de abril: Velório na Basílica de São Pedro, com visitação de fiéis e autoridades.
- 26 de abril: Missa das Exéquias na Basílica de São Pedro, seguida pelo cortejo e sepultamento em Santa Maria Maggiore.
- 27 de abril: Início da visitação pública ao túmulo na basílica.
- 26 de abril a 3 de maio: Período do Novendiali, com missas e orações diárias em memória do papa.
Essa sequência reflete a combinação de tradições centenárias da Igreja com os desejos de Francisco, que pediu um funeral mais simples em comparação com seus antecessores. A ausência de transmissão do sepultamento e a escolha de uma basílica fora do Vaticano são exemplos claros dessa abordagem.
A relação de Francisco com Roma e os jesuítas
Francisco, nascido Jorge Mario Bergoglio em Buenos Aires, foi o primeiro papa jesuíta e o primeiro vindo das Américas. Sua formação na Companhia de Jesus moldou sua espiritualidade e seu estilo de liderança, marcado pela proximidade com os fiéis e pela ênfase na misericórdia. Em Roma, ele cultivou uma relação especial com locais ligados à história jesuíta, como a Igreja Il Gesù, que visitou durante o cortejo. A escolha de Santa Maria Maggiore como local de sepultamento também reflete sua identidade jesuíta, já que a basílica é um ponto de devoção mariana, central para a espiritualidade da ordem.
Durante seu pontificado, Francisco visitou a basílica dezenas de vezes, especialmente antes e depois de suas 40 viagens internacionais. Ele também escolheu o local para momentos de reflexão após internações médicas, como as cirurgias abdominais realizadas em 2021 e 2023. Essa conexão pessoal tornou a basílica um símbolo de sua trajetória, agora eternizada com seu túmulo. A presença de elementos jesuítas no cortejo, como a passagem pela Igreja Il Gesù, reforçou a importância dessa identidade para o papa.
O legado de Francisco na Igreja e no mundo
O pontificado de Francisco, que durou 12 anos, foi marcado por reformas significativas na Igreja Católica. Ele promoveu a descentralização da Cúria Romana, abriu debates sobre temas como o celibato clerical e a inclusão de mulheres em papéis de liderança, e fortaleceu o diálogo com outras religiões. Sua encíclica Laudato Si’ tornou-se um marco na defesa do meio ambiente, influenciando políticas globais e inspirando movimentos ecológicos. Já Fratelli Tutti reforçou sua visão de uma humanidade unida, livre de divisões políticas e econômicas.
A morte de Francisco também levanta questões sobre o futuro da Igreja. O próximo conclave, previsto para as próximas semanas, será um momento decisivo para definir se a Igreja manterá a linha progressista de Francisco ou adotará uma abordagem mais conservadora. A nomeação de cardeais de regiões periféricas, como África e Ásia, durante seu pontificado, aumentou a diversidade do Colégio Cardinalício, o que pode influenciar a escolha do próximo papa.
- Principais contribuições de Francisco:
- Publicação de Laudato Si’, sobre a crise climática.
- Defesa da acolhida a migrantes e refugiados.
- Promoção do diálogo inter-religioso, com encontros históricos com líderes muçulmanos e ortodoxos.
- Reformas na Cúria Romana para maior transparência financeira.
Preparativos para o conclave
Com o fim do sepultamento, a Igreja Católica volta sua atenção para o conclave, que elegerá o sucessor de Francisco. Embora a data exata ainda não tenha sido anunciada, espera-se que o processo comece dentro de duas semanas, seguindo as normas da constituição apostólica Universi Dominici Gregis. Durante o Novendiali, cardeais de todo o mundo chegarão a Roma para participar de reuniões preparatórias, conhecidas como congregações gerais, onde discutirão os desafios enfrentados pela Igreja.
O Colégio Cardinalício, composto por cerca de 120 cardeais eleitores (com menos de 80 anos), é majoritariamente formado por nomeações de Francisco, o que sugere que seu legado terá peso na escolha do próximo papa. Nomes como o cardeal italiano Pietro Parolin, atual secretário de Estado do Vaticano, e o cardeal filipino Luis Antonio Tagle, prefeito do Dicastério para a Evangelização, são mencionados como possíveis candidatos. No entanto, a história dos conclaves mostra que surpresas são comuns, e o próximo papa pode vir de uma região inesperada.
A eleição do novo pontífice será realizada na Capela Sistina, onde os cardeais votarão em segredo até que um candidato obtenha dois terços dos votos. O processo, que pode durar dias, será acompanhado com expectativa por católicos de todo o mundo, que aguardam um líder capaz de enfrentar os desafios de uma Igreja em transformação.
Visitação pública ao túmulo
A partir de domingo (27), o túmulo de Francisco na Basílica de Santa Maria Maggiore estará aberto à visitação pública. A expectativa é que milhares de fiéis visitem o local nos próximos dias, especialmente durante o Novendiali, que se estende até 3 de maio. A basílica, que já é um ponto turístico popular em Roma, deve receber um fluxo ainda maior de visitantes, atraídos pelo desejo de prestar homenagem ao papa que conquistou o mundo com sua simplicidade.
No sábado à noite, às 16h no horário de Brasília (21h em Roma), uma oração do Rosário foi realizada em frente à basílica, marcando o início das homenagens póstumas. A cerimônia, aberta ao público, reuniu fiéis locais e peregrinos, que se reuniram para rezar pela alma do pontífice. A visitação ao túmulo será gratuita, mas a basílica implementará medidas de controle de fluxo para garantir a segurança e o conforto dos visitantes.
- Informações para visitantes:
- Horário de visitação: A partir das 8h, com fechamento às 18h.
- Entrada gratuita, com possibilidade de filas.
- Recomenda-se chegar cedo para evitar aglomerações.
- Medidas de segurança incluem revista de bolsas e detectores de metal.
A memória de Francisco em Roma
A cidade de Roma, que foi o lar de Francisco durante seu pontificado, agora guarda sua memória em um de seus locais mais sagrados. A Basílica de Santa Maria Maggiore, com sua história de mais de 1.500 anos, torna-se um novo ponto de peregrinação para católicos e admiradores do papa. A escolha de ser sepultado ali, em vez de na Basílica de São Pedro, reflete a visão de Francisco de uma Igreja mais próxima das pessoas, menos centrada no poder e mais focada na espiritualidade.
O impacto de Francisco na cidade vai além de sua presença física. Durante seu pontificado, ele visitou periferias de Roma, encontrou-se com moradores de rua e celebrou missas em prisões e hospitais. Essas ações deixaram uma marca profunda na capital italiana, que agora se despede de um líder que a transformou com seu exemplo de humildade. A passagem do cortejo por locais como o Coliseu e a Igreja Il Gesù foi um lembrete de sua ligação com a história e a cultura de Roma.
A morte de Francisco também reacende o debate sobre o papel da Igreja em um mundo marcado por crises sociais, ambientais e políticas. Seu chamado por uma “Igreja em saída”, que vá ao encontro dos mais necessitados, continua a inspirar fiéis e líderes religiosos. Enquanto Roma se prepara para o conclave e para o futuro, a memória de Francisco permanece viva, gravada nos corações dos que o conheceram e nos muros da basílica que agora guarda seu descanso final.

