O prazo para inscrições na segunda edição do programa Black STEM, que oferece bolsas de R$ 35 mil para estudantes negros brasileiros cursarem graduação no exterior, foi estendido até 12 de maio. Inicialmente, o período de candidatura encerraria em 30 de abril, mas a prorrogação busca ampliar o acesso à iniciativa voltada para áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). A decisão reflete o compromisso do Fundo Baobá para Equidade Racial, organizador do programa, em alcançar mais jovens talentos negros em todo o Brasil.
A oportunidade é destinada a candidatos autodeclarados pretos ou pardos, aprovados em cursos de graduação no exterior ou em estágio avançado de seleção. Além do suporte financeiro, o programa inclui mentorias, acompanhamento psicológico e conexão com lideranças negras, criando uma rede de apoio robusta para os bolsistas. A iniciativa já transformou a trajetória de quatro estudantes em 2024, que hoje frequentam universidades na China, Estados Unidos e Portugal.
O Black STEM se destaca por sua abordagem abrangente, indo além do suporte financeiro. O programa visa reduzir barreiras enfrentadas por estudantes negros no acesso à educação internacional, promovendo equidade em áreas historicamente marcadas por desigualdades. Entre os benefícios oferecidos, estão:
- Bolsa de R$ 35 mil para cobrir despesas como moradia, alimentação e materiais acadêmicos;
- Mentorias individuais e coletivas com profissionais experientes;
- Acompanhamento psicológico para apoiar o bem-estar dos bolsistas;
- Participação em eventos promovidos pelo Fundo Baobá e parceiros.
Com o prazo ampliado, a expectativa é que mais candidatos possam organizar suas candidaturas, especialmente aqueles em processos seletivos de universidades estrangeiras. O resultado dos selecionados será divulgado em 8 de julho, com início das atividades acadêmicas previsto para 2025.
Origem e propósito do programa
O Black STEM surgiu em 2023 como uma resposta às desigualdades raciais no acesso à educação superior em áreas estratégicas como STEM. Criado pelo Fundo Baobá para Equidade Racial, com apoio da B3 Social, o programa busca fortalecer a presença de profissionais negros em setores de alta demanda tecnológica e científica. A iniciativa é parte de um esforço mais amplo para promover a equidade racial no Brasil, onde negros representam mais de 50% da população, mas ocupam menos de 20% das vagas em cursos de ciências exatas e tecnologia, segundo dados do IBGE.
A escolha de focar em STEM reflete a importância dessas áreas para o desenvolvimento econômico e social. Profissões ligadas à tecnologia e engenharia estão entre as mais bem remuneradas e demandadas globalmente, mas a sub-representação de negros nesses campos limita a diversidade de perspectivas e inovação. O programa oferece uma oportunidade para que jovens talentos brasileiros acessem formações de ponta em universidades internacionais, com suporte financeiro e emocional.
Além disso, a parceria com a B3 Social, braço social da bolsa de valores brasileira, reforça a sustentabilidade financeira do programa. A organização aporta recursos para garantir a continuidade das bolsas e a expansão do número de beneficiados a cada edição. Em 2024, a primeira edição contemplou quatro estudantes, e a meta para 2025 é manter ou aumentar esse número, dependendo da qualidade das candidaturas recebidas.
Critérios de elegibilidade
Para participar do Black STEM, os candidatos devem atender a requisitos específicos, garantindo que o programa alcance aqueles com maior potencial e necessidade. A inscrição é feita exclusivamente online, por meio do site do Fundo Baobá, onde os interessados preenchem um formulário detalhado. O processo é gratuito e aberto a brasileiros natos ou naturalizados, desde que autodeclarados negros (pretos ou pardos).
Os principais critérios incluem:
- Aprovação em curso de graduação no exterior nas áreas de STEM, com início em 2025;
- Estar em estágio avançado de seleção em universidades internacionais;
- Possuir bolsa integral ou parcial da instituição de destino ou de outra fonte;
- Comprovar vínculo com cursos de ciências exatas, tecnologia, engenharia ou saúde.
O programa também considera candidatos matriculados em universidades públicas estrangeiras com subsídio total ou parcial, ampliando as possibilidades de participação. A exigência de já possuir uma bolsa parcial ou estar em processo de obtenção reflete a lógica complementar do Black STEM, que busca potencializar oportunidades existentes, cobrindo custos adicionais que muitas vezes inviabilizam a permanência no exterior.
Benefícios além do financeiro
O suporte oferecido pelo Black STEM vai além da bolsa de R$ 35 mil. Cada bolsista é integrado a uma rede de apoio que inclui mentorias com profissionais negros estabelecidos em áreas de STEM, oferecendo orientação acadêmica e profissional. Essas sessões ajudam os estudantes a navegar os desafios de estudar em um novo país, desde questões culturais até estratégias para se destacar no mercado de trabalho.
O acompanhamento psicológico é outro diferencial. Reconhecendo as pressões enfrentadas por estudantes negros em ambientes acadêmicos muitas vezes predominantemente brancos, o programa oferece suporte emocional contínuo. Essa iniciativa é especialmente relevante para bolsistas que enfrentam barreiras como racismo, isolamento ou dificuldades de adaptação.
Os selecionados também participam de eventos e ações promovidos pelo Fundo Baobá e suas instituições parceiras. Essas atividades conectam os bolsistas a lideranças negras globais, ampliando suas redes de contatos e inspirando trajetórias de sucesso. Em 2024, por exemplo, bolsistas participaram de workshops com engenheiros e cientistas negros que compartilharam suas experiências em grandes empresas de tecnologia.
Histórias de sucesso
Quatro estudantes beneficiados na edição de 2024 ilustram o impacto do Black STEM. Uma jovem de Salvador, aprovada em ciência da computação na China, utilizou a bolsa para cobrir custos de moradia e materiais, enquanto recebia mentoria de um engenheiro brasileiro baseado em Xangai. Outro bolsista, de São Paulo, cursa engenharia aeroespacial nos Estados Unidos e destaca o suporte psicológico como essencial para lidar com a pressão acadêmica.
Em Portugal, um estudante de pilotagem marítima conseguiu equilibrar os custos de alimentação e transporte com a bolsa, enquanto participava de eventos organizados pelo Fundo Baobá. O quarto bolsista, também nos Estados Unidos, estuda matemática aplicada e já planeja uma carreira em inteligência artificial, inspirado pelas conexões feitas no programa.
Essas trajetórias mostram como o Black STEM não apenas viabiliza o acesso à educação internacional, mas também cria um ambiente de suporte que maximiza o potencial dos bolsistas. Cada estudante é incentivado a compartilhar suas experiências, servindo como exemplo para futuras gerações de candidatos.
Processo seletivo
O processo de seleção do Black STEM é rigoroso, mas acessível. Após o preenchimento do formulário online, os candidatos passam por uma análise documental, que verifica a elegibilidade com base nos critérios estabelecidos. Aqueles que avançam são avaliados por uma comissão formada por especialistas em educação, equidade racial e STEM, que consideram o mérito acadêmico, a relevância do curso escolhido e a situação socioeconômica do candidato.
A divulgação dos resultados, marcada para 8 de julho, será feita no site do Fundo Baobá e por e-mail aos selecionados. Os aprovados receberão orientações detalhadas sobre os próximos passos, incluindo a assinatura de termos de compromisso e o cronograma de desembolso da bolsa. O programa enfatiza a transparência, garantindo que todos os candidatos tenham clareza sobre o andamento do processo.
Expansão do alcance
A prorrogação do prazo até 12 de maio reflete o esforço do Fundo Baobá em alcançar candidatos de diferentes regiões do Brasil. Embora o programa seja nacional, a maioria dos inscritos na edição anterior veio de grandes centros urbanos, como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Para 2025, a organização intensificou a divulgação em cidades menores e periferias, utilizando redes sociais e parcerias com escolas públicas e ONGs.
A estratégia inclui a publicação de materiais em português simples, explicando o processo de inscrição e os benefícios do programa. Vídeos com depoimentos de bolsistas de 2024 também estão sendo compartilhados em plataformas como Instagram e WhatsApp, visando inspirar jovens negros que muitas vezes desconhecem oportunidades internacionais.
O Fundo Baobá também firmou parcerias com cursinhos preparatórios e organizações educacionais para orientar candidatos na preparação de documentos e no fortalecimento de suas candidaturas. Essa abordagem busca reduzir desigualdades regionais e garantir que talentos de áreas menos favorecidas tenham chances iguais.
Áreas de estudo contempladas
O foco do Black STEM em ciência, tecnologia, engenharia e matemática abrange uma ampla gama de cursos. Entre as áreas elegíveis estão:
- Ciência da computação e inteligência artificial;
- Engenharias (aeroespacial, civil, mecânica, elétrica, entre outras);
- Matemática aplicada e estatística;
- Ciências da saúde, como biomedicina e biotecnologia;
- Tecnologia da informação e cibersegurança.
Essa diversidade reflete a demanda global por profissionais qualificados em STEM, especialmente em setores como tecnologia e inovação. Os cursos escolhidos pelos bolsistas de 2024, por exemplo, variam de pilotagem marítima a ciência da computação, mostrando a flexibilidade do programa em apoiar diferentes trajetórias acadêmicas.
Apoio da B3 Social
A B3 Social desempenha um papel central na viabilização do Black STEM. A organização, que canaliza recursos da bolsa de valores brasileira para iniciativas de impacto social, aporta fundos para as bolsas e os serviços de mentoria e acompanhamento. Sua participação garante a sustentabilidade financeira do programa, permitindo que o Fundo Baobá foque na seleção e no suporte aos bolsistas.
Além do apoio financeiro, a B3 Social contribui com expertise em gestão de projetos sociais, ajudando a estruturar o programa de forma eficiente. A parceria também facilita conexões com empresas do setor tecnológico, que oferecem oportunidades de estágio e networking para os bolsistas.
Inscrições e prazos
As inscrições para o Black STEM estão abertas até 12 de maio, exclusivamente pelo site do Fundo Baobá. O formulário online exige informações como histórico acadêmico, comprovante de aprovação em universidade estrangeira, carta de motivação e documentos pessoais. Candidatos em estágio avançado de seleção também podem se inscrever, desde que apresentem evidências de progresso no processo.
O prazo ampliado dá aos interessados mais tempo para reunir a documentação necessária, especialmente aqueles que enfrentam barreiras logísticas, como acesso à internet ou tradução de documentos. O Fundo Baobá recomenda que os candidatos leiam atentamente o edital, disponível no site, para garantir que todas as exigências sejam cumpridas.
Importância da equidade racial
O Black STEM se insere em um movimento maior de promoção da equidade racial no Brasil. Apesar de avanços, como a adoção de cotas raciais em universidades públicas, iniciada pela UnB em 2004, negros ainda enfrentam barreiras significativas no acesso à educação superior e ao mercado de trabalho em STEM. Dados do IBGE mostram que apenas 10% dos profissionais de tecnologia no Brasil são negros, apesar de representarem a maioria da população.
Programas como o Black STEM buscam reverter esse cenário, oferecendo não apenas recursos financeiros, mas também suporte emocional e profissional. A iniciativa reconhece que a inclusão de negros em áreas estratégicas é essencial para reduzir desigualdades e impulsionar a inovação no país.
Próximos passos para candidatos
Os interessados em se candidatar devem acessar o site do Fundo Baobá e preencher o formulário até 12 de maio. É fundamental que os candidatos preparem a documentação com antecedência, incluindo comprovantes de aprovação ou seleção em universidades estrangeiras. O edital detalha todas as exigências e oferece orientações sobre como organizar a candidatura.
Após o envio do formulário, os candidatos receberão uma confirmação por e-mail. Aqueles que avançarem no processo serão contatados para eventuais entrevistas ou esclarecimentos adicionais. A lista final de selecionados será publicada em 8 de julho, marcando o início de uma nova etapa para os futuros bolsistas.

