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Um crime que chocou o mundo das artes marciais continua sem desfecho. Em São Paulo, o julgamento do tenente da Polícia Militar Henrique Otávio Oliveira Velozo, acusado de assassinar o campeão mundial de jiu-jítsu Leandro Lo, foi suspenso às vésperas de sua realização. A decisão, tomada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, reacende debates sobre a condução do caso, que já se estende por quase três anos. A morte de Lo, um ícone do esporte, permanece como ferida aberta para familiares, amigos e admiradores.

A suspensão do júri, marcada inicialmente para 22 de maio de 2025, ocorreu após um pedido da defesa do réu. O desembargador Marco Antônio Cogan acatou a solicitação, apontando que a exclusão de depoimentos de peritos contratados pela defesa poderia comprometer o processo. O caso, que envolve acusações de homicídio triplamente qualificado, agora aguarda nova data para o julgamento.

O episódio aconteceu em agosto de 2022, durante um show no Clube Sírio, na Zona Sul de São Paulo. Leandro Lo, então com 33 anos, foi baleado na cabeça após uma confusão com o tenente Velozo. Testemunhas relatam que o lutador tentou apaziguar uma situação provocada pelo policial, mas acabou vítima de um disparo à queima-roupa.

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Uma publicação compartilhada por Leandro Lo (@leandrolojj)

  • Cronologia inicial: O crime ocorreu na madrugada de 7 de agosto de 2022.
  • Prisão do acusado: Velozo se entregou à Corregedoria da PM no dia seguinte.
  • Denúncia aceita: Em setembro de 2022, a Justiça tornou o PM réu por homicídio qualificado.
  • Suspensão do júri: A decisão de maio de 2025 adia o desfecho do caso.

Reações à suspensão do julgamento

A notícia da suspensão do júri pegou de surpresa a comunidade do jiu-jítsu e os familiares de Leandro Lo. Em redes sociais, mensagens de indignação circularam entre atletas e fãs, que aguardavam o julgamento como um passo rumo à justiça. A mãe do lutador, Fátima Lo, publicou uma nota pedindo apoio da comunidade para pressionar por celeridade no processo. A defesa da família, representada pelo advogado Adriano Salles Vanni, destacou que a suspensão pode prolongar ainda mais a espera por respostas.

Para os advogados do tenente Velozo, a decisão representa uma garantia de equilíbrio no julgamento. Eles argumentam que a exclusão dos peritos contratados comprometeria a defesa, o que poderia levar à nulidade do júri. A liminar concedida pelo desembargador Cogan será analisada por outros magistrados, que decidirão se os depoimentos dos peritos serão incluídos no processo.

Detalhes do crime no Clube Sírio

A noite de 7 de agosto de 2022 começou como uma celebração. Leandro Lo, acompanhado de amigos, assistia a um show de pagode no Clube Sírio, um espaço conhecido por eventos culturais na capital paulista. Segundo relatos, Henrique Velozo, que também praticava artes marciais, aproximou-se do grupo de Lo e começou a provocar os presentes. Ele teria pegado bebidas da mesa e entregado copos vazios ao lutador, em um gesto interpretado como desrespeitoso.

Leandro, conhecido por sua habilidade no jiu-jítsu e por sua postura calma, reagiu à provocação. Testemunhas afirmam que o lutador imobilizou Velozo com uma técnica chamada “baiana”, uma espécie de projeção usada no esporte. Após ser liberado, o tenente se afastou, mas retornou momentos depois. Armado com uma pistola da corporação, ele disparou contra a cabeça de Lo, que caiu desacordado. Imagens de câmeras de segurança mostram o policial chutando o lutador, já no chão, antes de deixar o local.

  • Local do crime: Clube Sírio, Zona Sul de São Paulo.
  • Horário: Aproximadamente 2h da madrugada.
  • Arma utilizada: Pistola pertencente à Polícia Militar.
  • Testemunhas: Amigos de Lo e frequentadores do evento.

Trajetória de Leandro Lo no jiu-jítsu

Leandro Lo era mais do que um atleta; era uma lenda do jiu-jítsu brasileiro. Nascido em São Paulo, ele começou a treinar ainda jovem e rapidamente se destacou pela técnica apurada e pela dedicação. Em 2011, já como faixa-preta, Lo venceu grandes nomes do esporte, como Celsinho Vinicius e Augusto Tanquinho. No ano seguinte, conquistou seu primeiro título mundial pela IBJJF, a principal federação da modalidade.

Ao longo da carreira, Lo acumulou oito títulos mundiais, um feito raro que o colocou entre os maiores da história. Ele venceu em diferentes categorias de peso, demonstrando versatilidade e domínio técnico. Além dos mundiais, o atleta também brilhou em competições como o Pan-Americano, o Europeu e o Brasileiro, sempre representando a equipe Ns Brotherhood.

  • Títulos mundiais: 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2018, 2019, 2022.
  • Outras conquistas: Cinco Copas do Mundo, oito Pan-Americanos.
  • Legado: Inspirou milhares de praticantes e fundou academias.

Movimentações judiciais antes da suspensão

O caso Leandro Lo passou por várias etapas antes de chegar ao adiamento do júri. Em setembro de 2022, o Ministério Público denunciou Henrique Velozo por homicídio triplamente qualificado, com as agravantes de motivo torpe, uso de arma de fogo e emboscada. A Justiça aceitou a denúncia, e o tenente foi mantido em prisão preventiva no presídio militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo.

Audiências de instrução ocorreram em 2023, com depoimentos de testemunhas de acusação e defesa. Durante uma dessas sessões, Velozo afirmou ter agido em legítima defesa, alegando que temia por sua vida após ser imobilizado por Lo. A versão, no entanto, foi contestada pela acusação, que apontou contradições com os relatos de testemunhas e imagens do local. Em julho de 2023, o Tribunal de Justiça confirmou que o caso iria a júri popular, mas a defesa recorreu das qualificadoras do crime.

Ações da defesa do tenente Velozo

A estratégia da defesa de Henrique Velozo tem se centrado em questionar as circunstâncias do crime. O advogado Claudio Dalledone Júnior, responsável pela representação do PM, sustenta que o tenente foi vítima de uma agressão inicial e agiu para proteger sua vida. Durante interrogatórios, Velozo descreveu o momento em que foi imobilizado por Lo, afirmando que perdeu a consciência por alguns instantes.

Além disso, a defesa solicitou a inclusão de peritos particulares para analisar o caso, mas o juiz responsável cancelou esses depoimentos dias antes do júri. A decisão motivou o pedido de liminar que resultou na suspensão do julgamento. Os advogados argumentam que a ausência dos peritos compromete o direito de defesa, o que poderia gerar nulidades processuais.

  • Alegação principal: Legítima defesa após suposta agressão.
  • Recursos apresentados: Pedido de revisão das qualificadoras e habeas corpus.
  • Liminar concedida: Suspensão do júri em maio de 2025.

Processo administrativo na Polícia Militar

Paralelamente ao caso criminal, Henrique Velozo enfrenta um procedimento disciplinar na Polícia Militar. A Corregedoria da corporação recomendou a expulsão do tenente, apontando que ele utilizou uma arma institucional durante o crime, mesmo estando fora de serviço. O processo de exclusão está em fase final, mas ainda não há data definida para a decisão.

A recomendação da Corregedoria foi encaminhada ao Tribunal de Justiça Militar, que analisa a conduta do PM. Caso seja expulso, Velozo perderá os benefícios associados ao cargo, mas poderá continuar recebendo salário até uma eventual condenação definitiva, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal em março de 2023. O STF determinou que a suspensão do pagamento violaria a presunção de inocência.

Comportamento do acusado após o crime

As investigações revelaram detalhes sobre as ações de Velozo após o disparo contra Leandro Lo. Cerca de uma hora depois do crime, o tenente foi flagrado em uma boate na Rua dos Chanes, a poucos quilômetros do Clube Sírio. Relatórios policiais indicam que ele gastou R$ 1.589,40 em bebidas, incluindo uísque, gim e energéticos. Ele permaneceu no local por quase duas horas.

Posteriormente, Velozo e uma acompanhante seguiram para um motel na Zona Oeste de São Paulo, onde chegaram por volta das 5h40 do dia 8 de agosto. Eles deixaram o estabelecimento somente no fim da tarde, às 16h26. Esses registros, obtidos pela Polícia Civil, reforçam a tese da acusação de que o tenente não demonstrou arrependimento imediato após o crime.

  • Cronologia pós-crime:
    • 3h04: Velozo entra na boate.
    • 5h40: Chega ao motel.
    • 16h26: Sai do motel.
    • Noite de 8 de agosto: Entrega-se à Corregedoria.

Mobilização da comunidade do jiu-jítsu

A morte de Leandro Lo gerou uma onda de solidariedade entre praticantes de jiu-jítsu no Brasil e no exterior. Academias de todo o país realizaram homenagens, com minutos de silêncio e treinos dedicados ao atleta. Nas redes sociais, hashtags como #JustiçaPorLeandroLo ganharam força, especialmente após decisões judiciais que prolongaram o processo.

Organizações como a IBJJF e a CBJJ emitiram notas lamentando a perda de um dos maiores representantes do esporte. Atletas renomados, como Rodolfo Vieira e André Galvão, compartilharam mensagens destacando o impacto de Lo na modalidade. A comunidade também pressiona por mudanças na legislação sobre o porte de armas por policiais fora de serviço.

Histórico de confrontos entre Lo e Velozo

Investigações apontaram que Leandro Lo e Henrique Velozo já haviam se desentendido antes do crime. Dois amigos próximos do lutador confirmaram à polícia que os dois tiveram atritos em eventos anteriores, embora os detalhes não tenham sido divulgados. Esses episódios podem ter contribuído para a tensão na noite do crime, mas não foram mencionados diretamente nos depoimentos do réu.

A acusação utiliza essas informações para reforçar a tese de que o disparo foi motivado por vingança ou humilhação, e não por legítima defesa. A defesa, por outro lado, nega que os desentendimentos anteriores tenham influenciado a ação do tenente, mantendo a narrativa de uma reação instintiva.

Repercussão na mídia internacional

A morte de Leandro Lo não ficou restrita ao Brasil. Veículos como BBC, Fox Sports e ABC, da Austrália, publicaram reportagens destacando a trajetória do lutador e o impacto de sua perda. A emissora australiana descreveu o crime como um choque para a comunidade global das artes marciais. A imprensa internacional também abordou a discussão sobre o uso de armas por policiais fora de serviço.

No Brasil, o caso foi amplamente coberto por portais como G1, UOL e CNN Brasil, que acompanham cada etapa do processo. A suspensão do júri em maio de 2025 gerou novos debates sobre a morosidade da Justiça e a complexidade de casos envolvendo agentes de segurança.

  • Veículos que cobriram o caso:
    • BBC: Destaque para a carreira de Lo.
    • Fox Sports: Foco no impacto no jiu-jítsu.
    • ABC: Repercussão global do crime.
    • G1: Atualizações judiciais.

Próximos passos no processo

Com a suspensão do júri, o Tribunal de Justiça de São Paulo aguarda a análise do mérito do pedido da defesa. O desembargador Marco Antônio Cogan e outros dois magistrados decidirão se os peritos contratados pela defesa de Velozo serão ouvidos. A decisão pode influenciar a nova data do julgamento, que ainda não foi definida.

Enquanto isso, Henrique Velozo permanece no presídio militar Romão Gomes, onde está detido desde agosto de 2022. A família de Leandro Lo, por sua vez, continua mobilizada, acompanhando o caso e cobrando celeridade. A expectativa é que o júri popular, quando realizado, traga respostas para um crime que abalou o esporte e a sociedade.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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