Lula presta homenagem a Sebastião Salgado com minuto de silêncio em Brasília

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sebastião salgado Foto: sebastião salgado - Foto: Andrei Kobylko / Shutterstock.com

O mundo perdeu um de seus maiores narradores visuais. Sebastião Salgado, fotógrafo brasileiro que eternizou conflitos, trabalhadores e a Amazônia em imagens em preto e branco, faleceu aos 81 anos em Paris, na manhã de 23 de maio de 2025. A notícia, confirmada pela Academia de Belas Artes francesa, reverberou entre líderes políticos, artistas e admiradores, que destacaram a sensibilidade e o compromisso social do mineiro. Sua trajetória, marcada por projetos como Trabalhadores e Gênesis, transformou a fotografia em ferramenta de denúncia e esperança.

A morte de Salgado, causada por complicações de uma malária adquirida nos anos 1990, pegou de surpresa o meio cultural. Ele estava ativo, com uma exposição em destaque em Deauville, na França, até junho de 2025. O fotógrafo, que viveu exilado em Paris durante a ditadura militar brasileira, construiu uma carreira global, sendo reconhecido por sua habilidade de capturar a dignidade humana em cenários de sofrimento.

  • Legado ambiental: Fundador do Instituto Terra, ao lado da esposa Lélia Wanick, Salgado restaurou áreas devastadas no Vale do Rio Doce.
  • Impacto global: Suas imagens foram exibidas em mais de 100 países, influenciando debates sobre desigualdade e preservação.
  • Reconhecimento: Membro da Academia de Belas Artes francesa desde 2016, foi descrito como “testemunha da condição humana”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mantinha amizade próxima com Salgado, expressou profunda tristeza e liderou homenagens no Brasil. Durante um evento no Palácio do Planalto, Lula pediu um minuto de silêncio, destacando a genialidade do fotógrafo.

Homenagens no Palácio do Planalto
No Palácio do Planalto, a agenda oficial foi marcada por um gesto solene. Durante uma reunião com o presidente de Angola, João Lourenço, Lula interrompeu a programação para homenagear Sebastião Salgado. Ele descreveu o fotógrafo como “um dos maiores que o mundo já produziu” e presenteou Lourenço com uma de suas obras, reforçando a relevância cultural do brasileiro. O gesto, transmitido ao vivo, emocionou autoridades presentes.
A relação entre Lula e Salgado era antiga, com encontros frequentes, incluindo um em Paris, em 2020, quando o presidente recebeu o título de Cidadão Honorário da cidade. Salgado, que apoiou Lula nas eleições de 2022, foi um defensor vocal de causas progressistas, como a proteção indígena e ambiental.

Carreira de impacto global
Sebastião Salgado nasceu em Aimorés, Minas Gerais, em 8 de fevereiro de 1944, o único homem entre nove irmãs. Formado em economia, trabalhou no Ministério da Economia antes de se exilar em Paris, em 1969, devido à ditadura militar. Foi lá que, ao lado de Lélia Wanick, descobriu a fotografia, abandonando a carreira de economista para se dedicar à arte.
Seu trabalho inicial, na década de 1970, focou em conflitos na África e na América Latina, com imagens que mesclavam crueza e poesia. Projetos como Outras Américas (1986) e Trabalhadores (1993) retrataram a luta de comunidades marginalizadas, enquanto Êxodos (2000) documentou migrações forçadas em mais de 40 países.

  • Técnica única: Salgado usava câmeras analógicas e películas em preto e branco, criando imagens atemporais.
  • Projetos extensos: Gênesis (2013), seu maior trabalho, levou oito anos e cobriu 32 países para mostrar paisagens intocadas.
  • Prêmios: Recebeu o Prêmio Eugene Smith (1982) e o Prêmio Príncipe das Astúrias (1998), entre outros.
    A abordagem de Salgado, que combinava rigor técnico com empatia, tornou suas fotografias ferramentas de conscientização global.

Reações no meio artístico
A morte de Salgado gerou comoção no meio artístico. A Academia de Belas Artes francesa, onde ele era membro desde 2016, emitiu uma nota lamentando a perda de um “companheiro” cuja obra marcou a história da fotografia. Em Paris, o fotógrafo Yann Arthus-Bertrand destacou a capacidade de Salgado de “dar voz aos invisíveis”.
No Brasil, nomes como o cineasta Walter Salles, que dirigiu o documentário O Sal da Terra (2014) sobre Salgado, prestaram tributos. Salles descreveu o fotógrafo como um “humanista incansável” cuja lente capturava a essência da luta humana. A exposição em Deauville, que reúne mais de 400 obras, tornou-se um ponto de peregrinação para fãs.

  • Legado em exibição: A mostra em Les Franciscaines inclui imagens raras de Trabalhadores e Amazônia.
  • Documentário premiado: O Sal da Terra foi indicado ao Oscar em 2015, ampliando o alcance de Salgado.
  • Homenagens espontâneas: Galerias em São Paulo e Rio de Janeiro anunciaram retrospectivas para 2025.

Ativismo ambiental do Instituto Terra
Além da fotografia, Salgado deixou um marco no ativismo ambiental. Em 1998, ele e Lélia Wanick fundaram o Instituto Terra, em Aimorés, com a missão de restaurar a Mata Atlântica. A organização replantou mais de 2,5 milhões de árvores em áreas degradadas, transformando o Vale do Rio Doce.
O trabalho do instituto ganhou projeção internacional, com parcerias com ONGs e governos. Salgado, que via a restauração ambiental como um “gesto de amor pela humanidade”, dedicou seus últimos anos a projetos de preservação, como o livro Amazônia (2021), que documenta a floresta e seus povos indígenas.
O Instituto Terra anunciou que continuará os projetos de Salgado, incluindo iniciativas de educação ambiental que já beneficiaram mais de 10 mil jovens em Minas Gerais.

Declarações de autoridades
Autoridades brasileiras e internacionais se manifestaram sobre a morte de Salgado. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou a “lente poética” que capturava a alma do mundo. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, chamou Salgado de “patrimônio cultural brasileiro” e revelou que, semanas antes, o fotógrafo o contatou para discutir questões ambientais.
A ministra Cármen Lúcia, do STF, descreveu a perda como “enorme para a humanidade”. Ela destacou a doçura de Salgado, mesmo em suas denúncias das desigualdades. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, lamentou a “lacuna irreparável” no jornalismo brasileiro.

  • Luto oficial: O governo brasileiro declarou três dias de luto em homenagem ao fotógrafo.
  • Mensagens globais: Líderes como o presidente francês Emmanuel Macron enviaram condolências.
  • Proximidade com Lula: Salgado e Lula se encontravam regularmente, reforçando laços políticos e pessoais.

Fotografia como denúncia social
A obra de Salgado sempre esteve ligada à denúncia social. Suas imagens de trabalhadores em minas, como as da Serra Pelada, no Pará, chocaram o mundo na década de 1980, expondo condições desumanas. Ele também documentou crises humanitárias, como a fome na Etiópia e a guerra em Ruanda, com uma abordagem que evitava o sensacionalismo.
O fotógrafo acreditava que a fotografia podia mudar perspectivas. Em entrevistas, dizia que seu objetivo era “mostrar a dignidade dos que sofrem”. Seu trabalho inspirou movimentos de direitos humanos e influenciou políticas públicas em países como Brasil e França.
Salgado também criticava abertamente governos que negligenciavam o meio ambiente. Em 2022, ele acusou o governo Bolsonaro de desmantelar órgãos de proteção ambiental, reforçando sua posição em defesa da Amazônia.

Exílio e vida em Paris
A ditadura militar marcou a trajetória de Salgado. Em 1969, após trabalhar no Ministério da Economia, ele foi forçado a deixar o Brasil por suas posições políticas. Em Paris, começou a trabalhar como fotógrafo freelancer, colaborando com agências como Magnum Photos.
A capital francesa tornou-se sua base, mas Salgado nunca perdeu a conexão com o Brasil. Ele retornava frequentemente ao país, especialmente para projetos no Instituto Terra. Sua vida em Paris também o aproximou de intelectuais e artistas, ampliando o alcance de sua obra.

  • Formação acadêmica: Salgado era pós-graduado em economia pela USP, o que influenciou sua visão analítica.
  • Parceria com Lélia: Sua esposa foi coautora de muitos projetos, incluindo a curadoria de exposições.
  • Vida pessoal: O casal teve dois filhos, Juliano e Rodrigo, que seguem envolvidos com o legado dos pais.

Projetos finais e saúde
Nos últimos anos, Salgado enfrentava problemas de saúde decorrentes de uma malária contraída nos anos 1990, durante um projeto na África. Apesar disso, ele permanecia ativo, viajando para exposições e eventos. Em 2024, em uma entrevista à revista Galileu, ele disse não temer a morte, afirmando que “o que vier é lucro”.
Seu projeto final, Amazônia, foi concluído em 2021 e apresentado em exposições na Europa e no Brasil. A obra, que levou sete anos para ser produzida, retrata a floresta e seus povos indígenas, reforçando o compromisso de Salgado com a preservação.
A exposição em Deauville, organizada pela Maison Européenne de la Photographie, inclui imagens desse projeto e segue aberta ao público até junho de 2025, agora como uma homenagem póstuma.

Legado nas redes sociais
A morte de Salgado gerou uma onda de tributos nas redes sociais. Artistas, jornalistas e ativistas compartilharam imagens de seus trabalhos, destacando frases como “Salgado fotografava com a alma”. Hashtags como #SebastiãoSalgado e #LegadoSalgado alcançaram milhões de visualizações em plataformas como X.
Museus e galerias, como o MASP, em São Paulo, anunciaram eventos para celebrar a obra do fotógrafo. Escolas de fotografia no Brasil também planejam incluir seus projetos em currículos, garantindo que novas gerações conheçam seu impacto.

  • Tributos online: Fotógrafos brasileiros, como Araquém Alcântara, compartilharam mensagens emocionadas.
  • Memes e montagens: Usuários recriaram imagens de Salgado em preto e branco como forma de homenagem.
  • Engajamento global: Posts em inglês, francês e espanhol ampliaram o alcance das homenagens.

Planos para perpetuar a obra
O Instituto Terra e a família de Salgado anunciaram iniciativas para preservar seu legado. Uma fundação em seu nome será criada em 2026, com foco em fotografia documental e educação ambiental. Exposições permanentes estão previstas em cidades como São Paulo, Paris e Nova York.
Livros como Trabalhadores e Gênesis serão relançados em edições comemorativas, com textos inéditos de Lélia Wanick. O documentário O Sal da Terra também será exibido em festivais de cinema em 2025, reforçando a relevância de Salgado.
A Academia de Belas Artes francesa planeja um evento em junho de 2025 para homenagear o fotógrafo, com a presença de líderes culturais e políticos.

Influência na fotografia brasileira
Salgado inspirou uma geração de fotógrafos brasileiros. Nomes como João Roberto Ripper e Luiz Baltar citam seu trabalho como referência para a fotografia humanista. Escolas como a Agência Foto em Foco, no Rio de Janeiro, oferecem cursos baseados em suas técnicas.
Sua abordagem, que combinava estética e ativismo, também influenciou o fotojornalismo brasileiro. Jornais como Folha de S.Paulo e O Globo publicaram editoriais destacando a importância de Salgado para o jornalismo visual.
O fotógrafo também abriu portas para brasileiros no cenário internacional, com exposições em museus como o MoMA, em Nova York, e o Centre Pompidou, em Paris.

Repercussão em eventos culturais
A morte de Salgado coincidiu com a preparação de eventos culturais no Brasil e na Europa. A Bienal de São Paulo, marcada para setembro de 2025, incluirá uma seção dedicada ao fotógrafo, com curadoria de Lélia Wanick. Festivais de fotografia, como o Paraty em Foco, também planejam homenagens.
Na França, a Maison Européenne de la Photographie anunciou que doará parte da renda da exposição em Deauville para o Instituto Terra. A iniciativa visa apoiar projetos de reflorestamento no Brasil.

  • Eventos confirmados: A PhotoRio 2025 terá uma mostra exclusiva com imagens de Amazônia.
  • Parcerias culturais: Museus brasileiros negociam a aquisição de obras de Salgado.
  • Impacto educacional: Escolas de arte planejam workshops sobre fotografia documental.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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