Fifa questiona CBF por comissão a intermediário não registrado na contratação de Carlo AncelottiPor Luís Henrique Costa
8 min de leitura
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A Fifa notificou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em 29 de maio de 2025 devido a uma comissão de 1,2 milhão de euros (R$ 7,6 milhões) paga a Diego Fernandes, intermediário na contratação do técnico Carlo Ancelotti, que não possui registro como agente na federação internacional. A entidade solicitou esclarecimentos até 4 de junho, às vésperas da estreia do treinador italiano contra o Equador, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. O caso, ocorrido sob a gestão de Ednaldo Rodrigues, ex-presidente da CBF, levanta questionamentos sobre a conformidade do contrato assinado com Ancelotti, que assumiu o comando da Seleção Brasileira em 26 de maio. A investigação ocorre em um momento delicado para a CBF, marcada por instabilidade política e transições na liderança. A notificação foi emitida no Rio de Janeiro, onde Fernandes acompanhou o técnico em eventos oficiais.
A contratação de Ancelotti, anunciada em 12 de maio de 2025, marcou o fim de uma longa negociação iniciada em 2023. Diego Fernandes, figura central no acordo, emergiu como peça-chave, mas sua falta de credenciamento pela Fifa gerou a notificação. A CBF informou que os termos do contrato possuem cláusulas de confidencialidade e foram elaborados pela gestão anterior.
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- Pontos sob investigação: Pagamento de comissão a agente não registrado.
- Prazo para resposta: CBF deve enviar documentos até 4 de junho.
- Contexto da contratação: Negociações complexas com o Real Madrid.
A entidade brasileira enfrenta agora o desafio de responder à Fifa enquanto prepara a Seleção para jogos cruciais. A situação expõe fragilidades na governança da CBF, que busca manter a credibilidade no cenário internacional.
Detalhes da notificação da Fifa
A notificação enviada pela Fifa à CBF baseia-se no Artigo 11 do regulamento de agentes, que exige que apenas profissionais credenciados atuem em negociações de contratações de técnicos e jogadores. Diego Fernandes, que não possui licença da entidade, foi listado como intermediário no contrato entre a CBF e Carlo Ancelotti. O documento, assinado por Ednaldo Rodrigues, estipulava uma comissão de 1,2 milhão de euros, equivalente a R$ 7,6 milhões na cotação atual, a ser paga ao empresário.
A Fifa solicitou que a CBF envie, até 4 de junho, documentos detalhados, incluindo o contrato com Fernandes e mensagens relacionadas à transação. A entidade internacional analisa possíveis sanções, que podem variar desde multas até medidas administrativas mais severas. A notificação foi emitida no Rio de Janeiro, onde Fernandes esteve presente ao lado de Ancelotti durante a chegada do técnico ao Brasil, em 25 de maio.
O caso ganhou destaque após Fernandes ser publicamente reconhecido pela CBF como intermediário. Ele acompanhou o treinador em eventos oficiais e esteve no jatinho que trouxe Ancelotti ao Rio, transporte custeado pela confederação. A exposição do empresário, que também passou a gerenciar sua imagem nas redes sociais, levantou questionamentos sobre a transparência do processo.
Trajetória de Ancelotti até a Seleção
Carlo Ancelotti, de 65 anos, assumiu a Seleção Brasileira após uma carreira vitoriosa em clubes europeus. Ele comandou o Real Madrid até o fim da temporada 2024/2025, conquistando cinco títulos da Champions League, três Mundiais de Clubes e campeonatos nacionais em Itália, Inglaterra, França, Alemanha e Espanha. A contratação pela CBF, anunciada em 12 de maio, foi celebrada como um marco, sendo Ancelotti o primeiro técnico estrangeiro a liderar a Seleção em um século.
As negociações com o Real Madrid enfrentaram obstáculos, como a recusa do clube em pagar a multa rescisória do treinador, cujo contrato era válido até 2026. A crise de resultados do time espanhol, com eliminações na Champions League e na Copa do Rei, facilitou a liberação de Ancelotti. O acordo com a CBF prevê um salário de R$ 5 milhões mensais, além de benefícios como aluguel de imóvel no Rio, plano de saúde internacional e seguro de vida.
- Clubes comandados por Ancelotti: Reggiana, Parma, Juventus, Milan, Chelsea, PSG, Bayern de Munique, Napoli, Everton e Real Madrid.
- Títulos na Champions: Dois com o Milan (2003, 2007) e três com o Real Madrid (2014, 2022, 2024).
- Chegada ao Brasil: Ancelotti desembarcou no Rio em 25 de maio de 2025.
Papel de Diego Fernandes no acordo
Diego Fernandes, assessor financeiro de mais de 100 jogadores, tornou-se uma figura central na contratação de Ancelotti. Sem licença da Fifa, ele atuou como intermediário a pedido de Ednaldo Rodrigues, então presidente da CBF. Fernandes esteve em Madrid durante as negociações finais e foi incluído no contrato como responsável por facilitar o acordo.
O empresário também custeou o aluguel de um jatinho para transportar Ancelotti e sua comissão técnica ao Brasil, ao custo de R$ 1 milhão, valor posteriormente reembolsado pela CBF. Após o acordo, Fernandes ampliou sua visibilidade, contratando assessoria de imprensa e aumentando sua presença nas redes sociais, onde passou de um perfil privado para mais de 26 mil seguidores.
A participação de Fernandes no processo, porém, gerou controvérsia. A Fifa exige que intermediários em negociações sejam agentes registrados, e a ausência de credenciamento levanta questões sobre a legalidade da comissão estipulada no contrato. A CBF agora analisa internamente a situação, sob a liderança de sua área de governança.
Contexto político da CBF
A notificação da Fifa ocorre em um momento de instabilidade na CBF. Ednaldo Rodrigues, que assinou o contrato com Ancelotti, foi removido da presidência em 15 de maio de 2025, após decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A corte apontou irregularidades administrativas, incluindo a suposta falsificação da assinatura de um ex-presidente da entidade em um acordo de 2025.
Fernando Sarney, vice-presidente da CBF, assumiu como administrador interino, com a tarefa de organizar novas eleições. A crise política gerou alertas sobre possíveis sanções da Fifa, que não reconhece lideranças indicadas judicialmente. A entidade internacional já havia advertido a CBF em 2023, quando Rodrigues foi temporariamente suspenso, ameaçando excluir o Brasil de competições internacionais.
- Gestão de Rodrigues: Primeiro presidente negro da CBF, liderou negociações com Ancelotti desde 2023.
- Crise atual: Remoção de Rodrigues por suposta falsificação de assinatura.
- Risco de sanções: Fifa pode impor penalidades por interferência judicial na CBF.
Preparativos de Ancelotti para as Eliminatórias
Apesar da investigação, Ancelotti segue focado na preparação da Seleção Brasileira. Ele anunciou sua primeira convocação em 26 de maio, incluindo surpresas como o retorno de Casemiro, do Manchester United, e a estreia de jovens como Estêvão, do Palmeiras. Os jogos contra Equador, em 5 de junho, e Paraguai, em 10 de junho, são decisivos para as Eliminatórias da Copa de 2026.
O treinador expressou o desejo de aprender português rapidamente e planeja adaptar o estilo de jogo da Seleção, inspirando-se em equipes de sucesso que comandou, como o Real Madrid de temporadas anteriores. Ancelotti também destacou a importância de jogadores como Vinícius Júnior, Rodrygo e Endrick, com quem trabalhou no clube espanhol.
Reações no meio futebolístico
A notificação da Fifa gerou debates no meio futebolístico brasileiro. Dirigentes de federações estaduais, que apoiaram Rodrigues durante sua gestão, aguardam esclarecimentos da CBF. A entidade informou que está revisando os termos do contrato de Ancelotti, mas evitou detalhes devido às cláusulas de confidencialidade.
No cenário internacional, a imprensa europeia repercutiu o caso, destacando a exposição de Fernandes e os desafios de governança da CBF. Jornais como o espanhol “Marca” noticiaram a investigação como um obstáculo inicial para Ancelotti, que busca consolidar sua liderança na Seleção.
- Repercussão na Europa: Imprensa espanhola questiona transparência da CBF.
- Apoio a Ancelotti: Jogadores como Casemiro elogiaram a chegada do técnico.
- Silêncio da CBF: Entidade limita comentários à nota oficial.
Histórico de investigações na CBF
A CBF já enfrentou outras investigações relacionadas a contratos e intermediações. Desde 2012, nenhum presidente eleito completou seu mandato, com remoções ou renúncias por escândalos. A Fifa, em casos anteriores, indiciou ex-presidentes da entidade por corrupção, com condenações em andamento nos Estados Unidos.
O atual caso de Ancelotti reacende discussões sobre a necessidade de maior transparência nas negociações da CBF. A entidade busca reforçar sua área de governança para evitar novas sanções, especialmente em um momento em que o Brasil se prepara para a Copa do Mundo de 2026.
Próximos passos da investigação
A CBF tem até 4 de junho para responder à Fifa, enviando o contrato de Fernandes e outros documentos solicitados. A entidade internacional decidirá então se aplicará sanções ou arquivará o caso. Enquanto isso, Ancelotti mantém sua agenda, participando de reuniões com coordenadores da Seleção e planejando os treinos para os jogos de junho.
A resolução do caso será crucial para a imagem da CBF, que busca recuperar a confiança de torcedores e parceiros internacionais. A estreia de Ancelotti, marcada para o jogo contra o Equador, será acompanhada de perto, tanto pelo desempenho em campo quanto pelos desdobramentos da investigação.















