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A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu o cantor Marlon Brandon Coelho Couto, conhecido como MC Poze do Rodo, na madrugada de 29 de maio de 2025, em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste da cidade. A operação, conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), resultou na prisão temporária do funkeiro, investigado por apologia ao crime e envolvimento com o tráfico de drogas. Vídeos recentes de um baile funk na Cidade de Deus, onde homens armados exibiam fuzis, intensificaram as investigações. A ação ocorre dias após a morte de um policial da Core na mesma comunidade, em operação contra crimes ambientais. A prisão foi executada com mandado judicial, e o advogado do cantor questiona a legalidade da detenção.

O caso ganhou destaque após a circulação de imagens de criminosos armados em eventos onde Poze se apresentava. As autoridades apontam que os shows do cantor ocorrem em áreas dominadas por facções criminosas, com letras que incitam a violência. A DRE investiga financiadores e outros envolvidos nos eventos.

  • Foco das investigações: Identificar traficantes e financiadores de bailes funk.
  • Histórico: Poze já foi alvo de operações em 2019, 2020 e 2024.
  • Próximos passos: A defesa planeja pedir habeas corpus caso a prisão seja mantida.

Detalhes da operação policial

A prisão de MC Poze do Rodo ocorreu às 5h da manhã, com agentes da DRE cumprindo mandado judicial no condomínio de alto padrão onde o cantor reside. Segundo a Polícia Civil, a ação foi planejada com base em meses de investigações, incluindo monitoramento de redes sociais e análise de vídeos de bailes funk. Durante a abordagem, Poze foi algemado, o que gerou reclamações do cantor, conforme registrado por equipes de TV presentes no local.

Os policiais revistaram a residência, mas não divulgaram se houve apreensão de materiais. A operação envolveu viaturas e agentes especializados, com apoio de unidades da Cidade da Polícia. A DRE informou que o mandado de prisão temporária tem validade inicial de 30 dias, período em que novas provas serão coletadas.

  • Local da prisão: Condomínio no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio.
  • Horário: Aproximadamente 5h da manhã de 29 de maio de 2025.
  • Duração do mandado: Prisão temporária válida por até 30 dias.
MC Poze do Rodo é preso
MC Poze do Rodo é preso – Foto: Reprodução/ TV Globo

Histórico de investigações

MC Poze do Rodo já esteve no radar das autoridades em outras ocasiões. Em 2019, o cantor foi preso em Sorriso, Mato Grosso, durante um baile funk, acusado de apologia ao crime, tráfico de drogas e corrupção de menores. Na ocasião, a polícia encontrou drogas e frascos de lança-perfume, e o evento envolveu adolescentes consumindo álcool. Poze foi liberado dias depois, com a defesa alegando que ele não organizava o evento.

Em 2020, vídeos de um baile no Jacaré, Zona Norte do Rio, mostraram traficantes armados durante apresentação do cantor, gerando nova investigação. No ano passado, Poze e sua esposa, Viviane Noronha, foram alvos da Operação Rifa Limpa, que apurava sorteios ilegais. Carros de luxo e joias foram apreendidos, mas devolvidos por decisão judicial em abril de 2025.

Conexão com o Comando Vermelho

As investigações da DRE apontam que os shows de Poze ocorrem predominantemente em áreas controladas pelo Comando Vermelho (CV), uma das maiores facções criminosas do Rio. Segundo a polícia, esses eventos são usados para aumentar lucros com a venda de drogas, com recursos reinvestidos em armas e entorpecentes. Vídeos de bailes funk mostram criminosos exibindo fuzis sem receio de identificação, o que reforça a tese de conivência com o tráfico.

Um dos eventos recentes, ocorrido em 17 de maio de 2025 na Cidade de Deus, foi marcado pela presença de homens armados entre o público. As imagens, amplamente divulgadas nas redes sociais, mostram fuzis sendo erguidos durante a apresentação de Poze, que cantava músicas com referências ao CV. A polícia analisa esses registros para identificar os indivíduos armados.

  • Áreas de atuação: Comunidades como Cidade de Deus, Jacaré e Vila Ipiranga.
  • Objetivo dos eventos: Gerar lucros para o tráfico, segundo a DRE.
  • Evidências: Vídeos e postagens em redes sociais.

Letras sob escrutínio

O repertório de MC Poze do Rodo é um dos focos da investigação. A Polícia Civil alega que as letras do cantor fazem apologia ao tráfico e ao uso de armas, incitando confrontos entre facções. Músicas como “Tô Voando Alto” e outras do gênero “proibidão” contêm referências explícitas à vida criminosa, o que, segundo a DRE, ultrapassa os limites da liberdade artística.

A instituição destacou que as apresentações de Poze atraem jovens para ambientes controlados por traficantes, onde a venda de drogas é facilitada. A polícia também investiga se os lucros dos shows são usados para financiar atividades ilícitas. Especialistas em segurança pública já haviam alertado, em anos anteriores, sobre o impacto cultural de letras que glorificam o crime em comunidades vulneráveis.

Reação da defesa

O advogado de Poze, Fernando Henrique Cardoso Neves, acompanhou o cantor durante a prisão e criticou a ação policial. Ele classificou as acusações como uma “narrativa antiga” e afirmou que a defesa busca esclarecer os motivos da detenção. Caso a prisão temporária seja mantida, Neves anunciou que entrará com um pedido de habeas corpus nos próximos dias.

Poze, por sua vez, limitou-se a reclamar das algemas ao ser levado à Cidade da Polícia. Em ocasiões anteriores, o cantor usou redes sociais para se defender, alegando que seus shows levam “alegria” às comunidades e que ele não controla a presença de criminosos. Até o momento, não houve novos pronunciamentos do artista ou de sua equipe.

Baile na Cidade de Deus

O baile funk de 17 de maio na Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio, foi um dos estopins para a prisão de Poze. Realizado na Arena Lazer do 15, o evento contou com forte presença de traficantes armados, que circulavam livremente entre o público. Vídeos gravados por frequentadores mostram homens com fuzis filmando o show, alguns apontando as armas para o alto.

A festa ocorreu na véspera de uma operação policial na mesma comunidade, que resultou na morte do agente José Antônio Lourenço, da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). A ação visava combater a venda de gelo contaminado, mas terminou em confronto. A proximidade temporal entre o baile e a operação intensificou as investigações sobre a influência de eventos culturais no crime organizado.

  • Data do evento: 17 de maio de 2025.
  • Local: Arena Lazer do 15, Cidade de Deus.
  • Consequências: Viralização de vídeos e morte de policial no dia seguinte.

Operações anteriores

Além da Operação Rifa Limpa, Poze foi alvo de outras ações policiais. Em 2021, um baile na Vila Ipiranga, em Niterói, gerou investigação por aglomeração durante a pandemia e presença de traficantes armados. Na ocasião, a defesa do cantor argumentou que ele apenas atendia convites para se apresentar, sem envolvimento com a organização dos eventos.

Em 2020, a Polícia Civil descobriu um plano da milícia liderada por Wellington da Silva Braga, o Ecko, para sequestrar e executar Poze. O esquema, que envolvia um pagamento de R$ 300 mil, foi frustrado, mas expôs as tensões entre facções criminosas e o cantor. Esses episódios reforçam o histórico de polêmicas envolvendo o funkeiro.

Impacto na comunidade

A prisão de Poze gerou reações nas redes sociais, com opiniões divididas. Alguns internautas criticaram o cantor, apontando sua ligação com o tráfico, enquanto outros defenderam sua trajetória, destacando que ele saiu da favela do Rodo, em Santa Cruz, para alcançar fama nacional. A Cidade de Deus, palco de recentes operações, enfrenta impactos sociais, como o fechamento de 50 escolas e a interrupção parcial de serviços de saúde após confrontos.

Moradores relatam que bailes funk, embora culturais, atraem criminosos e intensificam a violência. A polícia mantém reforço no policiamento da região, com ordens do governador para não deixar a Cidade de Deus até a captura de responsáveis pela morte do agente da Core.

  • Reações: Divisão entre críticas e apoio ao cantor.
  • Impactos locais: Fechamento de escolas e restrições em serviços de saúde.
  • Medidas policiais: Policiamento intensificado na comunidade.

Próximos passos judiciais

A prisão temporária de Poze permite que a DRE amplie as investigações, buscando conexões entre os shows do cantor e o financiamento do tráfico. A polícia também analisa redes sociais para identificar frequentadores armados dos bailes. Enquanto isso, a defesa do cantor prepara medidas legais para contestar a detenção, com possível pedido de habeas corpus já na próxima semana.

O caso segue em sigilo judicial, e novas informações devem surgir com o avanço das apurações. A Polícia Civil informou que outras prisões não estão descartadas, dependendo das provas coletadas nos próximos dias.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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