CBF é alvo da Fifa por comissão a empresário sem licença em acordo com AncelottiPor Thiago Lemos
7 min de leitura
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A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) enfrenta uma notificação da Fifa por pagar 1,2 milhão de euros (R$ 7,4 milhões) ao empresário Diego Fernandes, que intermediou a contratação do técnico Carlo Ancelotti para a seleção brasileira. A transação, realizada na gestão do ex-presidente Ednaldo Rodrigues, é questionada porque Fernandes não possui licença de agente registrada pela Fifa, infringindo normas internacionais. A entidade exige esclarecimentos e documentos até 5 de junho, antes do jogo contra o Equador, pelas Eliminatórias da Copa de 2026. Sob a nova presidência de Samir Xaud, a CBF analisa o caso, com possibilidade de contestar o pagamento. O episódio, revelado pelo UOL e confirmado por outros portais, destaca fragilidades na administração da confederação.
Ancelotti assumiu a seleção em maio de 2025, marcando a chegada do primeiro técnico estrangeiro em décadas. Fernandes, CEO da 08 Partners, foi figura central na negociação, com destaque na apresentação oficial no Rio de Janeiro. A CBF reservou uma cadeira para ele na primeira fileira e publicou agradecimentos nas redes sociais. O caso expõe a necessidade de maior rigor em contratos da entidade.
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- Focos da investigação da Fifa:
- Conformidade do pagamento com o regulamento de agentes.
- Papel de Fernandes na negociação sem licença.
- Possíveis sanções à CBF por irregularidades.
Fifa questiona CBF por comissão a empresário em contratação de Ancelotti.
— LIBERTA DEPRE (@liberta___depre) May 29, 2025
Diego Fernandes atuou como intermediário no contato com o treinador italiano. Ele estava em Madrid para fechar o contrato com o novo comandante do time brasileiro e falava diretamente com o dirigente da… pic.twitter.com/7MQP2Zmkjy
Irregularidade sob escrutínio
A Fifa exige que a CBF detalhe a participação de Diego Fernandes no acordo com Ancelotti. O regulamento de agentes, revisado em dezembro de 2024, proíbe que não licenciados atuem em negociações de treinadores ou jogadores. O artigo 11 especifica que apenas agentes registrados podem intermediar contratos ou abordar clientes. O prazo para entrega de documentos coincide com a próxima Data Fifa, aumentando a pressão sobre a confederação.
A CBF confirmou que seu setor de governança revisa o contrato, firmado pela gestão anterior. A atual administração avalia contestar o pagamento, argumentando que Fernandes não cumpriu as exigências da Fifa. A entidade pode enfrentar multas ou restrições caso as irregularidades sejam confirmadas.
Perfil de Diego Fernandes
Diego Fernandes, fundador da 08 Partners, é conhecido por operações financeiras no futebol, como transações de câmbio para jogadores e dirigentes. Sem licença de agente, ele mantém relações com figuras influentes, incluindo Neymar pai, entusiasta da contratação de Ancelotti. Fernandes investiu em visibilidade, contratando agências de comunicação para promover sua imagem após o acordo.
Na apresentação de Ancelotti, Fernandes apareceu em fotos e publicações nas redes sociais, reforçando sua influência. Ele também custeou um voo fretado para trazer o técnico ao Brasil, com custo de R$ 1 milhão, a ser reembolsado pela CBF.
- Atividades de Fernandes:
- Transações financeiras para atletas e clubes.
- Laços com Neymar pai e outros dirigentes.
- Promoção de sua imagem via agências de comunicação.
- Financiamento do voo de Ancelotti.
Legado de Ednaldo Rodrigues
A negociação com Fernandes foi conduzida por Ednaldo Rodrigues, que deixou a presidência da CBF em maio de 2025 após decisão judicial. Acusado de irregularidades na reeleição, Rodrigues via a contratação de Ancelotti como forma de elevar o prestígio da seleção. O acordo com Fernandes, porém, é apontado como um erro administrativo.
A gestão de Rodrigues enfrentou críticas por falta de transparência. Cláusulas de confidencialidade no contrato com Fernandes dificultam a análise pela nova administração. A CBF busca corrigir falhas do passado enquanto lida com a notificação da Fifa.
Nova gestão de Samir Xaud
Samir Xaud assumiu a CBF em 25 de maio de 2025, após eleição marcada por tensões. Sua administração prioriza a revisão de contratos e o fortalecimento da governança. O caso Fernandes é um teste inicial, com o setor jurídico examinando a legalidade do pagamento. Xaud mantém o compromisso com Ancelotti, mas busca evitar sanções da Fifa.
A CBF colabora com a entidade mundial, preparando documentos para o prazo estipulado. A gestão enfrenta pressão para restaurar a credibilidade da confederação, abalada por escândalos anteriores.
- Objetivos de Xaud:
- Revisão de contratos herdados.
- Cooperação com a Fifa para evitar penalidades.
- Reforço da transparência administrativa.
Chegada de Ancelotti
Carlo Ancelotti foi apresentado em maio de 2025, em um hotel na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Sua primeira convocação, para os jogos contra Equador e Paraguai, incluiu Casemiro e Vinícius Júnior, mas excluiu Neymar, lesionado. Fernandes teve destaque no evento, com cadeira reservada e menções nas redes sociais da CBF.
O técnico italiano, que deixou o Real Madrid, tem a missão de liderar o Brasil na Copa de 2026. Sua estreia, em 5 de junho, será acompanhada de perto, enquanto a CBF lida com a crise administrativa.
Regras da Fifa
O regulamento de agentes da Fifa, atualizado em 2024, estabelece normas rígidas para negociações. Apenas agentes licenciados podem atuar em contratos de jogadores ou treinadores. A CBF, ao contratar Fernandes, violou essa regra, motivando a notificação. A entidade mundial já aplicou sanções a outras federações por infrações semelhantes.
A entrega de documentos pela CBF será crucial para evitar penalidades. O caso destaca a importância de maior rigor em futuras contratações, especialmente em acordos internacionais.
- Normas do regulamento:
- Exclusividade de agentes licenciados em negociações.
- Proibição de atuação de não licenciados.
- Risco de multas por descumprimento.
Debate no futebol brasileiro
A notificação da Fifa gerou críticas no meio esportivo. Especialistas apontaram falhas na gestão da CBF, questionando a escolha de um intermediário sem licença. A confederação, que já enfrentou escândalos, está sob novo escrutínio às vésperas das Eliminatórias.
Jogadores e dirigentes evitaram comentários públicos. A CBF foca na preparação da seleção, esperando que os resultados em campo desviem a atenção da crise administrativa.
Eliminatórias em foco
A seleção brasileira enfrenta o Equador em 5 de junho, em Guayaquil, e o Paraguai, em 10 de junho, em São Paulo. Ancelotti convocou jogadores como Casemiro e Raphinha, buscando equilíbrio entre experiência e juventude. A CBF espera vitórias para fortalecer a campanha na Copa de 2026.
A entrega dos documentos à Fifa, antes do primeiro jogo, é prioridade. A confederação trabalha para esclarecer o caso Fernandes e evitar complicações durante as Eliminatórias.
- Jogos programados:
- Equador x Brasil, 5 de junho, Guayaquil.
- Brasil x Paraguai, 10 de junho, São Paulo.
- Convocação com Casemiro e Vinícius Júnior.
Histórico de instabilidade na CBF
A CBF enfrenta crises administrativas há anos. Desde 2012, nenhum presidente completou seu mandato, com saídas marcadas por escândalos. A gestão de Ednaldo Rodrigues, encerrada judicialmente, adicionou novas controvérsias, como o acordo com Fernandes.
A administração de Samir Xaud busca mudar esse cenário, mas enfrenta desafios herdados. A revisão de contratos e a cooperação com a Fifa são passos para restaurar a confiança na entidade.
Visibilidade de Fernandes
Fernandes aproveitou a contratação de Ancelotti para ganhar projeção. Suas publicações nas redes sociais, incluindo fotos com o técnico, circularam amplamente. O empresário também usou inteligência artificial para criar textos celebrando o acordo, reforçando sua presença na mídia.
A atuação de Fernandes, porém, levantou questionamentos sobre a influência de intermediários não licenciados no futebol. A CBF analisa como sua participação foi formalizada, enquanto enfrenta a notificação da Fifa.
- Ações de Fernandes para visibilidade:
- Publicações nas redes sociais com Ancelotti.
- Uso de agências de comunicação.
- Textos gerados por inteligência artificial.















