Aneel eleva conta de luz com bandeira vermelha em junho devido à crise hídrica

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Aneel - Foto: Focus Pix / Shutterstock.com

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou, em 30 de maio de 2025, a aplicação da bandeira tarifária vermelha, patamar 1, para o mês de junho, elevando o custo das contas de luz em todo o Brasil. A decisão, tomada em Brasília, implica uma cobrança extra de R$ 4,46 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. O ajuste ocorre devido à redução no volume de chuvas e à consequente queda na geração de energia por hidrelétricas, o que exige o uso de usinas termoelétricas, mais caras. A medida, válida para consumidores do sistema integrado nacional, substitui a bandeira amarela de maio e reflete os desafios climáticos enfrentados pelo setor elétrico. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) projeta um cenário de baixa afluência nos reservatórios, justificando a mudança. A Aneel destaca que o mecanismo visa cobrir os custos adicionais e incentivar o uso consciente de energia.

O sistema de bandeiras tarifárias, implementado desde 2015, regula os custos de geração de energia no país. Em períodos de escassez hídrica, como o atual, a dependência de fontes mais caras aumenta. A bandeira vermelha sinaliza aos consumidores a necessidade de atenção ao consumo.

Custo adicional: R$ 4,46 por 100 kWh consumidos.
Motivo principal: Redução na geração hidrelétrica.
Período de aplicação: Todo o mês de junho de 2025.

Cenário de escassez hídrica

A diminuição das chuvas em regiões-chave do Brasil, como Sudeste e Centro-Oeste, impacta diretamente os reservatórios das hidrelétricas. Dados do ONS apontam que os níveis dos reservatórios estão abaixo da média histórica para maio, com projeções de piora em junho. Usinas como Itaipu e Belo Monte operam com capacidade reduzida, enquanto o acionamento de termoelétricas a gás e carvão eleva os custos de geração.

O setor elétrico enfrenta um período de transição sazonal, com o fim do período chuvoso e o início da estação seca. A Aneel monitora os indicadores climáticos e de geração para ajustar as bandeiras mensalmente. Em maio, a bandeira amarela já indicava condições menos favoráveis, com cobrança de R$ 1,88 por 100 kWh.

Mecanismo das bandeiras tarifárias

O sistema de bandeiras tarifárias foi criado para refletir os custos reais de geração de energia. Cada cor indica um cenário específico:

Verde: Condições favoráveis, sem cobrança extra.
Amarela: Geração com custo moderado, com taxa de R$ 1,88 por 100 kWh.
Vermelha patamar 1: Geração cara, com R$ 4,46 por 100 kWh.
Vermelha patamar 2: Geração muito cara, com R$ 6,79 por 100 kWh.

A bandeira vermelha patamar 1, acionada para junho, reflete um equilíbrio entre a necessidade de cobrir custos e evitar encargos ainda mais altos. A Aneel revisa os valores anualmente, ajustando as tarifas às condições do mercado energético.

Medidas para consumidores

A elevação nos custos da energia elétrica pressiona os orçamentos domésticos e empresariais. A Aneel recomenda práticas de economia, como o uso de lâmpadas LED, a redução do tempo de uso de aparelhos de ar-condicionado e a manutenção de eletrodomésticos eficientes. Programas de incentivo ao consumo consciente, como a Tarifa Branca, também estão disponíveis para consumidores que ajustam o uso fora dos horários de pico.

Em paralelo, o governo federal anunciou, em maio de 2025, a intenção de enviar ao Congresso Nacional uma medida provisória para oferecer energia gratuita a famílias de baixa renda. A proposta, ainda em fase de elaboração, visa ampliar o acesso à Tarifa Social de Energia Elétrica, que já beneficia cerca de 12 milhões de famílias.

Dependência de termoelétricas

As usinas termoelétricas, acionadas em momentos de baixa geração hidrelétrica, representam uma solução de curto prazo, mas com custos elevados. Em 2025, cerca de 15% da matriz energética brasileira depende de fontes térmicas, segundo o ONS. Essas usinas, movidas a gás natural, diesel ou carvão, têm custos operacionais que variam entre R$ 300 e R$ 600 por megawatt-hora (MWh), contra menos de R$ 100/MWh das hidrelétricas.

A operação contínua dessas usinas também aumenta as emissões de gases de efeito estufa, levantando debates sobre a sustentabilidade da matriz energética. Apesar disso, fontes renováveis, como eólica e solar, ainda não conseguem suprir a demanda em períodos de crise hídrica.

Histórico de bandeiras em 2025

O ano de 2025 tem sido marcado por oscilações nas bandeiras tarifárias. Dados da Aneel mostram que:

Janeiro: Bandeira verde, com chuvas acima da média.
Fevereiro a abril: Bandeira amarela, com redução gradual das afluências.
Maio: Bandeira amarela mantida, com alerta para queda nos reservatórios.
Junho: Bandeira vermelha patamar 1, devido à crise hídrica.

A sequência reflete a deterioração das condições climáticas ao longo do primeiro semestre. Especialistas apontam que a ausência de fenômenos como o La Niña, que costuma trazer chuvas, contribui para o cenário atual.

Alternativas em discussão

O governo e o setor elétrico buscam soluções para mitigar os custos elevados. A expansão de fontes renováveis, como parques eólicos no Nordeste e usinas solares no Centro-Oeste, está em andamento. Em 2024, o Brasil adicionou 3,2 gigawatts (GW) de capacidade eólica e 2,8 GW de energia solar, segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

Projetos de modernização de hidrelétricas, como a repotenciação de turbinas em usinas antigas, também são considerados. A Aneel avalia incentivos para microgeração distribuída, como painéis solares residenciais, que já respondem por 1,5% da energia consumida no país.

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Reações do setor produtivo

A bandeira vermelha impacta diretamente indústrias e comércios, que enfrentam custos operacionais mais altos. Setores como a indústria de alumínio e a construção civil, que consomem grandes quantidades de energia, já relatam ajustes em suas projeções de despesas. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o aumento nas tarifas pode elevar os custos de produção em até 2% para alguns segmentos.

Pequenos comerciantes, como donos de padarias e restaurantes, também sentem o peso da tarifa extra. Em Brasília, associações locais planejam campanhas de conscientização para reduzir o consumo durante o horário de pico, entre 18h e 21h.

Programas sociais em pauta

A proposta de energia gratuita para famílias de baixa renda, anunciada pelo governo, ainda depende de aprovação legislativa. A medida provisória, que deve ser enviada ao Congresso em junho, prevê a expansão da Tarifa Social, que oferece descontos de até 65% nas contas de luz para famílias com renda de até meio salário mínimo por pessoa.

Atualmente, o programa atende cerca de 12 milhões de residências, mas o governo estima que outros 3 milhões de famílias elegíveis ainda não estão cadastradas. A iniciativa inclui parcerias com distribuidoras de energia para identificar e inscrever automaticamente os beneficiários.

Perspectivas para o segundo semestre

A Aneel e o ONS acompanham os indicadores climáticos para definir as bandeiras dos próximos meses. Previsões meteorológicas apontam para chuvas abaixo da média até agosto, o que pode manter ou agravar o cenário de bandeiras amarela ou vermelha. O aumento da capacidade de geração eólica, que atinge picos no segundo semestre, pode aliviar a pressão sobre as hidrelétricas.

Projetos de longo prazo, como a integração de novas usinas ao Sistema Interligado Nacional (SIN), também são monitorados. A conclusão de linhas de transmissão no Norte e Nordeste, prevista para 2026, deve melhorar a distribuição de energia renovável.

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