Fim da amizade: Trump e Musk trocam farpas em batalha online

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Donald Trump e Elon Musk Foto: Donald Trump e Elon Musk - Foto: bella1105 / Shutterstock.com

A relação entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o bilionário Elon Musk, dono da Tesla e da SpaceX, desmoronou em uma troca pública de acusações nas redes sociais na quinta-feira, 5 de junho de 2025. O que começou como uma divergência sobre um projeto de lei econômica, conhecido como “Big Beautiful Bill”, escalou para ameaças de corte de contratos governamentais por Trump e insinuações de Musk sobre a presença de Trump em documentos ligados ao caso Jeffrey Epstein. O embate, travado nas plataformas Truth Social e X, chocou o público americano e revelou o fim de uma aliança que parecia inabalável. A disputa, amplificada pela influência de ambos, gerou reações de políticos, investidores e usuários das redes, enquanto o mercado financeiro sentiu o impacto com quedas nas ações da Tesla e da Trump Media & Technology Group.

Essa troca de farpas não foi apenas um espetáculo midiático, mas um reflexo de tensões políticas e econômicas mais amplas. O projeto de lei, que inclui cortes em incentivos para veículos elétricos, opôs os interesses de Musk, cuja empresa depende de tais subsídios, às prioridades de Trump. A seguir, os principais pontos do conflito:

  • Origem da disputa: Divergências sobre a “Big Beautiful Bill” e a eliminação de incentivos fiscais para carros elétricos.
  • Ameaças de Trump: O presidente sugeriu cancelar contratos governamentais com empresas de Musk, como a SpaceX.
  • Resposta de Musk: O bilionário acusou Trump de ocultar informações sobre o caso Epstein e questionou sua liderança.

O episódio marcou um ponto de ruptura em uma relação que, até então, era marcada por gestos de proximidade, como visitas conjuntas à Casa Branca e elogios públicos. Agora, a briga expõe divisões no campo político conservador e levanta questões sobre o futuro das empresas de Musk no mercado americano.

Origem de um racha político

A “Big Beautiful Bill”, projeto de lei defendido por Trump, tornou-se o estopim do conflito. A proposta, que tramita no Congresso, prevê cortes significativos em subsídios para energias renováveis, incluindo incentivos fiscais para veículos elétricos, uma área central para a Tesla. Musk, que inicialmente apoiou Trump e até liderou o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), viu na proposta uma ameaça direta aos seus negócios. Em posts no X, ele descreveu o projeto como uma “abominação cheia de desperdícios”, criticando sua aprovação às pressas, sem tempo para análise detalhada pelos congressistas.

Trump, por sua vez, reagiu com indignação. Durante uma coletiva no Salão Oval, no dia 5 de junho, o presidente afirmou que Musk conhecia os detalhes do projeto e não havia manifestado objeções anteriormente. A troca de acusações ganhou tons pessoais quando Trump sugeriu que Musk estava agindo por interesses próprios, enquanto o bilionário retrucou, alegando falta de transparência na elaboração da lei.

A troca de farpas nas redes

A batalha entre os dois magnatas se desenrolou em tempo real nas redes sociais, com posts que misturavam provocações, ameaças e insinuações. Trump, usando sua plataforma Truth Social, declarou que Musk “estava se tornando um problema” e ameaçou cortar bilhões de dólares em contratos governamentais com empresas do bilionário, como a SpaceX, que depende de parcerias com a NASA e o Departamento de Defesa. Em um dos posts mais contundentes, o presidente escreveu que “a maneira mais fácil de economizar bilhões é cancelar os subsídios e contratos de Elon”.

Musk, dono do X, respondeu com uma série de mensagens que elevaram o tom do confronto. Em um post que gerou grande repercussão, ele afirmou que Trump estaria nos arquivos do caso Jeffrey Epstein, sugerindo que o presidente bloqueava a divulgação de documentos comprometedores. A acusação, embora sem provas públicas, inflamou o debate online e levou a reações de figuras políticas, como o vice-presidente JD Vance, que saiu em defesa de Trump.

Reações do mercado e do público

O embate teve reflexos imediatos no mercado financeiro. No dia 5 de junho, as ações da Tesla caíram 14%, resultando em uma perda de cerca de 150 bilhões de dólares em valor de mercado. A Trump Media & Technology Group, que opera a Truth Social, também registrou queda, refletindo a instabilidade gerada pelo conflito. Investidores, preocupados com a possibilidade de Musk perder contratos governamentais, reagiram com cautela, enquanto analistas apontaram os riscos de uma guerra pública entre duas figuras tão influentes.

Nas redes sociais, o público se dividiu. Alguns usuários expressaram apoio a Musk, elogiando sua postura contra o que chamaram de “desperdício legislativo”. Outros, alinhados a Trump, criticaram o bilionário, acusando-o de deslealdade. Figuras como o bilionário Bill Ackman tentaram apaziguar a situação, publicando no X que ambos deveriam “fazer as pazes pelo bem do país”. Abaixo, algumas reações destacadas:

  • Apoio a Musk: Usuários destacaram sua crítica ao projeto de lei como uma defesa dos interesses dos contribuintes.
  • Defesa de Trump: Seguidores do presidente o elogiaram por enfrentar Musk, visto como um aliado volátil.
  • Chamados por moderação: Políticos e influenciadores pediram diálogo para evitar prejuízos econômicos.

Contexto de uma aliança desfeita

A relação entre Trump e Musk, que já foi marcada por momentos de grande proximidade, começou a se deteriorar nos últimos meses. Em março de 2025, Trump anunciou a criação do DOGE, com Musk à frente, elogiando sua capacidade de cortar gastos públicos. Os dois foram vistos juntos em eventos oficiais, como uma visita à Casa Branca em maio, onde posaram em um Tesla vermelho. No entanto, divergências sobre políticas públicas, especialmente em relação a incentivos para energias limpas, começaram a criar atritos.

Musk, que já havia se afastado de Trump em 2017 por discordâncias sobre o Acordo de Paris, parecia disposto a manter uma relação pragmática. Sua participação no DOGE, no entanto, foi questionada por críticos, que apontaram conflitos de interesse devido aos contratos de suas empresas com o governo. A saída de Musk do projeto, pouco antes da posse de Trump, sinalizou o início do racha.

Ameaças de impacto nas empresas de Musk

A possibilidade de corte de contratos governamentais representa uma ameaça significativa para as empresas de Musk, especialmente a SpaceX. A companhia, que realiza missões para a NASA e o Pentágono, depende de bilhões de dólares em acordos federais. Além disso, a Tesla, que enfrenta desafios para expandir sua tecnologia de direção autônoma, poderia sofrer com a perda de incentivos fiscais para veículos elétricos. Analistas apontam que a instabilidade gerada pelo conflito pode afastar investidores e prejudicar a inovação em setores estratégicos.

Por outro lado, Trump também enfrenta riscos. Sua plataforma Truth Social, já em situação financeira delicada, pode perder relevância se a disputa com Musk afastar usuários ou anunciantes. A queda nas ações da Trump Media & Technology Group reflete a percepção de que o presidente, ao atacar um aliado poderoso, pode estar enfraquecendo sua própria base.

Respostas políticas ao conflito

O embate entre Trump e Musk gerou reações de figuras políticas de diferentes espectros. O vice-presidente JD Vance, em um post no X, minimizou a disputa, publicando uma foto com o comediante Theo Von e comentando sobre a necessidade de focar em outras questões. Já dois deputados democratas aproveitaram o momento para pressionar o Departamento de Justiça, exigindo a divulgação de documentos do caso Epstein, em uma tentativa de capitalizar sobre as acusações de Musk.

No campo republicano, aliados de Trump tentaram manter a unidade. O presidente da Câmara, Mike Johnson, enfrenta dificuldades para aprovar a “Big Beautiful Bill” no Congresso, especialmente após as críticas de Musk. A pressão do bilionário, que usou o X para mobilizar oposição ao projeto, complicou as negociações legislativas.

Um novo capítulo na polarização digital

A briga entre Trump e Musk destaca o papel das redes sociais como palco de disputas políticas e econômicas. Com milhões de seguidores, ambos usaram suas plataformas para amplificar suas mensagens, polarizando ainda mais o debate público. O X, controlado por Musk, tornou-se um espaço central para críticas ao governo, enquanto a Truth Social reforça a narrativa de Trump. Esse confronto digital reflete uma nova dinâmica, onde líderes influentes moldam a opinião pública em tempo real.

A troca de acusações também levanta questões sobre a transparência na política americana. A menção de Musk ao caso Epstein, por exemplo, reacendeu o interesse em documentos que permanecem sob sigilo, enquanto as ameaças de Trump expõem a vulnerabilidade de empresas que dependem de contratos públicos.

Sinais de trégua ou escalada?

Apesar da intensidade do conflito, há indícios de que Musk pode estar suavizando seu tom. Na noite de 5 de junho, o bilionário interagiu com um post no X que pedia reconciliação entre ele e Trump, sugerindo uma possível abertura ao diálogo. Trump, no entanto, parece menos inclinado à trégua. Em uma entrevista à CNN na manhã de 6 de junho, o presidente afirmou que Musk “tem um problema” e descartou uma ligação planejada entre os dois.

A ausência de diálogo direto alimenta especulações sobre os próximos passos. Enquanto Musk continua a usar o X para criticar a “Big Beautiful Bill”, Trump mantém sua defesa do projeto, destacando sua importância para a economia. O desfecho do conflito permanece incerto, mas suas consequências já são sentidas no mercado, na política e na opinião pública.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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