CEO da Toyota prevê crescimento de 7,3% no mercado automotivo da América LatinaPor Jeronimo Santos
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A Toyota está expandindo sua presença na América Latina com um investimento de R$ 11,5 bilhões até 2030, focado na produção de veículos híbridos flex e no aumento das exportações. Liderada pelo CEO para a região, Rafael Chang, a montadora japonesa anunciou a construção de uma nova fábrica em Sorocaba, São Paulo, que ampliará a capacidade produtiva em 50%. O anúncio ocorre em um momento de recuperação do mercado automotivo latino-americano, com projeções de 4,4 milhões de veículos vendidos em 2025, um crescimento de 7,3% em relação a 2024. Brasil e Argentina, principais hubs da Toyota na região, concentram 60% das vendas, com destaque para modelos como Hilux e Corolla Cross. A estratégia inclui a adoção de tecnologias híbridas e o fortalecimento do aluguel de veículos por meio da Kinto.
O mercado automotivo da América Latina vive um cenário de retomada, após os desafios impostos pela pandemia. A Toyota, líder global de vendas em 2024, registrou 487 mil unidades vendidas na região no último ano. A empresa aposta em uma abordagem diversificada, com veículos híbridos como solução prática para a descarbonização, enquanto a infraestrutura para elétricos ainda se desenvolve.
- Principais mercados: Brasil, Argentina, Chile, Peru e Colômbia lideram a recuperação.
- Modelos de destaque: Hilux, Corolla Cross e Corolla dominam as vendas no Brasil.
- Novos projetos: Produção da van Hiace na Argentina e um compacto híbrido no Brasil.
A nova fábrica em Sorocaba é um marco para a Toyota, que busca consolidar sua liderança em um mercado cada vez mais competitivo, com a chegada de marcas chinesas como BYD e GWM.
Produção local ganha força
A Toyota opera suas fábricas no Brasil e na Argentina em capacidade máxima, com três turnos diários. No Brasil, a montadora registrou um crescimento de 3% nas vendas em 2024, alcançando 200 mil unidades, o que a posicionou como a quarta marca mais vendida no país. A nova unidade em Sorocaba, com capacidade para 100 mil carros por ano, será dedicada à produção de dois novos modelos híbridos flex, que combinam etanol e eletricidade.

A escolha pelo etanol reflete a realidade energética da região. O combustível, que emite cerca de 70% menos CO2 que a gasolina, é uma alternativa viável para reduzir emissões. A Toyota já é pioneira na produção de híbridos na América Latina, e o investimento de R$ 11,5 bilhões até 2030 reforça essa posição. A nova fábrica também criará 2.000 empregos diretos, além de impulsionar a cadeia de fornecedores.
Na Argentina, a Toyota mantém a liderança de vendas há quatro anos, com 90 mil unidades comercializadas em 2024. A produção local, especialmente da van Hiace, fortalece o país como um hub de exportação para a América Latina.
Estratégia de eletrificação diversificada
A eletrificação é um pilar central da Toyota na América Latina. Os veículos híbridos representam 13% das vendas na região, e a montadora adota a estratégia “multipathway”, que combina diferentes tecnologias, como híbridos convencionais, plug-in, elétricos e até modelos a hidrogênio. Rafael Chang destacou que os híbridos são a solução mais prática para a região, devido à limitada infraestrutura de recarga para veículos 100% elétricos.
A empresa também explora o potencial do etanol no Brasil. A combinação de biocombustíveis com a tecnologia híbrida reduz significativamente as emissões, alinhando-se aos objetivos globais de descarbonização. Globalmente, 40% das vendas da Toyota já são de veículos eletrificados, e a meta é ampliar essa participação na América Latina.
- Tecnologias disponíveis: Híbridos flex, híbridos plug-in, elétricos e hidrogênio.
- Vantagem do etanol: Redução de 70% nas emissões de CO2 em comparação com a gasolina.
- Participação de mercado: Híbridos respondem por 13% das vendas na região.
- Meta global: Aumentar a proporção de veículos eletrificados até 2030.
Exportações como motor de crescimento
A Toyota vê nas exportações um fator estratégico para o crescimento na América Latina. Brasil e Argentina exportam para mais de 20 países da região, e a montadora sonha em alcançar mercados globais. A nova fábrica em Sorocaba terá um papel crucial nesse plano, aumentando a capacidade de produção para atender a demanda interna e externa.
Em 2024, a Toyota exportou veículos para países como Chile, Peru e Colômbia, consolidando a região como um polo automotivo. A empresa também investiu R$ 160 milhões em um novo centro logístico de peças, que atende 23 países com 1,1 milhão de peças por mês. Esse centro fortalece o pós-venda, essencial para manter a fidelidade dos clientes.
A competitividade das operações locais é outro foco. Chang destacou a necessidade de isonomia regulatória e estabilidade para atrair novos projetos. A chegada de marcas chinesas, como BYD e Great Wall Motors, intensifica a concorrência, mas a Toyota vê isso como uma oportunidade para inovar.
Aluguel de veículos ganha espaço
A Toyota também avança no setor de mobilidade com a Kinto, sua plataforma de aluguel de veículos. Lançada no Brasil em 2020, a Kinto está presente em 100% das concessionárias do país e oferece 7.000 veículos. Na América Latina, a plataforma opera em 16 países, com planos de expansão.
A Kinto permite que clientes aluguem veículos por períodos flexíveis, atendendo desde consumidores individuais até empresas. Embora ainda esteja atrás das grandes locadoras, a Toyota aposta na integração com sua rede de concessionárias para crescer. O serviço é parte de uma estratégia mais ampla de diversificação, que inclui desde a produção de veículos até soluções de mobilidade.
Resposta à concorrência chinesa
A entrada de marcas chinesas, como BYD, Great Wall Motors e GAC, está transformando o mercado automotivo da América Latina. Essas empresas oferecem veículos elétricos a preços competitivos, desafiando montadoras tradicionais. A Toyota, no entanto, mantém uma abordagem cautelosa, priorizando híbridos enquanto a infraestrutura para elétricos se desenvolve.
Chang enfatizou que a concorrência é benéfica, pois estimula a inovação e oferece mais opções aos consumidores. Para se manter competitiva, a Toyota investe em produção local e diversificação de tecnologias. A empresa também adota planos de contingência para lidar com disrupções logísticas globais, como a diversificação de fornecedores e polos de produção.
Logística e pós-venda fortalecidos
O novo centro logístico de peças, inaugurado em novembro de 2024, é um exemplo do compromisso da Toyota com o pós-venda. Com capacidade para processar 1,1 milhão de peças por mês, o centro atende 23 países e garante a disponibilidade de componentes para o parque circulante da marca.
A logística é um desafio constante, especialmente em um cenário de instabilidade geopolítica. A Toyota mantém diversos hubs de produção e fornecimento para minimizar impactos. Essa estratégia permitiu que a empresa superasse as disrupções causadas pela pandemia e pelas tensões globais em 2024.
Investimentos para o futuro
O pacote de R$ 11,5 bilhões até 2030 inclui não apenas a nova fábrica em Sorocaba, mas também a expansão da produção de motores e a introdução de novos modelos. A Toyota planeja lançar dois híbridos flex no Brasil, reforçando sua liderança na categoria. A capacidade produtiva ampliada também permitirá atender a projeção de 5 a 6 milhões de veículos vendidos anualmente na América Latina nos próximos anos.
A empresa mantém o foco na sustentabilidade, com o etanol como aliado na descarbonização. A combinação de biocombustíveis e tecnologia híbrida é vista como uma solução prática para a região, enquanto os veículos 100% elétricos ganham espaço gradualmente.
Competitividade em um mercado dinâmico
A Toyota enfrenta um mercado automotivo em transformação, com a chegada de novas tecnologias e concorrentes. A empresa aposta na produção local, na diversificação de tecnologias e na expansão das exportações para manter sua liderança. A nova fábrica em Sorocaba e o centro logístico de peças são passos concretos nesse direção.
A montadora também monitora as mudanças regulatórias na região, buscando maior previsibilidade para seus investimentos. A estabilidade legislativa é essencial para projetos de longo prazo, como os da indústria automotiva.
Mobilidade como diferencial
A expansão da Kinto reflete a visão da Toyota de ir além da fabricação de veículos. A plataforma de aluguel oferece uma alternativa prática para consumidores que buscam flexibilidade. Com presença em 16 países da América Latina, a Kinto é uma aposta no crescimento do mercado de mobilidade, que ganha relevância em centros urbanos.
A Toyota planeja ampliar a frota disponível e integrar novos serviços, como assinatura de veículos. Essa estratégia diversifica as fontes de receita e fortalece a relação com os clientes, que passam a interagir com a marca de diferentes formas.







