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Tiroteios intensos abalam o Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, Zona Norte do Rio de Janeiro, desde o início da semana de 28 de junho de 2025. A guerra entre as facções Comando Vermelho (CV), liderada pelo traficante conhecido como Urso, e o Terceiro Comando Puro (TCP), sob o comando de Lacoste da Serrinha, resultou em ao menos quatro mortes, apreensão de fuzis e impacto direto na rotina de moradores. Na madrugada de sábado, a Polícia Militar (PM) entrou em confronto com criminosos armados, intensificando a operação para conter a violência. O cenário, agravado por disputas territoriais, expõe a fragilidade da segurança pública em áreas dominadas pelo tráfico. A escalada de confrontos, registrada em vídeos que circulam na internet, preocupa autoridades e moradores, que relatam casas danificadas e medo constante.

O conflito, que já dura cinco dias, reflete a tentativa de expansão do Comando Vermelho, vindo do Complexo da Penha, contra o domínio do TCP no Morro do Juramento. A PM, em patrulhamento reforçado, informou que os confrontos começaram quando um grupo armado tentou invadir a comunidade. A operação resultou na apreensão de cinco fuzis e uma pistola, mas também na morte de quatro suspeitos, encaminhados sem vida ao Hospital Carlos Chagas. A violência, que se intensificou na Avenida Pastor Martin Luther King Jr., transformou a região em um campo de batalha, com barricadas erguidas por traficantes para dificultar a ação policial.

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  • Mortes confirmadas: Quatro suspeitos baleados durante confronto com a PM.
  • Armas apreendidas: Cinco fuzis com numeração raspada e uma pistola calibre 9 mm.
  • Área afetada: Morro do Juramento e entorno, incluindo Juramentinho e Tomás Coelho.
  • Facções envolvidas: Comando Vermelho (Urso) e Terceiro Comando Puro (Lacoste).

A situação no Morro do Juramento não é isolada. A disputa entre facções no Rio de Janeiro tem se agravado em 2025, com tiroteios frequentes em comunidades da Zona Norte. A PM intensificou operações na região, com apoio do 41º BPM (Irajá) e do 1º Comando de Policiamento de Área, mas a violência persiste, alimentada por rivalidades históricas e pelo controle do tráfico de drogas.

policia militar morro do juramento
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Escalada da violência na Zona Norte

A guerra no Morro do Juramento reflete um cenário mais amplo de violência armada na região metropolitana do Rio. Dados do Instituto Fogo Cruzado apontam que, nos primeiros 15 dias de 2025, a Zona Norte concentrou 43% dos tiroteios registrados no Grande Rio, com Vila Isabel e o Morro dos Macacos também afetados por disputas entre grupos armados. No Juramento, a violência explodiu após tentativas do Comando Vermelho de consolidar seu domínio, desafiando o TCP, que mantém influência na comunidade há anos.

Moradores relatam noites de terror, com sons de rajadas e explosões. Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram casas perfuradas por balas e até uma granada que não detonou, supostamente lançada por drone. Um morador, em um dos registros, lamenta os danos à casa de sua avó, com paredes destruídas e destroços espalhados. A PM confirmou que barricadas foram montadas por criminosos para bloquear acessos, dificultando a entrada das equipes policiais.

A intensidade dos confrontos também impactou a mobilidade na região. A Avenida Pastor Martin Luther King Jr., uma das principais vias da Zona Norte, foi palco de tiroteios, e moradores evitam circular à noite. Na sexta-feira, 27 de junho, dois corpos foram encontrados em áreas próximas ao Juramento, incluindo um jovem de 19 anos perto de uma passarela em Tomás Coelho. As vítimas, segundo o Corpo de Bombeiros, já estavam mortas quando as equipes chegaram.

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Ação policial e desafios operacionais

A resposta da Polícia Militar às investidas das facções incluiu o reforço do patrulhamento e a mobilização de unidades especializadas. O 41º BPM, responsável pela região, informou que os confrontos começaram quando agentes se depararam com um grupo fortemente armado na Avenida Pastor Martin Luther King Jr. A troca de tiros foi intensa, e cinco suspeitos foram baleados. Encaminhados ao Hospital Carlos Chagas, quatro não resistiram aos ferimentos.

A operação resultou na apreensão de armamento pesado, incluindo fuzis com numeração raspada, o que indica a sofisticação do arsenal utilizado pelas facções. Além disso, uma pistola calibre 9 mm foi confiscada, reforçando a capacidade bélica dos grupos envolvidos. A PM destacou que o policiamento foi intensificado nos acessos ao Morro do Juramento, com apoio de unidades do 1º CPA, mas os desafios persistem devido à geografia da comunidade e às táticas dos criminosos, como o uso de barricadas e drones.

  • Reforço policial: 41º BPM e 1º CPA mobilizados para conter confrontos.
  • Armamento pesado: Fuzis e pistola apreendidos em operação.
  • Táticas criminosas: Barricadas e drones usados para dificultar ações policiais.
  • Impacto na comunidade: Moradores relatam medo e danos materiais.

A Polícia Militar também enfrentou críticas de moradores, que relatam abusos durante operações. Em redes sociais, alguns usuários elogiaram a atuação da PM, enquanto outros questionaram a violência empregada. Um comentário em uma postagem no Instagram ironizou a situação, chamando o Rio de “Narcos Rio”, em referência à série sobre o narcotráfico. Outro usuário lamentou a insegurança, perguntando “quem cuida dos policiais” que enfrentam o caos diariamente.

Impacto na vida dos moradores

A rotina no Morro do Juramento foi profundamente afetada pelos tiroteios. Escolas na região suspenderam aulas, e comerciantes relatam quedas no movimento devido ao medo de clientes. Moradores evitam sair de casa à noite, e muitos relatam traumas causados pelo som constante de disparos. Um vídeo compartilhado na internet mostra um residente apontando para buracos de bala na parede de sua casa, enquanto outro menciona o impacto psicológico em crianças e idosos.

Na quinta-feira, 26 de junho, um morador foi baleado no pé enquanto voltava para casa, próximo ao Juramentinho. Socorrido no Hospital Estadual Getúlio Vargas, ele recebeu alta, mas o caso ilustra o risco enfrentado por civis em meio aos confrontos. A violência também afeta a economia local, com feiras e pequenos negócios impactados pela insegurança.

A situação no Juramento não é nova, mas a escalada em 2025 reacende o debate sobre a eficácia das políticas de segurança pública. Apesar de operações frequentes, as facções continuam a operar com armamento pesado e estratégias sofisticadas, como o uso de drones para ataques e monitoramento. O Instituto de Segurança Pública (ISP) registrou, em 2024, a apreensão de 732 fuzis no estado, o maior número desde 2007, mas o fluxo de armas ilegais permanece um desafio.

Outras operações na cidade

Além do Morro do Juramento, outras áreas do Rio enfrentaram ações policiais na mesma semana. Na madrugada de sábado, cinco suspeitos foram presos após uma perseguição na Avenida Brasil, saindo de um baile funk na Vila do João, no Complexo da Maré. A operação, conduzida pela Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de Manguinhos, resultou na apreensão de um fuzil, uma pistola e munições. Os presos, segundo a PM, estão ligados ao tráfico do Morro do São Carlos.

A operação na Avenida Brasil destaca a conexão entre diferentes comunidades dominadas pelo tráfico. Os suspeitos, três homens e duas mulheres, foram detidos na altura da Fiocruz, reforçando a presença de grupos armados em áreas estratégicas da cidade. A PM informou que os presos serão investigados por associação ao tráfico e porte ilegal de armas.

  • Perseguição na Avenida Brasil: Cinco presos após saída de baile funk.
  • Armas confiscadas: Um fuzil e uma pistola apreendidos.
  • Local da operação: Altura da Fiocruz, próximo à Manguinhos.
  • Vínculo dos suspeitos: Tráfico do Morro do São Carlos.

Cenário de violência em 2025

A guerra no Morro do Juramento é um reflexo do aumento da violência armada no Rio de Janeiro em 2025. Segundo o Instituto Fogo Cruzado, o número de tiroteios na região metropolitana cresceu 36% nos primeiros 15 dias do ano, comparado a 2024. A Zona Norte, especialmente, tem sido palco de disputas territoriais, com comunidades como o Morro dos Macacos e o Complexo da Penha também afetadas.

A escalada da violência é atribuída à reconfiguração do poder entre facções, com o Comando Vermelho buscando expandir seu domínio em áreas controladas pelo TCP. A sofisticação das táticas criminosas, como o uso de drones e granadas, evidencia a dificuldade das autoridades em conter o avanço do crime organizado. Enquanto isso, moradores do Juramento e de outras comunidades vivem sob o impacto de uma guerra que parece longe de acabar.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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