João Fonseca faz história em Wimbledon e avança à terceira rodada aos 18 anosPor Thiago Lemos
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Aos 18 anos, João Fonseca, tenista carioca e número 54 do mundo, alcançou um marco histórico ao avançar à terceira rodada de Wimbledon 2025, derrotando o americano Jenson Brooksby por 3 sets a 1, com parciais de 6/4, 5/7, 6/2 e 6/4, nesta quarta-feira, 2 de julho, em Londres. O feito, que não era alcançado por um brasileiro desde Thomaz Bellucci em 2010, coloca Fonseca como o mais jovem a chegar a essa fase no torneio desde Andy Roddick em 2001. Sob chuva intermitente, que atrasou o jogo em duas horas, o brasileiro mostrou potência no saque e agressividade na grama, superando um adversário experiente. Agora, ele se prepara para enfrentar o chileno Nicolas Jarry na sexta-feira, em busca de uma vaga nas oitavas de final. A ascensão meteórica do jovem tenista reforça seu status como uma das maiores promessas do esporte mundial.
O caminho até a vitória contra Brooksby foi marcado por desafios. Fonseca, que disputa apenas seu terceiro Grand Slam, enfrentou um adversário que, apesar de estar ranqueado em 101º, vinha de um vice-campeonato no ATP 250 de Eastbourne. A partida exigiu resiliência, com momentos de pressão no saque e trocas intensas na rede, especialmente no segundo set, onde o brasileiro perdeu a parcial após salvar múltiplos set points.
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- Momentos-chave da partida:
- Primeiro set: Fonseca quebrou o saque de Brooksby no quinto game e fechou em 6/4.
- Segundo set: Após salvar quatro set points, o brasileiro cedeu a parcial por 5/7.
- Terceiro set: Duas quebras seguidas colocaram Fonseca em vantagem, fechando em 6/2.
- Quarto set: Quebras decisivas e saques potentes garantiram a vitória em 6/4.
A performance de Fonseca em Wimbledon consolida sua rápida evolução no circuito profissional. Desde sua estreia em Grand Slams no Australian Open 2025, onde derrotou o top 10 Andrey Rublev, o carioca vem acumulando feitos impressionantes, incluindo a terceira rodada em Roland Garros no último mês de maio.
Fabulous. Ferocious. Fonseca.#Wimbledon pic.twitter.com/pl7mfgyWv5
— Wimbledon (@Wimbledon) July 2, 2025
Ascensão de um prodígio no tênis mundial
João Fonseca, pupilo do técnico Guilherme Teixeira, da Yes Tennis, entrou no radar do tênis mundial com apenas 18 anos. Sua trajetória em 2025 é notável: além de vencer o Challenger de Camberra e o ATP 250 de Buenos Aires, o brasileiro alcançou a 54ª posição no ranking da ATP, a melhor de sua carreira até o momento. Em Wimbledon, ele se tornou o mais jovem brasileiro a vencer uma partida no torneio desde Thomaz Koch, em 1964, e o segundo sul-americano mais jovem a chegar à segunda rodada, atrás apenas de Juan Martin Del Potro, em 2007.
O jovem carioca, nascido em Ipanema, tem atraído elogios de lendas do esporte. Andre Agassi destacou sua capacidade de golpear com força sem perder o equilíbrio, enquanto Carlos Alcaraz, com quem Fonseca treinou antes de Wimbledon, descreveu sua habilidade como “mágica na quadra”. Essa combinação de talento bruto e mentalidade competitiva tem impulsionado sua carreira em um ritmo vertiginoso.
O jogo contra Brooksby, que durou 3 horas e 13 minutos, evidenciou a força mental de Fonseca. Mesmo sob pressão, com o americano salvando múltiplos break points, o brasileiro manteve a compostura, utilizando saques que ultrapassaram os 220 km/h e golpes de forehand precisos. A vitória não apenas quebrou um jejum de 15 anos para o tênis masculino brasileiro em Wimbledon, mas também reforçou a confiança de Fonseca na grama, um piso onde ele ainda está se adaptando.
O adversário da próxima fase
Na terceira rodada, João Fonseca enfrentará Nicolas Jarry, chileno de 29 anos e atual 143º do ranking, que veio do qualificatório e surpreendeu ao eliminar o dinamarquês Holger Rune, número 8 do mundo, na primeira rodada. Jarry, que já foi 16º do mundo, tem experiência em Wimbledon, tendo alcançado a terceira rodada em 2023. O confronto, marcado para sexta-feira, será o primeiro entre os dois no circuito profissional.
Jarry chega à partida após uma vitória dominante sobre o americano Learner Tien, por 6/2, 6/2 e 6/3. Sua altura de 1,98m e saque poderoso são armas que podem desafiar Fonseca, especialmente na grama, onde o chileno tem se mostrado confortável. No entanto, o brasileiro, com seu estilo agressivo e mobilidade, tem condições de impor dificuldades ao adversário, especialmente se mantiver a consistência nos games de serviço.
Desafios da grama para um jovem talento
A grama de Wimbledon, conhecida por sua velocidade e exigência técnica, é um desafio para qualquer tenista, especialmente para um novato como Fonseca. Antes do torneio, ele disputou dois eventos preparatórios: o ATP 500 de Halle, na Alemanha, onde foi eliminado na estreia, e o ATP 250 de Eastbourne, na Inglaterra, onde conquistou sua primeira vitória em nível ATP na grama, contra Zizou Bergs, antes de cair nas oitavas para Taylor Fritz.
A adaptação à grama requer ajustes no saque, na movimentação e na estratégia de jogo, já que a superfície favorece pontos rápidos e jogadores com golpes potentes. Fonseca, que se destacou inicialmente no saibro e em quadras duras, tem trabalhado para aprimorar esses aspectos. Em entrevista antes do torneio, ele destacou a importância de “aproveitar o pouco tempo para se adaptar” e manter a confiança em seu jogo agressivo.
- Estratégias de Fonseca na grama:
- Saque potente, com média de 69% de pontos vencidos com o primeiro serviço.
- Golpes de forehand para dominar os pontos na linha de base.
- Mobilidade para lidar com a velocidade da superfície.
- Mentalidade agressiva, buscando definir pontos rapidamente.
Histórico brasileiro em Wimbledon
O tênis brasileiro tem uma relação de altos e baixos com Wimbledon. Antes de Fonseca, Thomaz Bellucci foi o último a alcançar a terceira rodada, em 2010, quando perdeu para Robin Söderling. Nomes como Gustavo Kuerten, tricampeão de Roland Garros, e Maria Esther Bueno, tricampeã de Wimbledon nos anos 1950 e 1960, marcaram época, mas o torneio na grama nunca foi um território fácil para os brasileiros. A campanha de Fonseca, portanto, reacende a esperança de novos feitos para o país no Grand Slam britânico.
Além de Fonseca, o Brasil conta com Beatriz Haddad Maia na chave feminina de simples, que também avançou à segunda rodada após derrotar Rebecca Sramkova. Nas duplas, Marcelo Melo, Rafael Matos, Orlando Luz, Fernando Romboli e Marcelo Demoliner representam o país, com confrontos brasileiros já na primeira rodada, como o duelo entre Melo/Matos e Luz/Dodig.
O impacto comercial de Fonseca
Além de seus feitos em quadra, João Fonseca tem se destacado fora dela. Sua ascensão tem atraído patrocinadores, mídia e novos praticantes para o tênis no Brasil. Academias de tênis, como a Tennis Route, no Rio de Janeiro, relatam um aumento na procura por aulas, especialmente entre crianças a partir de 9 anos, inspiradas pelo “fenômeno Fonseca”. Lojas especializadas, como a Tennis Pro Shop Jairo, em São Paulo, também notaram um movimento de jogadores amadores retornando ao esporte, renovando equipamentos e acompanhando as partidas do jovem carioca.
O carisma de Fonseca, aliado à sua habilidade de se comunicar em português, inglês e espanhol, tem conquistado diretores de torneios e fãs internacionais. Em Stuttgart e Halle, na Alemanha, ele recebeu convites para disputar chaves principais, com organizadores destacando sua capacidade de “cativar o público” e representar “juventude e paixão” no esporte.
A preparação para o próximo desafio
Com apenas dois dias de descanso até o jogo contra Jarry, Fonseca deve focar na recuperação física e na análise tática. O chileno, que voltou ao circuito após lesões e oscilações no ranking, é um adversário experiente, mas vulnerável em longas trocas de bola. A estratégia de Fonseca provavelmente envolverá manter a agressividade no saque e explorar a linha de base para evitar subidas à rede, onde Jarry pode se destacar.
A campanha de Fonseca em Wimbledon já garantiu uma premiação significativa, com cerca de R$ 741 mil por alcançar a terceira rodada, e a possibilidade de somar mais caso avance. O torneio, que distribui valores recordes em 2025, com um aumento de 7% em relação ao ano anterior, reforça a importância financeira de cada vitória para um jovem em início de carreira.
Um marco para o tênis sul-americano
O feito de Fonseca também tem relevância no contexto sul-americano. Além de ser o mais jovem da região a alcançar a terceira rodada de Wimbledon desde Del Potro, ele se junta a um grupo seleto de tenistas que conseguiram resultados expressivos em dois Grand Slams na mesma temporada. Sua performance em Londres, aliada à vitória sobre Rublev no Australian Open e à campanha em Roland Garros, sinaliza que o brasileiro pode se consolidar entre os grandes nomes do circuito nos próximos anos.
A partida contra Jarry será transmitida ao vivo pelos canais ESPN e pelo streaming Disney+, com início previsto para as 7h (horário de Brasília) na sexta-feira. O confronto promete ser um teste de fogo para Fonseca, mas também uma oportunidade de consolidar seu nome como uma das maiores revelações do tênis em 2025.















