Feriado hoje: cariocas aprovam organização do Brics no Rio com 70,87% de avaliação positivaPor Bruna
7 min de leitura
![]() |
A cúpula do Brics, realizada no Rio de Janeiro entre 6 e 7 de julho de 2025, conquistou a aprovação de 70,87% dos cariocas, que consideraram a organização do evento boa ou excelente, segundo pesquisa da Zoox. O encontro, que reuniu líderes de onze países e representantes de nações parceiras, movimentou a cidade com debates sobre governança global e sustentabilidade. Um feriado municipal decretado pela prefeitura facilitou a logística, com 65,8% dos entrevistados relatando pouco ou nenhum impacto no trânsito. A escolha do Rio como sede reforçou sua vocação para eventos internacionais, com 60,03% dos moradores recomendando a cidade para futuros encontros. O evento também gerou um impacto econômico estimado em R$ 69 milhões, considerando gastos de cerca de 10 mil participantes estrangeiros.
A pesquisa da Zoox, conduzida durante o último fim de semana do evento, capturou a percepção dos cariocas sobre diversos aspectos da cúpula. Além da organização, a mobilidade urbana foi um destaque positivo. A cidade, conhecida por desafios logísticos em grandes eventos, conseguiu equilibrar as demandas das delegações internacionais com a rotina dos moradores.
- Principais destaques da pesquisa:
- 70,87% avaliaram a organização como boa ou excelente.
- 65,8% notaram pouco ou nenhum impacto no trânsito.
- 43,08% usaram transporte público como principal meio de locomoção.
O sucesso da cúpula reforça a posição do Rio como um polo para eventos globais, mas também levanta questões sobre os custos e benefícios de sediar encontros desse porte.
Organização elogiada pelos cariocas
A realização da cúpula do Brics no Rio de Janeiro foi marcada por uma logística bem planejada. A pesquisa da Zoox revelou que a maioria dos cariocas percebeu a organização como eficiente, com destaque para a coordenação entre a prefeitura e as forças de segurança. O feriado municipal, decretado para minimizar transtornos, foi aprovado por 65,8% dos entrevistados, que relataram facilidade de deslocamento durante os dias do evento.
A preparação da cidade envolveu adaptações no trânsito e nos serviços de transporte, iniciadas dias antes do evento. Grades de isolamento viário, contratadas por R$ 425 mil, garantiram a segurança das delegações, enquanto ajustes nos horários de transporte público atenderam à demanda de moradores e visitantes. A escolha de locais icônicos, como o Museu de Arte Moderna (MAM), para eventos culturais paralelos, também contribuiu para a percepção positiva.
Mobilidade urbana em destaque
O transporte foi um dos pilares do sucesso da cúpula. Segundo a pesquisa, 43,08% dos cariocas utilizaram transporte público, como ônibus, metrô e BRT, enquanto 41,06% optaram por táxis ou aplicativos de mobilidade. Apenas 10,38% recorreram a veículos particulares, um indicativo da eficácia das medidas de incentivo ao uso de transporte coletivo.
A prefeitura implementou mudanças estratégicas no trânsito, incluindo a suspensão de vias em áreas próximas aos locais do evento. Essas alterações, combinadas com a comunicação clara sobre rotas alternativas, reduziram congestionamentos. Um morador entrevistado pela Zoox destacou: “Consegui me deslocar normalmente, mesmo com as ruas bloqueadas. Foi bem organizado.”
Impacto econômico na cidade
A cúpula do Brics movimentou a economia carioca em R$ 69 milhões, conforme estimativa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, do Instituto Fundação João Goulart e da Coordenadoria de Relações Internacionais. O cálculo considera gastos com hospedagem, alimentação, transporte e outros serviços por cerca de 10 mil participantes estrangeiros, incluindo delegações, imprensa e equipes de apoio.
Hotéis na Zona Sul e no Centro registraram ocupação próxima de 100% durante o evento. Restaurantes e bares também relataram aumento no movimento, especialmente em Copacabana e Ipanema. A prefeitura destacou que o impacto econômico reforça o potencial do Rio como destino para eventos internacionais, gerando empregos temporários e visibilidade global.
Rio como sede de eventos globais
A aprovação dos cariocas à cúpula do Brics reflete a capacidade do Rio de Janeiro de sediar eventos de grande porte. A pesquisa da Zoox indicou que 60,03% dos moradores recomendariam a cidade como sede de futuros eventos internacionais, enquanto 28,03% sugeriram pequenos ajustes, como maior planejamento para minimizar impactos no comércio local.
A escolha do Rio para a cúpula foi estratégica. A cidade, que já sediou eventos como a Rio+20 e as Olimpíadas de 2016, tem infraestrutura consolidada para receber líderes mundiais. O MAM, por exemplo, abrigou a exposição “Brasil: imagens e formas”, com obras da Coleção Gilberto Chateaubriand, que encantou visitantes e reforçou a identidade cultural brasileira.
Investimentos em infraestrutura
A organização da cúpula exigiu investimentos significativos. A Riotur, órgão municipal responsável pelo turismo, desembolsou R$ 425 mil apenas com grades de isolamento viário, contratadas para garantir a segurança das delegações. Outros custos incluíram reforço na segurança pública, com a mobilização de policiais militares e guardas municipais, e adaptações no transporte público.
Apesar dos gastos, a prefeitura argumenta que o retorno econômico e a projeção internacional do Rio justificam o investimento. A cúpula também abriu portas para futuras parcerias comerciais com os países membros do Brics, como China, Índia e Rússia, que buscam ampliar laços com o Brasil.
Percepção cultural e internacional
A cúpula do Brics não foi apenas um evento diplomático, mas também uma vitrine cultural. A exposição no MAM, especialmente concebida para o evento, apresentou uma visão diversa da arte brasileira, com obras que destacaram a pluralidade do país. Visitantes internacionais, incluindo membros das delegações, elogiaram a iniciativa, que reforçou a imagem do Brasil como um país rico em cultura e história.
Além disso, o Rio se posicionou como um centro de diálogo global. A cúpula abordou temas como mudança climática, inteligência artificial e saúde global, com a participação de líderes como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. A ausência do presidente chinês, Xi Jinping, foi notada, mas não comprometeu o sucesso do evento, segundo organizadores.
Apoio à agenda climática
A declaração final da cúpula, chamada Declaração do Rio de Janeiro, trouxe avanços na agenda climática. Os países do Brics propuseram a criação do fundo “Floresta Tropical Para Sempre”, inspirado no Fundo Amazônia, para proteger florestas tropicais na África, Ásia e América Latina. A iniciativa, liderada pelo Brasil, foi bem recebida, embora detalhes sobre financiamento ainda estejam em negociação.
- Compromissos climáticos destacados:
- Criação do fundo para preservação de florestas tropicais.
- Adoção de princípios para contabilidade de carbono transparente.
- Defesa de financiamento climático por países desenvolvidos.
A agenda climática reforçou o papel do Brasil como líder em sustentabilidade, com o Rio servindo como palco para discussões que influenciarão a COP30, prevista para 2025 em Belém.
Desafios logísticos superados
Apesar do sucesso, a organização da cúpula enfrentou desafios. Pequenos protestos, como o da Anistia Internacional em Copacabana, chamaram a atenção para questões ambientais, mas não interferiram no andamento do evento. A segurança foi reforçada, com a presença de forças federais e estaduais, garantindo a proteção dos líderes e participantes.
A prefeitura também lidou com críticas de lojistas, que relataram queda no movimento em algumas áreas devido às restrições de trânsito. No entanto, a pesquisa da Zoox sugere que a percepção geral foi positiva, com a maioria dos cariocas valorizando os benefícios do evento para a cidade.
Legado para o turismo
A cúpula do Brics consolidou o Rio como um destino de turismo de negócios e eventos internacionais. Em 2025, o estado já registrou a entrada de mais de R$ 1 bilhão de turistas americanos, com gasto médio de US$ 1.617 por viagem. A visibilidade gerada pelo evento pode atrair mais visitantes, especialmente de países do Brics, que representam mercados emergentes com crescente interesse no Brasil.
A prefeitura planeja capitalizar o sucesso da cúpula para promover o Rio em feiras internacionais de turismo. A expectativa é que a cidade continue atraindo eventos de grande porte, consolidando sua posição como um hub global para diplomacia e negócios.







