Red Bull troca Horner por Mekies em meio a polêmicas e incertezas com Verstappen
A Red Bull Racing confirmou, em 9 de julho de 2025, a demissão de Christian Horner, chefe da equipe por 20 anos, em uma decisão anunciada em Londres que encerra um ciclo de conquistas e polêmicas. Laurent Mekies, ex-Ferrari e chefe da RB, assume o comando a partir do GP da Bélgica, em 27 de julho, com a missão de recuperar a competitividade e convencer Max Verstappen a permanecer. A saída de Horner ocorre após escândalos, incluindo acusações de comportamento inadequado em 2024, e uma temporada de declínio, com a equipe na quarta posição do Mundial de Construtores. Verstappen, insatisfeito com os resultados e próximo de Horner, avalia seu futuro, enquanto rumores de uma transferência para a Mercedes crescem. A mudança abala a Fórmula 1 e sinaliza um novo capítulo para a equipe austríaca.
Horner liderou a Red Bull desde 2005, transformando-a em uma potência com oito títulos de pilotos e seis de construtores. Sua gestão, marcada por 124 vitórias em 405 GPs, enfrentou desafios recentes que culminaram em sua saída. A decisão, tomada por Oliver Mintzlaff, CEO da Red Bull GmbH, reflete tensões internas e pressões externas.
A relação com Verstappen, pilar da equipe, é central para o futuro da Red Bull. O holandês, terceiro no Mundial de Pilotos com 165 pontos, demonstrou frustração com a falta de competitividade e agora avalia sua permanência sob a nova liderança de Mekies.
- Fatores que pesam na decisão de Verstappen:
- Desempenho do carro em 2025, com apenas duas vitórias nas 12 primeiras corridas.
- Saída de aliados como Horner e Adrian Newey, projetista que se transferiu para a Aston Martin.
- Interesse da Mercedes, que oferece um projeto competitivo para 2026.
- Confiança em Mekies, cuja experiência pode estabilizar a equipe.
BREAKING: Christian Horner is to exit Red Bull Racing with immediate effect#F1 pic.twitter.com/v50mwnBlV6
— Formula 1 (@F1) July 9, 2025
Polêmica de 2024 e o início da crise
O ano de 2024 foi decisivo para a queda de Horner. Uma funcionária acusou o chefe de comportamento inadequado, desencadeando uma investigação interna. Apesar de absolvido, o vazamento de 79 mensagens de WhatsApp de cunho pessoal, atribuídas a Horner, durante o GP do Bahrein, intensificou a crise. O caso gerou críticas de rivais como Toto Wolff, da Mercedes, e Zak Brown, da McLaren, além de pilotos como Lewis Hamilton.
A denunciante, suspensa pela Red Bull, planeja acionar a justiça em 2026, segundo o jornal Mundo Deportivo. O escândalo expôs divisões internas, com o acionista Chalerm Yoovidhya apoiando Horner, enquanto Mark Mateschitz, filho do fundador Dietrich, pressionava por mudanças.
Declínio em 2025 e desafios técnicos
A temporada de 2025 expôs fragilidades da Red Bull. Após perder o título de construtores para a McLaren em 2024, a equipe soma apenas 172 pontos e ocupa a quarta posição. O carro, projetado para Verstappen, não se adapta a outros pilotos, como Yuki Tsunoda, que não pontuou nas últimas cinco corridas.
A saída de Adrian Newey, em 2024, foi um golpe. Responsável pelos carros dominantes de 2022 e 2023, Newey deixou a equipe sem sua genialidade técnica. Jonathan Wheatley, outro pilar, também saiu para liderar a Sauber.
- Números da Red Bull em 2025:
- 172 pontos no Mundial de Construtores (4º lugar).
- Duas vitórias, ambas com Verstappen.
- Nenhuma pole position nas 12 primeiras corridas.
- Queda de 70% nas vitórias em relação a 2023.
Verstappen e o dilema de 2025
Max Verstappen, aos 27 anos, é o maior ativo da Red Bull, mas sua permanência está em xeque. Com contrato até 2028, ele pode ativar cláusulas de desempenho para sair, especialmente após a temporada irregular. Verstappen venceu apenas duas corridas em 2025 e está 69 pontos atrás de Oscar Piastri, líder do Mundial de Pilotos.
A relação com Horner, apesar de tensa em 2024, era de confiança mútua. A demissão do chefe, aliada à saída de Newey, aumentou a insatisfação do piloto. Jos Verstappen, pai de Max, criticou Horner publicamente e defendeu Helmut Marko, consultor da equipe, que quase foi demitido em 2024. Max chegou a dizer que deixaria a Red Bull se Marko saísse, sinalizando sua influência.
Toto Wolff, da Mercedes, confirmou negociações iniciais com Verstappen. A equipe alemã, competitiva em 2025, vê o holandês como peça-chave para 2026, quando novas regras entrarão em vigor. No entanto, Mekies pode ser um trunfo para manter Verstappen. Sua experiência na Ferrari e na RB o credencia para liderar a recuperação técnica da equipe.
Laurent Mekies e a nova liderança
Laurent Mekies, de 48 anos, assume a Red Bull em um momento crítico. Ex-diretor de corridas da Ferrari, ele comandava a RB, equipe irmã, desde 2023. Sua promoção reflete a aposta em uma liderança técnica para superar os desafios de 2025. Mekies terá apoio de Alan Permane, novo chefe da RB, que traz experiência da Alpine.
A estreia de Mekies será no GP da Bélgica, uma pista que favorece o estilo de Verstappen. A prioridade do novo chefe será melhorar o carro e estabilizar a equipe, especialmente após a demissão de Liam Lawson, piloto que substituiu Sergio Pérez, mas não pontuou em duas corridas.
Reações no mundo da Fórmula 1
A saída de Horner gerou comoção no paddock. Martin Brundle, comentarista da Sky Sports, lamentou a demissão, mas destacou que a crise era insustentável. Equipes rivais, como McLaren e Ferrari, evitaram comentários, mas fontes sugerem que a instabilidade da Red Bull pode abrir portas para negociações com Verstappen.
A Red Bull agradeceu Horner em comunicado, destacando suas conquistas. Oliver Mintzlaff afirmou que ele “sempre será parte da história da equipe”, mas não explicou os motivos da demissão.
Poder interno e disputas acionárias
A demissão de Horner reflete uma luta de poder na Red Bull GmbH. Após a morte de Dietrich Mateschitz, em 2022, Horner consolidou influência, o que gerou atritos com Mark Mateschitz e Chalerm Yoovidhya. Segundo o Daily Mail, Mateschitz via Horner como uma figura central demais, enquanto Yoovidhya o apoiava. A decisão de Mintzlaff sugere um realinhamento estratégico.
Helmut Marko, aliado de Verstappen, ganhou força com a saída de Horner. Sua permanência, garantida após tensões em 2024, pode ser um fator para convencer Verstappen a ficar.
Legado de Horner na Red Bull
Christian Horner deixa a Red Bull como o chefe mais longevo da Fórmula 1. Sua gestão transformou uma equipe novata em 2005 em uma potência global, com momentos históricos como o domínio de Sebastian Vettel (2010-2013) e a rivalidade entre Verstappen e Hamilton em 2021.
- Feitos de Horner:
- Primeira vitória em 2009, com Vettel no GP da China.
- Quatro títulos consecutivos de pilotos e construtores (2010-2013).
- Criação da RB, que revelou pilotos como Daniel Ricciardo.
- 287 pódios em 405 corridas.
As polêmicas de 2024, no entanto, mancharam seu legado, e a queda de desempenho em 2025 selou seu destino.
Expectativas para o GP da Bélgica
O GP da Bélgica, entre 25 e 27 de julho, será o primeiro sob o comando de Mekies. A pista de Spa-Francorchamps, com suas retas longas, pode beneficiar Verstappen, mas a Red Bull precisa de ajustes para competir com McLaren e Ferrari. Yuki Tsunoda, pressionado por resultados, terá sua posição avaliada.
Futuro de Verstappen sob Mekies
A permanência de Verstappen dependerá de vários fatores. Mekies, com sua abordagem técnica, pode reconquistar a confiança do piloto, mas a Red Bull precisa entregar um carro competitivo. Fontes próximas a Verstappen indicam que ele está disposto a dar uma chance à nova gestão, mas a Mercedes permanece como uma opção concreta.
A temporada de 2026, com novas regras, será decisiva. A Red Bull planeja desenvolver seu próprio motor, mas a saída de Newey levanta dúvidas sobre sua capacidade técnica. Mekies terá que provar que a equipe pode voltar ao topo.
Red Bull em transição
A troca de liderança marca um momento de reconstrução para a Red Bull. Mekies e Permane terão a tarefa de unificar a equipe, recuperar a competitividade e manter Verstappen. A Fórmula 1, sempre imprevisível, acompanha de perto o próximo capítulo da equipe austríaca.
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